Denunciando a corrupção:

O tema Denunciando a corrupção, é parte do conteúdo sobre a obra “O Novo Mundo: a história interagindo com o sonho da Humanidade”, que está neste link https://formaresaber.com.br/#roma/, e no vídeo abaixo:

Ao acessar o conteúdo pelo link acima, é possível cruzar leituras relacionadas.

Sem sentidos, desprezamos a cura da doença

Este artigo vem apresentar uma proposta de mudança de vida diante dos tempos de destruição e morte que vivemos no presente.

Nos tempos presentes, e aqui nos referimos à sexta-feira, 09 de abril de 2021, a exemplo de quando houve a Ressurreição de Jesus em que os discípulos em diversas narrativas bíblicas não o reconheceram, uma delas a dos irmãos que seguiam para Emaús, a Igreja também não o reconheceu diante de sua mensagem de Boa Nova dada pela Liturgia da sexta-feira, oitava da Páscoa, após a celebração de sua Paixão e Morte.

Igual aquele tempo, vivemos tempos de tristeza, de luto, de dor, em que o número de pessoas mortas só pela peste que, aproximando-se de 400.000 vítimas, supera a população de cidades populosas, como Blumenau -SP, Canoas – RS, Carapicuíba – SP, se aproximando de Campina Grande – PB, muitas dessas vítimas, sem a dignidade de um leito, isto é, mortas na fila para entrar nos hospitais.

E diante dessa dor, sentimos a mesma impotência, a falta de forças, o desnorteio, sem saber o que fazer, e, tentamos manter tudo dentro da normalidade continuando nossos trabalhos, repetindo o que fez o Apóstolo Pedro, quando, desiludido, perdido, sem rumo, cheio de dores, parecendo-lhe faltar esperanças para um mundo que o esmagava, disse “Eu vou pescar” (João Cap. 21, v. 3).

Falta de sentidos

E como naqueles tempos, saímos para pescar, mas tudo nos parece sem sentido, tudo nos parece decepção, já não vemos a alegria de nossas festas, já não sentimos prazer em celebrarmos nossas tradições, tudo parece diferente agora, tudo parece sem o vigor de outrora, e como os Discípulos daquele tempo, agora, passamos a noite toda e não pescamos nada (Jo, 21,3), isto é, parece que diante de tanta dor, indiferença, corrupção, nada muda e nada vai mudar, estamos condenados á um lugar de dores, frustrações e decepções.

Com o coração pesados, não reconhecemos a Vida se renovando, não reconhecemos o Senhor nos dando uma Boa Nova para a cura de nossa dor, para a cura da peste, para o renascimento em uma Vida nova, na Liturgia do dia 09 de Abril de 2021, Ele disse nas missas daquele dia “Lançai a rede à direita da barca, e achareis” (Jo 21,6), mas, a Igreja está dormente, a exemplo dos discípulos, não reconheceu o seu Senhor, e essas palavras voaram ao vento, sequer são lembradas pela teologia do Deus morto.

Com um coração sem carne, com os ossos secos, as Palavras do Senhor parecem não ter vida para nós quando diz dentro de uma liturgia, isto é, prática de vida, serviço :“Lançai a rede à direita da barca, e achareis” (Jo 21, 6), parecendo apenas um adorno do texto, assim como depois em “ Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes” (Jo,21,11).

No entanto a Palavra do Senhor não é inútil, não foi Proclamada apenas para desaparecer ao vento como desapareceu de nossos corações a Proclamação da sexta-feira dia 09 de abril de 2021, pois, não é apenas adorno, é Palavra Viva, e na Ressurreição do Senhor, é como a chuva que rega o campo a germinar, a trazer a Vida na Boa Nova da cura de nossos males, fazendo novas todas as coisas:

E como a chuva e a neve que caem do céu para lá não voltam sem antes molhar a terra e fazê-la germinar e brotar, a fim de produzir semente para quem planta e alimento para quem come, assim também acontece com a minha palavra: Ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão.

Em clima de alegria saireis, em clima de paz sereis conduzidos (Isaías, Cap. 55, v. 10-12).

A Palavra Viva do Senhor ressuscitado ao nos dizer “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”, está se revelando para nós nos tempos presentes, a dizer que toda a nossa alegria de Pentecostes: “Em clima de alegria saireis, em clima de paz sereis conduzidos (Isaías, Cap. 55, v. 12), a Alegria da Boa Nova, precisa ser nos 50 dias da celebração da Páscoa com uma peregrinação junto com Ele à sua direita.

Igual a experiência de Tobias e Sarah na cura com São Rafael, quem está à direita da Barca é a Rainha (Salmo 45), oferecendo-nos o remédio, para curar nossas dores de agora, na peregrinação de cada dia (= 1 dia), que deve conter 150 (saudações angélicas) com a mediação dos mistérios da alegria, dor e glorificação do Senhor (= 3 mistérios), que se representou por 153: “ Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes (Jo 21,11);

Mas o coração do homem está sem carne, assim como secos estão seus ossos, e não consegue reconhecer o Senhor, assim, mesmo diante da morte ele permanece indiferente para mudar o curso capaz de salvar sua vida, mesmo diante dos sinais do Senhor ele permanece cabisbaixo, e talvez ainda diante de todos os sinais do Senhor, sua incredulidade veja como atos de um homem, “onde vossos pais me tentaram, me provaram, apesar de terem visto minhas obras” (Salmo 94, 8).

Mas, a Palavra do Senhor não volta ao céu sem dar fruto, por isso é para nós, agora o que foi dito a Moisés:

Com efeito, este mandamento que hoje te prescrevo não é difícil para ti nem está fora do

teu alcance. Não está no céu, para que digas: ‘Quem poderá subir ao céu por nós para

apanhá-lo? Quem no-lo fará ouvir para que o possamos cumprir?’ 13 Não está do outro lado do mar, para que digas: ‘Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo? Quem no-lo fará ouvir para que o possamos cumprir?

Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir. Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Se obedeceres aos preceitos do Senhor teu Deus, que hoje te prescrevo, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que vais entrar para possuí-la.

Se, porém, o teu coração se desviar e não quiseres escutar, se te deixares arrastar para adorar e prestar culto a outros deuses, eu vos declaro hoje que certamente perecereis.

Não vivereis muito tempo sobre a terra onde ides entrar, depois de atravessar o rio Jordão, para ocupá-la.

Cito hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes (Deuteronômio, Cap. 30, v.11-19).

Volte para a Vida, abrace o teu Senhor, Ele quer tua amizade, mas o tesouro dessa amizade depende também de você quer ser amigo dele, se você não mudar o teu coração, você não consegue encontrar a vida: Procurai o SENHOR enquanto é possível encontrá-lo chamai por ele, agora que está perto (Isaías, Cap. 55, v. 6).

Mais informações em assuntos semelhantes pode ser encontrado neste link: https://formaresaber.com.br/saindo-da-pandemia-pelo-recluses-no-lugar-do-lockdown/

A Ciência panterrestre

Este artigo apresenta os equívocos da ciência moderna que classifica sanidade da Ciência como loucura de um homem.

Dentro de nossa caminhada pela Ciência das Linguagens percebemos que a visão humana ou relação da Semiótica com as outras Ciências se revela igual a irônica apresentação feita por Lúcia Santaella quando brincou: “Semi-ótica – ótica pela metade?” (SANTAELLA, 2012, p. 9)1, pois, é exatamente dessa forma que as Ciências da Humanidade encaram a Semiótica.

Charles Sanders Peirce – Credit:Wikipedia

O problema começa a ser sentido a partir da própria apresentação da Semiótica às academias do conhecimento humano que reagem como se deparassem com um imigrante, estrangeiro que quer compartilhar o seu universo, mas enfrenta o preconceito delas como “que cara esquisito”, e, assim, é vista como algo exótico, ou, diferente, e as vezes até incompatível como o ambiente do conhecimento humano.

Conflito 1 – Além das fronteiras da Ciência

O início do conflito parte do que se entende por academias de conhecimento humano como referência às ciências da humanidades isto é, as ciências físicas e as ciências humanas, ou metafísicas, cujo o princípio de reconhecimento se dá a partir de um pressuposto lógico pela a captura do conhecimento a partir de um raciocínio lógico.

Esse processo teve inspiração pelo cartesianismo de Descartes e consolidou-se na física clássica de Newton, de que tudo deve ser explicado positivamente, a partir dos conhecimentos capturados, ou, apreendidos, o que pedimos licença para ilustrar com o exemplo daqueles vídeos que mostram o gato que se encanta pela luz do laser é quer agarrá-la a todo o custo, pois, na ilusão de adivinhadores e dominadores do futuro, o conhecimento sendo como água, não pode ser capturado pelo domínio lógico das mãos humanas, cujo melhor exemplo desse fracasso foi a própria física clássica do absolutismo lógico de Newton sendo reescrita pela física quântica de Planck e Einstein, tornando parte dessa mesma ciência as incertezas.

Conflito2 – Confundido como pensador

Como a ciência humana limita-se ao estudo voltado apenas para o humano, isto é, aquilo que só foi capturado logicamente como conhecimento, não consegue definir algo que é panterrestre, isto é, uma ciência capaz de unificar o conhecimento dentro do universo como lógica e fora dele como experiência, como podemos observar na apresentação de Peirce pelo Livro “Os Pensadores”:

A maior parte dos historiadores de filosofia considera Charles “Santiago” Sanders Peirce como o maior e mais original pensador que já surgiu na América do Norte (D’OLIVEIRA, 1989, p. VII)2.

O grande equívoco nesta apresentação e considerar Peirce como um pensador, Ele pode ter sido original, pode ter sido grandioso, mas não pensador, porque estaria contradizendo o pragmaticismo da própria ciência que ele apresentou, pois, o processo cognitivo apresentado aos homens por Peirce, não veio do seu intelecto, mas sim, de uma interpretação, ou, tradução, de uma ciência que vai além da compreensão humana, Peirce, testemunhando a paisagem do conhecimento real, expressou-a como Arte, não de autoria própria, pois a Semiótica é fenômeno de realidade e não pensamento que engaiola o conhecimento, talvez por essa caraterística de ciência panterrestre, a mesma Obra “Os Pensadores”, relata o exílio de Peirce como “entre tormentos”.

Apesar de todas as qualidades intelectuais de Peirce, sua carreira universitária não foi bem-sucedida. Personalidade instável e complexa, o filósofo teve uma vida pessoal muito atribulada, que o prejudicou nas atividades docentes.

(…) Em 1887, depois de herdar algum dinheiro, Peirce retirou-se para Milford, Pensilvânia, onde viveu em relativo isolamento até a morte, em 19 de abril de 1914. Os habitantes de Milfor não tinham dele a melhor das impressões: era considerado um excêntrico, pouco cuidados com a aparência, solitário e desregrado nos hábitos (Ibid.).

Conflito 3 – Realidade de fenômenos confundida como filosofia

O terceiro conflito é o tratamento dado à Semiótica como Filosofia de Peirce, o que consiste um grande equívoco, porque se Peirce apenas promoveu a interpretação das interações comunicativas com o ambiente, que é chamado de fenomenologia, não se trata de um pensamento de Peirce, ou Filosofia de Peirce, ou forma de pensar, mas sim, de um registro de realidade de um fenômeno, sem a contaminação da influência humana, cuja a participação de cada um se dá pela experiência da lei chamada de secundidade a aplicar a Ética que estrutura esse fenômeno.

Conclusão

As ciências da humanidade se prende na ambição de capturar o conhecimento a fim de que o homem possa se tornar dominador, ou adivinhador dos eventos, capazes de preverem o futuro, limitando-se assim a uma relação puramente humana, ao passo que a Semiótica traduzida por Peirce ao Mundo, a exemplo da Teoria do Caos, revela uma comunicação intensa de sentidos, não só entre os conhecimentos humanos, mas, interagindo-se com tudo o que estrutura o ambiente, isto é, uma comunicação que não se limita a ligação entre os pontos do Universo mas também à Vida que está além dele.

Por fim tem de se encarar a dura realidade, de que, ao se descobrir as incontáveis belezas de uma Ciência Viva, cuja tecnologia de inovação e criação acontece, na linguagem da ciência digital, em tempo real, traz como efeito os tormentos de Peirce, se vendo sempre como um forasteiro extra-terrestre, vivendo seu exílio.

Continua na próxima semana.

1SANTAELLA, Lúcia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1989.

2D’OLIVEIRA, Armando Mora. Peirce – Vida e Obra. In Os Pensadores – Peirce – Frege. 4ª Ed. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

A corrupção social e política na democracia da lógica

Este artigo propõe uma análise do tema que se prega como democracia, quando na verdade é um Estado artificial.

Se você olhar ao teu redor vai perceber que a corrupção é uma instituição tão forte na sociedade como a instituição da democracia de uma nação.

E ela tão corrupta, tão ardil, que todo mundo a odeia, mas vivem abraçados com ela, pois, embriagados na intoxicação da hipocrisia, cada um levanta a vergonha do outro enquanto esconde a própria.

Olhar no espelho

Um exemplo disso que testemunhamos nos dias de hoje, é que a sociedade prega a igualdade dentro de um estado democrático, mas diante de um momento de chamado cívico de vacinação em massa, lá está ela, a corrupção vistosa, abraçando os espertinhos:

Uma vez…

Policiais federais constrangem servidora e tentam furar fila da vacinação

O incidente aconteceu na tarde deste sábado (27/3), no drive-thru do Terraço Shopping. Os policiais exigiam o acesso a “xepa”, que são doses remanescentes do imunizante contra a covid-19 (CORREIO BRAZILIENSE, 2021)1

Inúmeras vezes ….

MP-PR investiga mais de 600 denúncias de ‘fura-fila’ da vacina contra Covid-19 no Paraná.

Segundo a Controladoria Geral do do Paraná, quase 40% dos municípios do estado registram pelo menos um caso de pessoas que furaram a fila da vacinação. Denúncias podem ser feitas de forma anônima (RPC PONTA GROSSA – G1, 2021)2.

Ou ainda naquela hipocrisia da catimba popular de que, eu tenho o direito, mas o dever é só para os outros, porque o meu direito é o de desrespeitar as obrigações.

Uma vez …

Médico registra festa clandestina ao lado de UPA com pacientes de Covid-19 na Zona Leste de SP (ISTO É, 2021)3

Inúmeras vezes …

Polícia investiga mais de 4.600 pessoas envolvidas em festas clandestinas em SP.

Em menos de 20 dias, delegados instauraram 52 inquéritos policiais em todo o estado (Henrique, 2021)4.

E diante de todos esses escândalos, o primeiro impulso nos leva a tropeçarmos num abraço da corrupção, ao olharmos irresignados todos esses comportamentos desprezíveis, julgando que eles estão errados e nós que não fazemos isso, estamos certos.

No entanto, se, nos isentarmos da hipocrisia e intoxicação da corrupção, conseguiremos compreender que, na verdade, somos nós todos que estamos errados, somos nós todos desprezíveis nesse ambiente, e que, no dia da mentira é essa verdade que sempre ocultamos de nós mesmos.

Para buscar luzes para a resposta, vamos nos valer de nosso texto anterior COVID-19: governantes e empresários no caminho errante para a morte, quando falamos que vivemos em sociedade, mas, voltada apenas para nós mesmos, somente olhando o próprio umbigo, como se todas as leis, todas as obrigações e deveres estivessem voltados exclusivamente para a satisfação humana ou da Humanidade, e, não como colaborações para a edificação do ambiente como um todo, por isso estamos sempre olhando para dentro, como foi proposto naquele artigo:

Os erros que se testemunha no presente são perceptíveis ao observamos que os modelos da administração moderna têm como referência líderes que dão soluções, emoldurando ícones como por exemplo, Steve Jobs, Bill Gates, que, certamente na faculdade, não frequentaram aquele barzinho preferido da turma, e por isso não ouviram as lições de J. Quest quando cantava:

Viver é uma arte, é um ofício
só que precisa cuidado.
Prá perceber quer que olhar só pra dentro
é o maior desperdício.
O teu amor pode estar do seu lado (REIS e JOTA QUEST, 2004) (LUCIO FILHO, 2021)5.

Se reconhecermos isso, talvez possamos identificar o cupim que corrompe o tronco, pois, ele é quase imperceptível, mas dentro de nós, nos intoxica com uma substância com um enorme poder alucinógeno, que nos ilude com a sensação de ser, ou “sonho de ser”, um verdadeiro deus.

Neste sonho o tema é “ser dono da própria vida” e o lema é “independência financeira”, que combinado forma a ilusão de transformar qualquer um em deus, capaz de controlar tudo e a todos, como se não existisse o Universo, mas cada um fosse o centro do mundo, sob o olhar no próprio umbigo da humanidade do ter: meu time, minha família, minha cidade, meu país, valendo-se de planos estratégicos, agenda, orçamentos, avaliações, pré-ocupações, alimentando um corpo poderoso chamado lógica.

Ao garrar-se na lógica, que é a estruturação parcial da Arte, o cupim da corrupção produz a sociedade das aparências, a artificialidade que também é conhecida por hipocrisia, que há 370 anos atrás, em abril de 1651, agarrou com força como vítima em Paris, Thomas Hobbes, que nos lembrando a inocência do acidente do césio-137 em setembro de 1987 em Goiânia, o fez se encantar pela artificialidade, e denominou o poderoso alucinógeno de Leviatã, proferindo uma profecia atualíssima para os tempos presentes.

Do mesmo modo que tantas outras coisas, a natureza (a arte mediante a qual Deus fez e governa o mundo) é imitada pela arte dos homens também nisto: que lhe é possível fazer um animal artificial. Pois vendo que a vida não é mais do que um movimento dos membros, cujo início ocorre em alguma parte principal interna, por que não poderíamos dizer que todos os autômatos (máquinas que se movem a si mesmas por meio de molas, tal como um relógio) possuem uma vida artificial?

Pois o que é o coração, senão uma mola; e os nervos, senão outras tantas cordas; e as juntas, senão outras tantas rodas, imprimindo movimento ao corpo inteiro, tal como foi projetado pelo Artífice? E a arte vai mais longe ainda, imitando aquela criatura racional, a mais excelente obra da natureza, o Homem. Porque pela arte é criado aquele grande Leviatã a que se chama Estado, ou Cidade (em latim Civitas), que não é senão um homem artificial, embora de maior estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa foi projetado.

E no qual a soberania é uma alma artificial, pois dá vida e movimento ao corpo inteiro; os magistrados e outros funcionários judiciais ou executivos, juntas artificiais; a recompensa e o castigo (pêlos quais, ligados ao trono da soberania, todas as juntas e membros são levados a cumprir seu dever) são os nervos, que fazem o mesmo no corpo natural;

a riqueza e prosperidade de todos os membros individuais são a força; Salus Populi (a segurança do povo) é seu objetivo; os conselheiros, através dos quais todas as coisas que necessita saber lhe são sugeridas, são a memória; a justiça e as leis, uma razão e uma vontade artificiais; a concórdia é a saúde; a sedição é a doença; e a guerra civil é a morte. Por último, os pactos e convenções mediante os quais as partes deste Corpo Político foram criadas, reunidas e unificadas assemelham-se àquele Fiat, ao Façamos o homem proferido por Deus na Criação (MALMESBURY, 2015, p. 9)6

É atualíssima pois, diante da artificialidade de cada um individualmente, há os reflexos no Estado artificial civil e eclesiástico de Hobbes, pois, no Estado há uma lei maior do sonho de Igualdade da nação, no entanto, a artificialidade dos poderes governamentais, executivo, legislativo e judiciários são verdadeiras classes de privilégios que os tornam muito distante da realidade do cidadão comum.

Vivem em um patamar muito superior da realidade do homem comum, pois, os salários são diferenciados em milhares de reais comparados com o do cidadão comum, há privilégios para a categoria que não alcança aos demais cidadãos, como foro privilegiado, aposentadoria com vencimentos integrais, pensões aristocratas até a terceira geração, auxílios e benefícios que sequer são imitados pela iniciativa privada, muito menos para o cidadão comum, polícia do próprio do poder, julgador para o próprio poder.

O serviço se dá sob a prevalência da aplicação do direito sem qualidade de justiça, ou seja, é o Estado artificial a exemplo de 1651, formalizando o carimbo do direito sem qualquer controle em qualquer um dos poderes pela falta de eficácia da justiça sonhada pelo Art. 37 da Constituição Federal.

Todos carregam a consciência do imoral, mas como detêm o poder “o tornam legal”, e às favas a justiça social, já que a própria sociedade também é artificial ao ponto de hoje, primeiro de abril de 2021, em que é noticiada pela imprensa nacional a morte de 500 cidadãos só na fila de uma internação, ou seja, privados da dignidade e cidadania de se receber o serviço público da saúde que não é obrigação, mas dever do Estado.

Cidadãos que não são anônimos, pois constam dos cadastros estatais para a tributação de erário ao longo de suas vidas mantendo os altos salários e benefícios e luxos de cada um desses poderes.

No entanto, tal escândalo deplorável, não provoca o mínimo constrangimento de falha administrativa em algum desses poderes, e, seguindo o principio de se olhar para o próprio umbigo, não provoca qualquer complexo de culpa pelas mortes trágicas daqueles que o sustentam, se quer se lembrando dos órfãos e viúvas, e nem qualquer iniciativa dos poderes fiscalizadores, como se nada tivesse a ver com alguma autoridade governamental, pois o Estado é artificial como profetizou em sua ingenuidade, Thomas Hobbes.

Mas o tema deste trabalho não é uma crítica ao Estado, mas sim, o artificialismo da lógica que cada um carrega em si como se fosse o ar que respira pois, uma vez que em toda arquitetura lógica está a ilusão do controle e do domínio, na sensação da liberdade e independência, que parecendo ser bom, tornar-se um cupim corruptor e transforma a realidade em mera aparência ou simulação, isto é, em artificialismo.

O poder desse domínio é tão forte que parece ser impossível viver sem lógica, porque essa impossibilidade é formada pela ambição e desejo de aplicar o princípio de “controlar a vida” no entanto, como não há uma lógica para se controlar a vida, a sabedoria convida para que a realidade se construa deixando a própria vida ditar o controle, criando sentido e construindo emoções, essas são as matérias-primas que se plasmam a ética de todas as matérias ou objetividades físicas que abraçando a sanidade, harmonizam qualquer ambiente, ao invés de arquiteturas de pensamentos lógicos que são secos, rígidos e desumanizados pela falta de sentidos.

No dia da mentira, a grande mentira social, é a grande verdade, já que vivemos uma sociedade do artificial. De que adianta um sobrevida de miseráveis que ao invés de dignidade e cidadania, recebem esmolas dos poderes como moeda de trocas por favores em suplícios no lugar de prestarem serviços, não havendo espaço para os sentidos da vida de se andar de cabeça erguida, ou mesmo de se dar um sorriso? Até quando o homem escolherá a fake de dizer que é democracia, mas viver no “me engana que eu gosto”?

Fazendo uma adaptação às palavras de Jucas Chaves, o governo é um bobo vestido de deus, seguido por um monte de deuses vestidos de bobos, por isso, alegremo-nos pois, a mentira já se foi e a justiça bate à porta, eliminando para sempre o artificialismo, pois, como é a vida quem domina, e não a lógica pois suas fronteiras são curtas, a tendência é a de se edificar os sentidos que é arte a eliminar as bobeiras que é artificial como um dia já nos preveniu o Profeta Isaías ” Naquele dia o Senhor vai castigar com sua espada dura, grande e forte, Leviatã, a serpente tortuosa, serpente escorregadia. Matará o monstro que habita o oceano” (Isaías, cap. 27, v, 1).

1CORREIO BRAZILIENSE. Policiais federais constrangem servidora e tentam furar fila da vacinação. In Caderno DF Cidade, 27/03/2021. Disponivel em https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/03/4914523-policiais-federais-constrangem-servidora-e-tentam-furar-fila-da-vacinacao.html.

2RPC PONTA GROSSA – G1. MP-PR investiga mais de 600 denúncias de ‘fura-fila’ da vacina contra Covid-19 no Paraná. In G1, PARANÁ RPC, 30/03/2021. Disponivel em https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2021/03/30/mp-pr-investiga-mais-de-600-denuncias-de-fura-fila-da-vacina-contra-covid-19-no-parana.ghtml. Acesso em 01/04/2021.

3ISTO É. Médico registra festa clandestina ao lado da UPA com pacientes de COVID-19 na Zona Leste de SP. In ISTO É. Caderno Geral, da Redação, 29/03/2021. Disponível em https://istoe.com.br/medico-registra-festa-clandestina-ao-lado-de-upa-com-pacientes-de-covid-19-na-zona-leste-de-sp/. Acesso em 01/04/2021.

4HENIRQUE, Alfredo. In São Paulo Agora, Caderno Coronavírus, 31/03/2021. Disponível em https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/03/policia-investiga-mais-de-4600-pessoas-envolvidas-em-festas-clandestinas-em-sp.shtml. Acesso em 01/04/2021.

5LUCIO FILHO, Laurentino. COVID-19: governantes e empresários no caminho errante para a morte. Disponível em https://formaresaber.com.br/covid-19-governantes-e-empresarios-no-caminho-errante-para-a-morte/. Acesso em 01 abr. 2021.

6MALMESBURY, Thomas Hobbes de. O Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. São Paulo. Edipro, 2015.

Saindo da Pandemia: As distrações no trabalho

Este texto traz uma proposta de segurança e certeza para a caminhada em meio à gravidade do momento.

No dia 16 de março foi publicado a primeira parte do tema Saindo da Pandemia, e tivemos a grata alegria de receber a partilha, quando um estimado amigo reagiu, enviando-nos uma mensagem que compartilharemos parte como parte edificante de um diálogo, por isso, esclarecemos que não se trata de uma disputa de teses de quem tem o melhor argumento, pois, a produção textual que costumamos publicar não é feita a partir de pensamento ou inteligência de um homem mas, sim como um trabalho profissional de alguém que traduz idiomas.

Assim, os textos são resultados de tradução de linguagens semióticas na linha cognitiva, porque Semiótica é a Ciência das Linguagens, que não se limita à comunicação humana, mas a comunicação de tudo que há mensagem desforme (informação) e reação do destinatário (interação), sendo o tradutor não apenas de um idioma, mas de linguagens planetária e estelar.

E ao apresentarmos a mensagem de um amigo que hoje vem a abrir esse tema, a tratamos como colaboração para percebemos nossa indiferença, pois, sem querer julgar o pensamento ou forma de pensar do autor, mas, somente os efeitos daquela mensagem, para nos mostrar como a humanidade está adormecida.

Credit:senoaji1989

Assim, o diálogo se revela útil como uma interação à uma realidade presente, que na semiótica é chamada de abdução, porque como diz o ditado popular: o primeiro ouvinte é aquele que vos fala, ou seja, antes desse texto ser produzido ele foi experimentando por que o produziu.

Assim para evidenciar essa nossa dormência, ou distração no trabalho, foi desenvolvido a continuidade desse tema apresentando ausência de reação, diante de advertências importantes, como se deixássemos de dar a mínima atenção a fenômenos essenciais ao nosso bem estar, a exemplo da massiva gritaria de todos os jornais nesses dias, advertindo os irresponsáveis, homicidas, para que respeitem o isolamento e usem máscaras.

Por isso, a tradução de Linguagens pela semiótica cognitiva não se trata da ideia, entendimento de homem, mas de reação sobre uma advertência em Linguagem não humana para humana, a exemplo da Palavra proferida hoje na Liturgia Missal de 18 de março de 2021, quando o Senhor diz: “Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa salvação” (João, cap. 5, v. 34).

A fim de se traduzir essa Linguagem para os tempos de hoje, quando foi dito à Humanidade ou igreja daquele tempo: “mas falo assim….”, traz como tradução humana, como se Ele se fizesse como humano, para usar a linguagem falada em idioma de um povo como recurso de comunicação humana.

Mas, a Linguagem do Senhor não é a linguagem do homem, pois o Senhor não é somente Senhor da Humanidade, mas, do Céu, ou seja, do que está na dimensão acima das criaturas, e, Senhor da Terra, que não é somente um planeta, mas tudo o que está abaixo do Céu, na dimensão material das criaturas e coisas criadas que é o Universo, pois, Ele, afirmamos com certeza pelo testemunho de tradutores, é a Vida que há em tudo que se move ou que se transmuta sobre a dimensão do Universo, de forma que, onde há Vida lá Ele está, e onde Ele não está, não há a Vida.

O resumo do texto publicado no dia 16 de março de 2021, é o seguinte:

a) Todos nós queremos resolver nosso problema, mas o problema não será resolvido por nossas mãos porque ele é muito maior do que nossas forças, por isso. é preciso que confiemos em quem está a resolver esses nossos problemas;

b) Para termos a segurança em Quem está resolvendo o nosso problema, precisamos responder (interagir) à sua mensagem dirigida a cada um de nós, que humanamente poderíamos entender assim: você quer que eu te ajude neste problema?

c) Para isso, foi demonstrado no texto que a oração não deve ser mental, mas é o próprio trabalho que produzimos a cada dia, como uma oferta, mas, diante da ausência de “Culto de Ação de Graças” pelo isolamento, que neste tempo, tem o sentido de jejum, deve ser feita pela Igreja doméstica, ou seja, por nós em nossas próprias casas.

d) Naquele texto a Igreja também foi convidada para substituir suas abstrações e distrações virtuais, e usar as telas para que os sacerdotes, como primeiro ouvintes, ajudem na interação de cada família, ou cada casa, ensinando-a a santificar sua oferta para que seja agradável ao Senhor, através do rito do Rosário nos mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos, a ser acolhido pelo rosto Maternal de Deus, ou, Regina Caelorum.

e) Por fim, conclui que a oração puramente mental, ainda que diante do altar mais sagrado, é uma fé morta porque não contem as obras, ao passo que a oferta das primícias, é uma obra (Estética) construída pela fé (Ética) que compõe a ARTE.

Diante daquele texto foi recebido a seguinte partilha que com a devida estima ao amigo, dizemos que é resultado da Igreja adormecida:

Meu irmão, estamos ma quaresma tempo de oração, jejum e esmola. Tempo de aposta em sermos melhores do que somos, em todos os níveis. Melhor diante de Deus, diante do Irmão e da Irmã, diante de mim mesmo.

A resposta trata-se da interação no modo introspectivo, que predomina o nosso comportamento hoje, isto é, puramente mental e não de obras de realidade, em forma de um ideal de ritos puramente mitológicos quando diz “estamos na quaresma tempo de oração, jejum e esmola”, pois, falamos distantes da realidade vivida.

Oração: oração mental? Fé sem obras, pois diferente disso, o texto anterior falou de se orar com a prática da dignidade e cidadania que é o mesmo que a liturgia em que se produz as primícias a serem ofertadas.

Jejum: Diante de nossa obstinação perguntamos, quem voltou a Deus para agradecer pelos sinais através da peste? Mas ao contrário, mal dizemos a peste “aff….quando irá passar?”, não voltamos e nem estamos fazendo jejum, mas reclamando dos infortúnios.

Esmola: Diante de nosso agir, costumamos imitar o publicano, ao voltarmos nosso olhar para aquele que não teve o nosso privilégio, ou, cobrador de impostos, e, hipocritamente piedoso dá como, a um desgraçado, merecedor da esmola, os restos que nos sobram, enquanto a Igreja é chamada a dar a dignidade que Pedro deu ao mendigo na porta do Templo: ouro e prata não tenho, mas o que tenho te dou, em nome do Senhor Jesus Cristo levanta-te e anda (Atos dos Apóstolos, cap. 6, v.3).

Assim na mensagem com todo o nosso respeito, há uma reação puramente abstrata confirmando o que se foi traduzido no primeiro texto quando se iniciou falando que você está sozinho, pois Governo e Igreja segue o mesmo parâmetro de retóricas, como se constata ao analisar no texto seguinte:

Tua mensagem acena algo que estamos fazendo na CF ecumênica.
Quanto aos padres, creio ser oportuno para aqueles que tem um dom da comunicação ocuparem o espaço no desejo de evangelizar. São vários os dons.
Quanto ao suicídio falamos bastante do caso na última campanha e, na oportunidade, te convido a acompanhar o padre Lício Araújo Vale, especilsita no suicídio. Ele acaba de craiar uma página no facebook.

Isso na linguagem humana é chamada de retórica, ferramenta muito utilizada hoje quando os poderes institucionalizam a demagogia em suas prestações de contas e dizem que estão fazendo todo o possível, ou que, nunca na história desse pais se fez como eles, falam que fazem, mas os efeitos de suas palavras é somente a dissipação pelo vento, pois não existe eficácia no que proferem, por consequente não existe ações efetivas e constatação de alguma melhoria.

A mensagem evidencia-nos um profundo sono daqueles que representam Sião quando a retórica diz:

Quanto aos padres, creio ser oportuno para aqueles que tem um dom da comunicação ocuparem o espaço no desejo de evangelizar. São vários os dons.

Há de se considerar que a interação com Deus se dá de dois modos, primeiro a Palavra, que é Sião, Aarão, o Culto pelos sacerdotes, e a segunda é a Obra pela Fé, ou prática da palavra que é Jerusalém, Moisés, ou Liturgia pelo povo.

Ao se valer do meio de interação através de Aarão, a única vocação dos sacerdotes é o Culto da Palavra, como um dia fizeram os levitas, por isso, nos dias de hoje, sob o pretexto de igreja moderna, não representa o Senhor aquele que é travestido de padre galã cantor, ou padre presidente, Senador, Deputado, e, ainda, padre travestido de cowboy para entreter as misérias humanas, ou, padre travestido de curandeiro como garoto propaganda de remédio milagroso.

Pois não trazem o Culto na forma a eles Institucionalizadas, mas apenas as misérias humanas, e corrompendo o sacerdócio, se transformam em simples concorrentes dos profissionais do mesmo ofício, que não estão aptos ao Culto mas à Liturgia e, sem função de sacerdotes ou de leigo, são mornos, como são aqueles que têm um pé em cada canoa para seguir o curso do mar.

O mesmo texto de 16 de março, diante de um forte apelo para se voltar à realidade, se depara com a repetição da mesma retórica: As devoções marianas seguem em nossas TV’s e rádios.

Se voltarmos ainda para aquele texto, diferente da mensagem, a proposta é a de que a oração mental não chega a Deus, mas sim, somente a obra com fé, assim, as devoções humanas das TV’s e rádios, não agradam ao Senhor da Igreja, pois são meramente abstratas, mitológicas ou distraídas, parece uma gravação cansativa, que fica repetindo e repetindo sem qualquer sentido, não sendo agradável nem mesmo para despertar o sono.

Conclusão

O texto inicial traduziu uma promessa de segurança absoluta para aqueles que se sentem inseguros, sem amparo, sem rumo, diante do grave momento em que vivemos, sob uma proposta de conforto para confiarem na solução Natural, e não nas propostas das próprias mãos, pois se hoje os irresponsáveis não obedecem o isolamento é porque viram que a solução humana não está dando certo, pois lhe colocam em risco a subsistência.

Isso se confirma pela Liturgia Missal de 18 de março de 2021, ao compararmos o texto de 16 de março de 2021 quando se falou para não se por a esperança em Vacas de Ouro, como se a vacina, cuja a origem etimológica do nome vem de vaca, fosse a solução de nossas mãos, e que hoje nos diz:

o Senhor falou a Moisés: “Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito. Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: ‘Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!'” (Livro do Êxodo, Cap. 32, v. 7-8).

A proposta desse trabalho não deve ser entendida como se não se devêssemos obedecer os direcionamentos apresentadas hoje, com vacinas e isolamento, devemos sim, mas concomitantemente devemos também nos voltar ao Senhor a fim de que Ele nos instrua o que devemos fazer, pois a peste tornou-se uma forma de chamar a atenção de cada um, que, sem qualquer solução nas mãos, deve voltar sua segurança para Ele, e confiar que terá uma solução segura para este momento, e, que não é tempo para brincadeiras, isto é, Ele não está muito contente.

Portanto, os trabalhos que produzimos através dos títulos Saindo da Pandemia, tem por propósito despertar nos leitores apenas os pontos de linguagens que lhes parecem imperceptíveis no cotidianos, de forma que, ao lhes estimular os sentidos eles reajam por interações litúrgicas da Regina Caelorum, com aquele que é a própria Solução de Deus, pois do contrários se tornaram como as virgens imprudentes, que a exemplo do publicano, achando estar dominando a situação, acabaram ficando de fora.

Te amo meu amigo, por isso não estou te propondo um debate com minhas ideias, mas por obrigação que me foi imposta, te dando um aviso para que você desperte e se assegure na Solução de Deus.

Mais sobre esse tema: https://formaresaber.com.br/saindo-da-pandemia-pelo-recluses-no-lugar-do-lockdown/

Saindo da Pandemia pelo recluses no lugar do lockdown

Este artigo propõe uma caminhada de desenvolvimento de sentido emocional nas convulsões do dia a dia da vida.

Vivemos dias de extremas aflições, nos desviando da morte a cada instante e tentando salvar nossos filhos, porque, como na música dos Titãs, Pela Paz (1997)1, todo mundo está disposto à guerra, mas ninguém luta por você, você está sozinho.

Ao olharmos para o líderes, todos dizem, disposto à guerra, mas, não para lutar por você, isto é, para se efetivar a Justiça, mas, para manterem sua boa imagem pública, para manterem sua popularidade e, para alguns, para sucesso em reeleição das mamadeiras do Estado.

Para isso, praticam o ofício público da mera burocracia, que atenta contra a dignidade e cidadania, valendo-se do direito das aparências, cuja a injustiça do Ter Direito, faz prisioneira a verdade do Ser Direito e dizem sem qualquer constrangimento “é imoral, mas é legal”.

Por isso, vivemos um momento em que somos chamados a nos conscientizarmos de que o maior erro nosso agora, é por a esperança na mão de um desses caras, pois, ao invés de amarem a justiça, ostentam a si próprios, e preocupados apenas com a manutenção de seus luxos, não se importam e nem mexem um dedo para lutar por você, tua dignidade de ter um leito, um cuidado na saúde, é o que menos importa, a final adotam como ideal mais importante, a politicagem.

No entanto, a dignidade e a cidadania não estão sob as sujas mãos demagógicas deles, pois, são atributos sublimes que a própria natureza os guarda em seu santuário, e quando há ameaça a algum deles, ela própria se incumbe de protegê-los e não mede forças para, a seu tempo, destruir esses perversos egoístas.

Por isso, o momento presente em que testemunhamos uma peste global, ou pandemia, somos chamados a acreditar que não há “donos da verdade” a dar solução, pois não se têm a solução, não se devendo esperar que surgirá um plano mirabolante de economia e saúde, ou um plano conservador, porque tudo isso que foi feito até hoje já não se mostra mais adequado, por se sustentarem sob a indignidade do ter Direito, conservado pelas aparências, fingimentos, ou hipocrisias, e se afastarem do ser Direito.

Assim, não devemos esperar uma solução humana, não acredite em nenhuma promessa de homem, pois, o que nós todos somos chamados agora, trata-se de um fenômeno muito mais forte do que o homem, porque sua dimensão transpassa as fronteiras da capacidade de controle pela própria Humanidade.

Falar de solução por vacas (= vacina) de ouro, ou por máscaras como seu salvador, é ilusão para não se encarar o mal real que temos de enfrentar, que é a falta de coragem para olharmos para nós mesmos e ver que estamos sozinhos, e, homem nenhum lutará por nós e nossos filhos.

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O momento presente não pede uma solução por lockdown, que quer dizer confinamento, mas, apresenta uma saída pelo recluses, que quer dizer contemplação, recolhendo-se a um jejum solitário, buscando atender ao chamado da única que pode estar ao nosso alado agora, a Natureza, nos convidando para voltarmos à realidade, à verdade, pois nós não somos vacas, nem de ouro, nem de carne, mas, cultuadores da dignidade e cidadania.

Para isso, se faz necessário se aprender a interagir com a Natureza para se aprende a ouvir dela o que ela quer e espera de cada um neste momento, tornando-se cultuadores da dignidade e cidadania, sendo Direito, e que podemos chamar de tecnologias de inovação de culto e liturgia.

É uma tecnologia de inovação, porque hoje, diante das ilusões que somos expostos diariamente, quando se fala em relacionamento com a Natureza nos permanecemos a um exercício milenarmente retrógrado, puramente mental, abstrato, como uma meditação, uma filosofia, reflexão, Yoga.

A assim, essa tecnologia diante da gravidade da situação, propõe uma mudança necessária para que a parte imaterial que compõe nossos atos, que poderíamos chamar de ética, também integre a parte material, cuja estrutura é chamada de de estética, pois a composição da Ética + Estética se forma a Arte.

Assim, nesse momento em que somos desafiados a presenciarmos um fenômeno aterrorizante, fora de nossas mãos, e também, quando nenhum homem parece disposto a fazer algo por nós, logo só nos resta lançamos mãos de um pedido a Deus, como por exemplo, os pais que oram pelo filho que sofreu um traumatismo craniano em acidente de carro, ou, o filho que ora pelo pai no leito de morte, na luta para sobreviver contra uma doença.

No entanto, esse modelo que estamos acostumado, e que se pratica milenarmente em qualquer credo ou igreja, por mais bem intencionado que seja, se mostra inoportuno, pois, muitas vezes, as orações parecem ter sido em vãos, o que nos faz lembrar aquele filme “Os imortais”, de 2011, quando o ladrão, ao lado de Teseu, responde à Oráculo, que se tornou ladrão porque teria pedido um cavalo para os deuses e nada recebeu, já que os deuses não lhe deram, ele decidiu roubá-lo.

Portanto, o momento não é o de elevar uma oração puramente mental, mas sim, a necessidade de inovar para uma nova tecnologia, para se colocar, antes de qualquer oração, a nossa obra de dignidade e de cidadania, que os cultos dignos costumam chamar de “oferta de Abel” ou, “a primícia”.

Para isso ser feito, é preciso que primeiro, acolhemos a verdade, aquela que não muda por conveniências, ou seja, aquela que era, é, e será, e, em nome dela pratiquemos todos os atos ao qual somos chamados a realizar no nosso dia a dia, em dignidade e cidadania, pois, somente a partir de nossas obras, podemos nos apresentar diante de Deus, com primícias, sem estar com as mãos vazias:

Que ninguém se apresente de mãos vazias diante do Senhor: cada um traga seu dom, conforme a bênção que o Senhor seu Deus lhe tiver proporcionado (Deuteronômio, Cap. 16, v. 16-17).

Para encher as mãos, é preciso portanto, praticar nosso ofício cotidiano dentro da dignidade, ou seja, o respeito, o carinho, o zelo, o sentimento verdadeiro de estima por quem nos relacionamos, seja ele humano, animal, vegetal ou mineral, e também dentro da cidadania, que é respeitar toda a dignidade do próximo, antes que esse próximo tenha de pedir, ou, ele antes dele ter de exigir do Estado nossa correção.

Com essa oferta em mãos, diante da verdade, só você e Deus saberá se a oferta é de Abel ou de Caim, e, sendo digna de primícias, antes de você se deparar com um ato aterrorizante, o Senhor mesmo já te livrou dele, mas se não, a exemplo da parábola das virgens imprudentes, você deixou para a última hora, não conseguirá reverter a situação só porque você quer daquela forma, ainda com longas dias de orações e lágrimas.

Para aperfeiçoar essa tecnologia, há mil anos, ocorreu um fenômeno sem intervenção humana, testemunhada por São Domingos de Gusmão, em que, a Mulher, a mesma em que o Senhor lhe a apresentou como Mãe da Humanidade quando disse ao discípulo amado “eis o teu filho” (João, cap. 19, v. 25-27), se apresentou como medianeira, a colher as obras produzidas materialmente pelos homens diariamente e serem apresentadas como incenso santo a Deus.

Para instrumento de coleta instituiu uma prática imaterial, a nossa ética, a tornar as obras materiais, a estética do trabalho de nossas mãos, como incenso, chamada de Rosário, para que o homem peça à Ela, por meio de contemplação (recluses) de três mistérios: gozosos, dolorosos e gloriosos, e, assim, Ela apresente a Deus a sua oferta do dia, mediante a seguinte promessa chegada a nós nestes dias por São Domingos, destinada àqueles que, como o discípulo que o Senhor amava, a receberam em sua casa:

Eu lhe asseguro que apesar das gravidades de seus pecados “alcançareis a incorruptível coroa da glória” (1Pd 5,4). Mesmo que você esteja à beira da condenação eterna, mesmo que você já tenha um pé no inferno, mesmo que você já tenha vendido sua alma ao diabo como os feiticeiros fazem ao praticar a magia negra, e mesmo que você seja um herege obstinado, como um diabo, inevitavelmente você se converterá, conservará sua vida e Jesus salvará sua alma (MONFORT, 1997, p. 6)2.

Assim, a tecnologia inovadora trazida para os dias de hoje é composta pela iniciativa de deixarmos de nos apresentar de mãos vazias olhando para o céu a pedir ajuda de Deus, para pormos mãos à obra, e pratiquemos em todas as ações a que Deus nos chama a praticá-la, desde a mais simples como varrer uma sala, como projeto dele de liturgia, revestidas de dignidade e cidadania, e diariamente colocada, como incenso pela Medianeira, a rogar por nós, agora e na hora de nossa morte, cujo resultado dessas obras, seja como projeto Dele de Culto de vanguarda tecnológica.

E para se dar o primeiro passo, a primeira delas a vencer essa pandemia: é a reclusão interna (recluses), voltar-se para a verdade, ver onde erramos ao ferir a dignidade e cidadania e imediatamente começar as reparações, apresentando nosso incenso diário nos recluses de três mistérios.

Conclusão

Se você diante de tanta aflição, acolher a promessa feita aos homens testemunhada por São Domingos, tem a promessa, não por demagogos humanos, a de vencer os desafios presentes. Se acolhê-la, no mínimo, ficaria como está, ao passo que sozinho, sem ninguém lutar por você, você certamente não terá nenhuma chance, e só lhe restará ser pisados pelos homens.

1TITÃS, Paulo, Sérgio, Branco, Charles, Nando. Pela Paz. In Album Domingo – Acústico MTV, 1997. Disponível em https://youtu.be/ymk7Qby8Tmg. Acesso em 16 mar. 2021.

2MONFORT, São Luís Mª Grignion de. O segredo do Rosário. Belo Horizonte-MG:Divina Misericórdia, 1997.

A trinca nos Poderes constitucionais: de cidadão ruindo para a escravidão

O presente artigo denuncia o recurso usado pelos administrador da lei para bular a cidadania e substituí-lo pela vantagem pessoal.

Entres os valores constitucionais do Brasil, três dispositivos se revelam como o sonho mais belo de uma Nação, sendo eles:

a) A sociedade constituída sobre a pedra da Dignidade (Art. 1º, III da Constituição da República/88), significando isto, que a menor de todas as vidas, tem de ter (…e não… deve ter, ou….pode ter), a mesma importância que a maior de todas.

b) A sociedade é constituída sobre a pedra da Cidadania (Art. 1º, II da Constituição da República/88), significando que todos são responsáveis pelo bem estar recíprocos, de forma que cada um tem o compromisso de respeitar o direito do outro naturalmente, isto é, sem a necessidade do credor, reclamá-lo ao Estado contra o devedor, constituindo a Ordem Social.

c) Os sagrados direitos Constitucionais não podem ser corrompidos pela conveniência dos administradores da Lei (Art. 37, cabeça, da Constituição da República), significando que o Direito deve se efetivar em Justiça, não se favorecendo direito de aparências de regularidade, que distancia a cidadania da Justiça.

Se a Sociedade Brasileira está formada sobre uma estrutura tão preciosa, a fazer inveja para nações mais afortunadas, porque está se vivendo o caos, em que, ao invés da cidadania, se testemunha como se fosse lixo, como que se ninguém percebesse, pessoas a morrerem na rua por falta de um leito, ou sem recursos para comprar um pão, humilhando-se em seus suplícios com esmolas do Estado que se quer alcançam 20% da promessa constitucional da dignidade do salário mínimo (Art. 7º, IV da Constituição da República/88)? A resposta é uma dura realidade, os Poderes da República estão trincados.

Ilustração: PellissierJP

O Foco da Crise Institucional

Se o interesse público constitucional é a efetivação da cidadania, formando-se a unidade republicana, e, a cidadania é o reconhecimento espontâneo do direito do outro (Art. 37 da Constituição da República/88), logo haverá crise institucional, quando não há esse reconhecimento espontâneo do interesse público, e se não há o reconhecimento espontâneo do interesse público, é porque está havendo a prevalência do interesse particular de alguém que resiste em reconhecê-lo, represando para si, os bens construído para toda a sociedade, desequilibrando a igualdade.

Da usurpação do Direito pelos administradores

A quebra da cidadania se dá pela prevalência do interesse particular sobre o interesse público, o que se costuma chamar de ato não republicano ao substituir o resultado da expectativa da Justiça da cidadania e dignidade, por uma operação de Direito puramente burocrática, o “direito de aparências” que não tem a dignidade do “santo do pau oco” ou “para inglês vê” de nossos antepassados.

Assim, no papel ou, o que ele chama de prestação de contas, parece que o administrador está agindo certo, mas, os efeitos administrativos, que deveria resultar no princípio da eficácia administrativa (Art. 37 da Constituição da República/88) se revelam contra a dignidade e cidadania, ou, não republicanos, pois, atendem apenas núcleos segmentados, transformando o Direito em correntes duras que transformam os cidadãos em escravos tolhidos da mínima dignidade, na injustiça do “olho por olho” que culmina na desordem social.

O Direito escravizante da injustiça do “olho por olho”

A injustiça do “olho por olho” é aquela em que sem o reconhecimento espontâneo do direito do outro, o cidadão se torna escravo, sob um “direito de aparências” onde cada um chora o seu leite derramado, e no lugar da dignidade, o que recebe sempre são esmolas como favores do seu suplício, e no lugar da unidade republicana o que se tem é cada um por si, ou olho por olho, como canta Rita Lee:

Quem não chora dali, não mama daqui, diz o ditado.
Quem pode, pode, deixa os acomodados que se incomodem
(LEE e MARCUTTI, 1978)1

Se o princípio que norteia os administradores do Direito é o de cada um por si, o administrador não será capaz de reconhecer o interesse público da unidade que estrutura a cidadania (Art. 37 da Constituição da República/88), substituindo a eficácia da lei, pela burocracia do direito aparente, como forma justificadoras dos atos segmentadores, o que pode ser chamado de corrupção da lei.

Alguns exemplos da corrupção do Direito pelas Instituições que substituem a unidade cidadã, pelo “quem pode, pode” sob a conveniência do direito das aparências:

Depois da denúncia de que desembargadores teriam recebido propina de R$ 1,5 milhão do padre Robson de Oliveira para favorecer decisões em um processo que envolveu a compra de uma fazenda, a juíza Placidina Pires, responsável pelo caso no Tribunal de Justiça de Goiás, encaminhou os documentos para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) apurar o suposto favorecimento ilícito (OLIVEIRA, 2021, p. 1)2

Temos de ter cuidado porque quase sempre tiramos conclusões erradas, ao reagirmos contra o comportamento ético dos protagonistas, quando na verdade deveríamos procurar entender o que falhou na lei, no direito a causar injustiça.

Quem pode, pode.

Ao mudar o nosso olhar, vamos perceber, primeiro, que o corruptor, que tinha por ofício o compromisso da Verdade, optou pela mentira (faz de conta que sou representante da verdade) sob um direito aparente. Por segundo, os favorecimento em decisões quem julga é porque quem julga afastou-se do dever da eficiência e legalidade do Art. 37 da Constituição da República/88, na preservação no interesse comum cidadão, para, sob a corrupção do direito, emitir decisão de juízo aparente, ou com a chancela oficial pelo tribunal.

Assim somos capazes de entender que o que se falhou foi que se um dia Montesquieu pensou em freio e contrapesos, a Constituição Cidadã do Brasil, criou um gatilho de garantia no seu Art. 37 para que a unidade cidadã se desse sob o interesse público, mas os poderes meticulosamente aprenderam a burlar esse gatilho, em governos sem transparência, substituindo a aplicação geral da lei, pelo entendimento pessoal do julgador, ou, pelo governo particular, ou, pela lei sob encomenda como se confirma abaixo:

O direito burocrático no poder judiciário, aprisionando a justiça

Quatro desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro foram presos por suspeita de receber propina para favorecer organizações sociais da saúde e do transporte que foram banidas de assinar contratos públicos. De acordo com as investigações, também fariam parte da suposta quadrilha advogados e parentes dos magistrados. No total, a operação prendeu 12 pessoas. As prisões são um desdobramento da operação que afastou do cargo o governador Wilson Witzel (JR NA TV, 2021, p.1)3.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ordenou a prisão de duas desembargadoras do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), nesta segunda-feira (14), por venda de sentenças. A ordem do ministro Og Fernandes faz parte da Operação Faroeste, que investiga um esquema de venda de sentenças no tribunal baiano que teve sua quinta fase deflagrada hoje (MENDES, 2020, p.1)4.

O direito burocrático no Poder Executivo tornando o cidadão escravo no desprezo da vida

A CGU (Controladoria Geral da União) divulgou, nessa 2ª feira (1º.mar.2021), um balanço das investigações de irregularidades na aplicação de recursos federais em ações de enfrentamento à pandemia por Estados e municípios.

O órgão estima um prejuízo potencial de R$ 125,9 milhões pelo desvio de verbas. O prejuízo efetivo, já confirmado pelas apurações, é de R$ 39,1 milhões. Desde o início da pandemia, a CGU atuou em 51 operações em conjunto com a Polícia Federal e Ministérios Públicos (RODRIGUES, 2021, p.1)5

O direito burocrático no Poder Legislativo transformando o interesse público em balcão de negócios privados

Bom lobista, dizem os especialistas no assunto, é aquele que consegue articular interesses em qualquer área de influência sem nunca se expor, passando quase despercebido. Essa ideia talvez explique o gigantismo dos investimentos nesse setor, especialmente por parte das grandes empresas. Elas transformaram o mercado dolobbyem Brasília numa verdadeira feira de ofertas, com distribuição de vantagens e “brindes” que podem ir de uma caixinha de bombons até um videocassete ou um valioso quadro de arte (JORNAL DO BRASIL apud SENADO, 1987)6.

Ou ainda:

O senador Chico Rodrigues (DEM), flagrado com R$ 33 mil na cueca durante operação da Polícia Federal, retornou ao Congresso Nacional nesta quinta-feira, 18, após licença de 121 dias para, segundo justificativa, tratar assuntos pessoais. Em uma publicação nas redes sociais, o parlamentar informou que encaminhou uma carta aos colegas do Senado Federal com explicações sobre o episódio, ocorrido em outubro do ano passado. Ele descarta ter cometido irregularidades e diz que ficou em pânico, temendo que fosse uma quadrilha criminosa. “Confesso que, em um dado momento, em meio ao transtorno, fiquei mesmo em dúvida se se tratava de uma operação policial ou de ação de uma quadrilha especializada. Estava dominado pelo pânico e pelo medo ( JOVEN PAN, 2021, p.1)7.

Conclusão

Há uma trinca nos Poderes Constitucional que além das fronteiras públicas afetam também as instituições privadas pela conveniência da concentração de poderes nos administradores sob a forma de interesse corporativista ou fisiologista (pessoal), que transforma a Justiça da unidade cidadã, em prisioneira do direito aparente em segmentos, ou partidarismos.

Haveria solução?

A solução não exige instrumento novo, ou engenhosidade tecnológica, mas sim, amor pela Justiça ao ponto de se tornar inaceitável:

a) a decisão do Poder Executivo, ausente do gatilho do Art. 37 da Constituição da República/88), que torna letra morta a Tríade Orçamentária, com o cumprimento apenas aparente, substituída pelo poder concentrado do “meu governo” do administrador.

b) A decisão do Poder Judiciário, ausente do gatilho do Art. 37 da Constituição da República/88, que torna letra morta o princípio do livre convencimento do Juiz, comprometendo a eficácia da Justiça pela burocracia processual do poder concentrado do juiz que profere a sentença “no meu entendimento”.

d) A decisão do Poder Legislativo, ausente do gatilho do Art. 37 da Constituição da República, que substitui o interesse público da lei, pela concentração do poder sob a lei “pelos meus eleitores”, “pelo meus filhos” “pelo meu partido” do administrador.

Diante disso, haveria homem capaz de amar a Justiça para a efetiva cidadania? Ou seria mais conveniente a indignidade como cidadã do direito aparente? Mas, se o poder concentrado já caiu uma vez, para aqueles que creem na Justiça, há um consolo, o canto de Chico Buarque:

Hoje você é quem manda,
falou, tá falado,
não tem discussão.
A minha gente hoje anda
falando de lado,
e olhando pro chão, viu.
Você que inventou esse estado,
e inventou de inventar
Toda a escuridão.
Você que inventou o pecado
esqueceu-se de inventar
o perdão
(BUARQUE, 1970)8.

1LEE, Rita e MARCUTTI, LEE. Jardins da Babilônia. In Album Babilônia, Som Livre, 1978. Disponível em https://youtu.be/q4ijItKsLv8 . Acesso em 09 mar. 2021.

2OLIVEIRA, Rafael. Juíza envia documentos dos processos do padre Robson para o STJ apurar suposta propina a desembargadores. In Goías: G1-TV Anhanguera, 08/03/2021. Disponível em https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2021/03/08/juiza-envia-documentos-dos-processos-do-padre-robson-para-o-stj-apurar-suposta-propina-a-desembargadores.ghtml. Acessso em 09 mar. 2021.

3JR na TV. Quatro desembargadores do Rio são presos por suposta venda de sentenças no governo Witzel. In JR 24h, 02/03/2021. Disponível https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/quatro-desembargadores-do-rio-sao-presos-por-suposta-venda-de-sentencas-no-governo-witzel-02032021. Acesso em 09 mar. 2021.

4MENDES, Guilherme. STJ prende desembargadoras da BA por venda de sentenças. In Congresso em Foco, 14/12/2020). Disponível em https://congressoemfoco.uol.com.br/judiciario/stj-desembargadoras-tjba-faroeste/. Acesso em 09/03/2021.

5RODRIGUES, Fernando. CGU estima prejuízo de R$ 126 milhões em desvios de verbas da pandemia. In Poder 360 02/03/2021. Disponível em https://www.poder360.com.br/governo/cgu-estima-prejuizo-de-r-126-milhoes-em-desvios-de-verbas-da-pandemia/. Acesso em 09/03/2021.

6SENADO FEDERAL. Loby da festas e presente e desnuda o poder. In Jornal do Brasil, Política, 02/08/87. Disponível em https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/134497/Agosto%2087_%20-%200010.pdf?sequence=3. Acesso em 09/03/2021

7JOVEN PAN. Chico Rodrigues volta ao Senado e diz que confundiu ação da PF com quadrilha. In Jornal da Manhã 19/02/2021. Disponível em https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/chico-rodrigues-volta-ao-senado-e-diz-que-confundiu-acao-com-pf-com-quadrilha.html. Acesso em 09 mar. 2021.

8BUARQUE, Chico. Apesar de você. In Poligram-Phillips: Lado B, 1970). Disponível em https://youtu.be/LZJ6QGSpVSk. Acesso em 09 mar. 2021.

Dia internacional da Mulher

Homenagem à Mulher

No dia de consciência pelo valor da Mulher, somos convidados a compreender que o Mundo não deve acreditar que a Mulher deva ter direitos, porque ainda que ela tivesse todos os direitos, o que testemunhamos como nos já existentes, não são suficientes para a efetivação da Justiça.

Assim, neste dia, esperamos que o Mundo desperte para a grandeza, a honra, a beleza, a suavidade, a certeza, a força, a lealdade, o valor maior, embebendo-se em ternura, capaz de gerar no íntimo de um coração anestesiado por tantas indiferenças, a iniciativa real capaz de garantir a Dignidade do ser Mulher, como meio de se alcançar o seu reconhecimento em grau de Justiça.

Ilustração: Darksou1-pixabay

COVID-19: governantes e empresários no caminho errante para a morte

O presente artigo traz uma crítica à iniciativa de se dar soluções para o problema sobre o Covid-19, propondo a substituição da solução do problema para saída do problema.

Estamos vivendo um momento dramático de extrema gravidade, em que todos estão exposto ao risco de morte imediata, e, já não se sabe, se hoje, estaremos em casa, ou, morrendo asfixiado na fila de um leito de morte, pois, se nas ultimas décadas perdemos a dignidade de cidadão com as soluções de líderes inspiradas na conveniência de lucros, agora o que testemunhamos é que a indignidade está se tornando a cidadã das hipocrisias sociais, onde o grito de socorro daquele que agoniza, não se escuta, e, tornam as democracias mera utopia ou, mesmo, a exemplo do efeito Covid-19, “letra morta”.

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Os erros que se testemunha no presente são perceptíveis ao observamos que os modelos da administração moderna têm como referência líderes que dão soluções, emoldurando ícones como por exemplo, Steve Jobs, Bill Gates, que, certamente na faculdade, não frequentaram aquele barzinho preferido da turma, e por isso não ouviram as lições de J. Quest quando cantava:

Viver é uma arte, é um ofício
só que precisa cuidado.
Prá perceber quer que olhar só pra dentro
é o maior desperdício.
O teu amor pode estar do seu lado (REIS e JOTA QUEST, 2004)1.

Assim, nos seus modelos de gestão, prometem, sob ilusões de engenhosidades, vender todos os tipos de soluções, no entanto, arquitetadas no desperdício de olhar só para dentro de si, por isso, acabam por escravizar as pessoas para sempre depender de soluções, ao passo que o cuidado no ofício da arte, não é para se dar soluções, mas para se criar saídas, pois, o amor que está ao nosso lado, sob o desperdício de não o vermos, é a nossa própria vida.

Portanto dar soluções, é o modelo aplicado pelos atuais líderes, que norteia a Humanidade como solução para a pandemia atual, o Covid-19, e, pela sua ineficiência, está levando, a saúde, os empresários e os colaboradores para a ausência de recursos de sobrevivência, ou seja, todos caminham para a asfixia, porque o momento não é para se dar soluções mirabolantes, mas sim, para se encontrar saídas.

Abrindo as fronteiras do olhar para fora de si mesmo

Ao conseguir abrir os olhos para fora de si mesmo, o primeiro norte a apontar saídas, vem da possibilidade de se perceber que o princípio aplicado na fabricação de vacinas de combate ao Covid-19, isto é, da indução do organismo para produção de anticorpos visando a estabilidade da saúde e cura pode ser uma saída.

Assim, se é saída, é porque esse princípio, deve ser aplicado não somente para a peste, pois, se abrirmos o olhar veremos que a realidade nos apresenta inúmeros sistemas que estão buscando anticorpos para a estabilidade do ambiente, ou seja se constata a instabilidade do Planeta, reflexo do comprometimento da saúde do Mundo, que está lutando, e, com violência, para curar as suas chagas, como nos ajuda a compreender isso, a Teoria de Gaia:

A teoria de Gaia é uma hipótese da Ecologia que estabelece que a Terra é um imenso organismo vivo. Elaborada pelo cientista inglês James Lovelock, em 1979, ensina-nos que nosso planeta é capaz de obter energia para seu funcionamento, enquanto regula seu clima e temperatura, elimina seus detritos e combate suas próprias doenças, ou seja, assim como os demais seres vivos, um organismo capaz de se autorregular (FIRMO e FINAMORE, 2020, p. 1)2.

Esse processo de autorregulação ou auto recomposição do organismo é chamado de autopoieses (MATURANA e VARELA, 2001)3, e nós, como que dentro do olho do furação, estamos sob forte violência, o que nos leva à primeira constatação da nossa condição real: não estamos no controle, portanto, não somos capazes de dar soluções para vencer algo maior do que o maior dos furacões, restando-nos como meio de cura somente encontrar saídas.

Se demos um primeiro passo para a saída, com o reconhecimento de não sermos capazes de dar soluções, ao tentar darmos o segundo passo para se encontrar saídas, ao lado do princípio da criação de vacinas, há o isolamento, mas que não deve ser visto como uma desgraça, e sim, como uma dieta médica, ou, jejum, isto é, o tempo de convalescência, ou, privações e remodelações de vida, que, também foi cantado no barzinho da faculdade dos tempos de Gates e Jobs em bad moon rising :

Não saia essa noite.
Bem, ele é obrigado a tira a sua vida.
Há uma lua ruim em ascensão.
Eu ouço furacões soprando,
eu sei que o fim está chegando em breve
Eu temo que os rios fluam
eu ouço a voz da raiva e da ruína (FOGERTY e CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL, 1969)4
[tradução nossa].

Para muitos acostumados a estarem sob o controle das suas coisas, a ideia do isolamento parece suicídio, pois, como se lucrar ao se deixar de vender ou comprar, aparentemente não se resistiria empregadores e empregados. A resposta para esse momento pode receber algumas luzes do texto produzido em 09/12/2016, isto é, há 3 anos, quando já se falou da experiência do homem abrir mão do controle, no enfrentamento da pandemia da asfixia:

Como no contágio por um vírus ou uma bactéria, a partir daí, adquirimos uma doença, cujo hospedeiro é a avidez, e o sintoma é a alucinação, pois ao amarmos o dinheiro, ele sempre nos parecerá insuficiente, e o queremos sempre mais (Cf. Ecl 5,9), cobiçando cada vez mais, sem o limite do que nos é necessário ou, do que nos pertence, sob o efeito alucinógeno de se ter o domínio com ele, ao passo que, a contrário sensu, a ele submetemos toda a nossa livre iniciativa, que passa a ser dominada por ele e, com isso, sujeitamos nossas vontades a ele, nos ajoelhamos, suplicamos, nos arrastamos, nos matamos, assassinamos, casamos, amigamos, traímos, amamos, adorando uma imagem ilusória da segurança, do poder do cara e coroa.

Essa doença tomou uma proporção global como uma pandemia, pois, pelo amor ao dinheiro, o mundo sofre alucinações gigantescas como o fim dos mercados comuns, fim do emprego no mundo, riscos de queda dos ricos e poderosos, que, beirando a uma convulsão, dentro de um escuro leito, atônito, moribundo, não se vê esperança, porque não se guarda mais a fé, agonizante sob o efeito da ilusão de uma pobreza extrema pela perda da energia da sua vida, o dinheiro, se aflige em múltiplos tormentos (Cf. 1Tm 6,10) (LUCIO FILHO, 2016)5

Essa experiência do nosso terror de sermos convidado a andar sob um abismo, sem segurar com nossas mãos, também foi cantada no barzinho da faculdade, na canção Só o fim:

Se o chão abriu sob os seus pés
e a segurança, ela sumiu da faixa.
Se as peças estão todas soltas,
e nada mais encaixa.
Oh, crianças isso é só o fim.
Isso é só o fim,
Isso é só o fim (HUMMEL, MULLEM, NOVA e CAMISA DE VÊNUS, 1986).6

Se conseguimos abrir: a) as portas do olhar para fora de nós mesmos e, b) se nos vemos sem os controle da situação; é como se tivéssemos adquiridos duas pernas, a nos tornar capazes de caminhar para a saída, ou seja, iniciando o ofício da Arte da Vida que canta o Jota Quest, para se perceber a fonte da segurança a nos amparar.

Para se perceber isso, é preciso nos voltarmos para o processo de autopoieses do sistema todo, isto é, o Planeta, que como se estivesse em uma convulsão, busca a cura através da autorecomposição, e nós estando dentro dele, precisaremos criar uma identidade capaz de revelar se ocupamos o perfil dos anticorpos, ou, dos invasores pois, neste segundo caso, seremos eliminados como algo inútil, maléfico, ou desprezível ao organismo, através de uma hemorragia, um vômito, ou, um conteúdo purulento.

E para criar essa identidade precisamos voltar ao nosso índice vital, os seja, nas informações que estão impressa no DNA do organismo, capazes de nos dar sinais perceptíveis de reação, como por exemplo na biologia, quando nos deparamos com o sintomas da febre alta, ou, nos princípios de uma acidente vascular cerebral (AVC) pela pressão alta.

No caso da humanidade que é constituída de consciência, os sinais se dão pela lições de seus ancestrais, como uma cultura, por isso, pedimos licença para chamar a reunião dessa cultura de Acervo Cultural da Humanidade, que, a exemplo do artigo “previna-se da pandemia da fome” (cit. nota 5), como um sinal para esse momento, também, há inúmeros outros como o mais recente, o fabuloso sinal do ParHelio da China apresentado sob o Cântico: da Luz do Mundo És Aurora” (LUCIO FILHO, 2020)7.

Se esses sinais se dão na forma de cultura dos ancestrais, já se é capaz, com o passo da primeira perna, de se olhar para fora de si, para assim, superar a incerteza desse momento, se ensaiando a segurança pelo passo da segunda perna, na renúncia da autossuficiência se reconhecendo impotente, fora do controle.

Esse processo vai criar uma incrível ferramenta da Arte de viver, através do ofício da prudência pois, para que se produza seus efeitos do Acervo Cultural da Humanidade essa mesma prudência se efetiva pelo ofício do respeito ao conselho, como um testamento deixado por nossos ancestrais, ou seja, como no Direito moderno na sucessão testamentária, o conselho é uma disposição de última vontade, por isso, não pode ser quebrada, assim, diante do conselho, pela ofício da prudência se acolhe suas orientações.

Conclusão

Há uma certeza, o Planeta entrou em processo de convalescência, para isso, conta com todas as proteínas, vitaminas, e organismos energéticos de onde ele vai tirar forças para se recuperar e eliminar os invasores, não é apenas no universo de humanidade, mas sim, de todas as criaturas, por isso, repetimos, isto não é uma hipótese, é uma certeza.

Diante disso, não há uma solução humana, para resolver um problema atrás do outro, está fora de suas mãos, assim, o que resta são as saídas para o equilíbrio do ambiente como solução global de tudo, efetivadas a partir do acolhimento dos sinais dado para a conscientização humana.

O primeiro sinal dado nesse processo para a humanidade é para a conscientização que ela está na rota da destruição, contudo, o Planeta, como um organismo em “dieta médica”, não rejeita um bom aliado, como que escolhendo adequadamente os alimentos para fortalecer sua imunidade, abre uma porta, a partir da sabedoria ancestral para que especificamente em uma parte do seu organismo, se opere a cura, chamada de Aliança (LUCIO FILHO, 2019)8.

Portanto, esperamos que o objeto desse artigo não seja entendido como algo da inteligência de uma homem querendo se autopromover, ou, convencer alguém de alguma ideia pessoal sua, mas sim, por ofício da arte, a transcrição de um aviso médico, como o termômetro para a febre, acompanhados de sinais verdadeiros que podem ser testemunhados por qualquer pessoa.

Assim, se isso parece assustador é porque, pela prudência, espera-se o despertar de uma consciência que está morta e insensível para os acontecimentos, para que as pessoas não se comportem como os líderes “donos de soluções convenientes”, dizendo ser tudo normal a massiva mortandade de pessoas, e que tudo vai ficar bem com o seu salvador chamado de mercado econômico, porque, na ilusão de que tudo é normal, acostumando-se com o mal, não suportarão o que terá pela frente, e com isso , serão eliminados como células mortas.

Se há medo, a segurança completa estará na prudência, prestando atenção aos sinais, que como conselhos testamentados, estão sendo apresentado a todos, para que se abra a visão, e, se reconheça a saída do problema, ao invés da ilusória solução de um problema como salvação, pois essa saída, já se cantou no clube da esquina Milton Nascimento:

Eu já estou com o pé nessa estrada,
qualquer dia a gente se vê.
Sei que nada será como antes, amanhã.
que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração,
amanhã ou depois de amanhã.
Resistindo na boca da noite um gosto de sol.
Num domingo qualquer, qualquer hora.
Ventania em qualquer direção.
Sei que nada será como antes amanhã.

Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração,
amanhã ou depois de amanhã.
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
(BASTOS e NASCIMENTO, 1972)9.

1REIS, Nando e JOTA QUEST. Do seu lado. Sony, 2004. Disponível em https://youtu.be/h8y-45T_Hak . Acesso em 06 mar. 2021.

2FIRMO, Heloísa, FINAMORE, Renan. O novo coronavirus e a hipótese de gaia. In Conexão UFRJ 02/04/2020. Disponível em https://conexao.ufrj.br/2020/04/02/o-novo-coronavirus-e-a-hipotese-de-gaia/ . Acesso em 06 mar 2021.

3MATURANA, Humberto R. e VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas para a compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001.

4FOGERTY, John e CREEDENCE Clearwater Revival,Bad moon rising. In Album Green River, 1969. Disponível em https://youtu.be/pbwBKB7UQYI?list=RDpbwBKB7UQYI . Acesso em 06 mar. 2021.

5LUCIO FILHO, Laurentino. Previna-se da pandemia da fome. Disponível em http://liturgiadigital.blogspot.com/2016/12/previna-se-da-pandemia-da-fome.html .Aceso em 06 mar. 2021.

6HUMMEL, Karl, MULLEM, Gustavo, NOVA, Marcelo e CAMISA DE VÊNUS. Só o fim. In Album Correndo o Risco, RGE, 1986. Disponível em https://youtu.be/Vd3AmJ4MMlw . Acesso em 06 mar. 2021.

7LUCIO FILHO, Laurentino. Retiro da Quaresma: da Luz do Mundo És Aurora. Disponível em https://formaresaber.com.br/retiro-da-quaresma-cantico/. Acesso em 06 mar. 2021.

8LUCIO FILHO, Laurentino. A comunicação inteligente entre a Terra e a Constelação de Auriga. Disponível em https://formaresaber.com.br/a-comunicacao-humana-entre-a-terra-e-a-constelacao-de-auriga/ . Acesso em 05 mar. 2021.

9BASTOS, Reinaldo e NASCIMENTO, Milton. Nada será como antes. In Clube da Esquina, 1972, EMI. Disponível em https://youtu.be/v6ZUwtAty8k . Acesso em 06 mar. 2021.

Retiro da Quaresma: complexo de perfeição não faz a diferença no colaborador

O presente artigo convida o Leitor a aliviar o fardo de seus ombros sobrecarregado pela ilusão do perfeccionismo.

Iniciando a primeira semana de março, seguindo a rota do Sol, somos chamados à uma parada para nos encontrarmos como um vilão de nossa vida, o complexo da perfeição. É vilão, pois muito já morreram por se verem incapazes de serem perfeitos, e com isso, totalmente desfacelados em si, acreditaram que não deveriam ter nascido, como fez Judas Iscariotes, que preso à perfeição farisaica pela lei, em seu complexo de perfeição, diante de seu erro de traição, se sentiu imperdoável ao pensar que nada mais poderia restaurar uma vida perfeita nele, ou seja, carregaria uma marcha eterna em seu currículo, não perdoando a si mesmo.

Portanto, o vilão do perfeccionismo é o agir tendo por meta a perfeição apenas pelo cumprimento perfeito da lei. É, vilão porque nos ilude e nos enche de força para lutar até o ponto que nos damos conta de que a lei realiza o direito, mas o direito nem sempre é justiça.

Vemos hoje algo semelhante nos programas de compliance aplicados nas grandes coorporações e no sistema financeiro, ao proporem para que aquelas instituições cumpram rigorosamente a lei, mas, a lei que eles cumprem produz um direito totalmente preocupado em atender investidores, isto é, os mais favorecidos, do que realizar justiça, isto é, atender a todos, incluindo também a dignidade dos simples mortais, portanto se faz direito sem se fazer justiça que é o bem comum de todos.

Direito sem Justiça
Foto: O Globo

Assim, se temos o complexo de perfeccionismo, e nos vimos impotente para vencê-lo, muitas vezes nos enchemos da mesma dor que teve Judas Iscariotes, e muitos não a suportam, ao ponto de tirar a própria vida.

É uma dor terrível, pois, ao se voltarem para a lei humana vendo que não é possível alcançar justiça, a perfeição se revela para eles impossível, o que torna mais doloroso ainda, se voltar para as milhares de páginas da Bíblia, parecendo ser mais um estatuto rigoroso de direito e ética, a olhar para eles com um olhar mais severo ainda, nos fazendo perder todas as forças que existe em nós ao extrair da alma, toda a essência da dignidade de justiça que há em nós.

Podemos tirar como exemplo disso, a mensagem da 1ª Leitura do 2º Dom da Quaresma 28/02/2021, quando ouvimos sobre Abrahão sendo chamado para sacrificar o seu único filho, que aos olhos do perfeccionista parece que Deus quis apenas aplicar um vestibular para aprovar Abrahão com um diploma para o Céu.

Mas o que podemos compreender nesta ação de Deus, foi possibilitar a Abrahão remir-se da culpa que ele carregava em si, ao acreditar que Isaac fosse seu único filho, diante de seu ato perverso de entregar à morte o seu primogênito, Ismael, e também a mãe dele, Agar, que quer dizer escrava.

Naqueles dias, Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: “Abraão!” E ele respondeu: “Aqui estou”.2E Deus disse: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar”.

Abrahão não sabendo que Deus havia salvado Ismael, cheio da culpa de seu direito e sua ética não ter feito justiça com seu filho Ismael, não se rebelou contra Deus ao lhe pedir o sacrifício de Isaac, fato esse, que também se repetiu com Davi, que na sua dor de reparação, viu como justiça Deus ter tirado o filho que teve com a mulher de Urias.

O que há de comum entre esses dois fatos, é a plena consciência de que é impossível a perfeição, como justiça, pela lei, pela ética, ou pelo compliance, por isso, pelo exemplo de Abrahão e de Davi, é possível ver que o Senhor, limpa a sujeira que fazemos quando nos iludimos com a ideia de pela autossuficiência sermos perfeito, ou, ser “o cara” (the one), ou, “fazer a diferença”.

E, ao cairmos em si, diante da nossa dor ao reconhecermos dependentes de todos, nos fazendo iguais a Cristo, que sendo Deus, dependeu de José de Arimatéa para ser tirado da cruz, banhado, e o levar para a sepultura, Deus abre-se, para receber de nós a dor da reparação, também chamado, coração contrito, do pobre, mediante a fé que é chamada de justificação.

Por isso podemos dizer que Abrahão, Davi, não conseguindo ser perfeitos pela lei, foram justificado pela fé, e, agora, somos chamados à reparação como medida de justiça, a fim de que pela fé, possamos completar a justiça, que por nós mesmos é impossível de ser realizada, como se confirma nos ensinamentos de São Paulo:

Agora, porém, independentemente da Lei, manifestou-se a justiça de Deus, testemunhada pela Lei e pelos Profetas. É a justiça de Deus que se realiza através da fé em Jesus Cristo, para todos aqueles que acreditam. E não há distinção: todos pecaram e estão privados da glória de Deus, mas se tornam justos gratuitamente pela sua graça, mediante a libertação realizada por meio de Jesus Cristo. Deus o destinou a ser vítima que, mediante seu próprio sangue, nos consegue o perdão, contanto que nós acreditemos. Assim Deus manifestou sua justiça, pois antes deixava pecar sem intervir: eram os tempos da paciência de Deus. Mas, no tempo presente, ele manifesta a sua justiça para ser justo e para tornar justo quem tem fé em Jesus.

Só a fé nos torna justos — Então, onde está o motivo de se gloriar? Foi eliminado. Por qual lei? Pela lei das obras? Não, pela lei da fé. Pois, esta é a nossa tese: o homem se torna justo através da fé, independentemente da observância da Lei. Então, será que Deus é Deus somente dos judeus? Não será também Deus dos pagãos? Sim, ele é Deus também dos pagãos. De fato, há um só Deus que justifica, pela fé, tanto os circuncidados como os não circuncidados. Então, pela fé anulamos a Lei? De forma nenhuma! Pelo contrário, nós a confirmamos (Romanos cap, 3, v. 21-27).

Pela justificação de Abrahão, o mal de seu pecado Deus transformou em bem, gerando em Isaac; a herança da Lei, de Sião, de Aarão. E, de Ismael; a herança da Liturgia, de Jerusalém, de Moisés.