Denunciando a corrupção:

O tema Denunciando a corrupção, é parte do conteúdo sobre a obra “O Novo Mundo: a história interagindo com o sonho da Humanidade”, que está neste link https://formaresaber.com.br/#roma/, e no vídeo abaixo:

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A agonia da Cátedra: A reversão tecnológica do Sistema Educacional Brasileiro

Resumo: o presente artigo vem abordar a conjuntura do Sistema Educacional Brasiliero agravado pelo efeito da pandemia do Covid-19, cuja alteração nos processos formativos aparenta grave comprometimento ao desenvolvimento de pessoas, seguindo linha reversa às tecnologias.

O Sistema Educacional Brasileiro sempre sofreu comprometimento em suas estruturas básicas que norteiam os processos de formação, seja quanto ao desenvolvimento de tecnolgias, seja quanto aos processos de ensino, que, em 2020, praticamente entrou em coma, ao se ver impedido de aplicar as metodologias presenciais, tendo de se socorrer de artefatos digitais de informação como ferramentas de formação, com isso, comprometendo severamente a performance de conhecimento.

Há dois elementos históricos que comprometem a saúde da Educação Brasileira, sendo o primeiro a hiperespercialização (MORIN, 2013)[1], em que as cátedras de todos os níveis educacionais, desenvolvem o processo de ensino voltado esclusivamente para a teorização, que Massumi (2009)[2], acompanhando Morin, chamou de disciplinarização dos anos cinquenta do século passado, isto é, com um atraso tecnológico de pelo menos 70 anos, e as que se aventuram a uma educação prática, limitam-se à formação de interações práticas em “cases”.

Ao aplicar esse processo, se cria com isso nos discentes, a cultura de que todo o seu esforço, ou projeto de estudos, servirá apenas para se construir um boletim escolar, assemelhando-se a um registro de uma escritura de imóvel desocupado no cartório de registros de imóveis, em que o proprietário detém o imóvel mas não o usa, ou seja, tudo o que foi construído pelo discente se limitará a um papel, o diploma, cuja prática não é para a vida real, mas só será efetiva dentro das fronteiras acadêmicas, cujo resultado se sente quanto se procura um bom médico, um bom juiz, bom engenheiro e não se encontra, pois, a sociedade se tornou deserta de homens como já disse uma vez, o saudoso Senador Jefferson Perez.

O segundo elemento histórico a comprometer o sistema educacional é o profundo complexo de inferioridade que ele carrega em si, chamado de viralatismo, ou, complexo do vira-lata (RODRIGUES apud RODRIGUES et. al, 2017)[3], que o leva por exemplo a acreditar que a riqueza da cidadania e dignidade protegida pela Constituição Brasileira de 1988, é apenas uma teoria, pois, para ele, bom mesmo e morar no estrangeiro, criando a ideia de que o brasileiro não faz nada que preste.

O impacto desse viralatismo acaba por afetar profundamente o desenvolvimento de pesquisas, pois, quem tem recursos, acredita que só encontrará conhecimento no exterior, e, aqueles que não têm recursos e encaram um sério programa de pesquisa independente, precisam bancar toda a pesquisa com recursos próprios, fator que levará o pesquisador a um resultado muito profundo, contudo sem qualquer credibilidade, e todo o seu esforço não propaga, pois, ninguém acredita na própria capacidade como já testamentado na velha sabedoria bíblilica de que “nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra” (Lc 4,24).

Esses fenômenos são fortemente evidenciados na atualidade quando se depara com as notícias de plágios em trabalhos científicos sobre personalidades notórias como o jurista Sérgio Moro e o economista Carlos Dacotelli, revelando que os trabalhos que deveriam representar os resultados de uma pesquisa, não passou de um texto sem sentido para se atender ao currículo escolar, e a teorização hiperespecializada, não fará diferença se feito por esforço próprio ou por plágio, pois ficará encalhado em capas duras nas bilbiotecas acadêmicas, sem qualquer efeito prático, portanto, sem qualquer acréscimo tecnológico a retornar para a comunidade.

Se a atual Cátedra brasileira se revela ainda presente nos estágios dos anos de 1950, o fenômeno pandêmico do Covid-19, parece que veio dar o tiro de misericórdia ao impedir o desenvolvimento de aulas presenciais, provocando verdadeiras convulsões digitais diante de um sistema com atraso septuagenário, em que as instituições de ensino, sem se darem conta da realidade presente, se vêem obrigadas a lançarem mãos de qualquer ferramenta informativa que possa comprovar o cumprimento do currículo teórico, como fábrica de diplomas, sem qualquer preocupação com o avanço tecnológico, ou desenvolvimento efetivo dos discentes.

A justificativa das Cátedras, para os processos de ensino que substituem a formação tecnológica por técnicas informativas, foi o ineditismo temporal, valendo-se de qualquer aplicativo em rede web, capaz de organizar grupos renomeados para salas ou classes, organizar a publicação de textos e receber questionários, anulando os benefícios da tecnologia digital, ao se usar recursos de vanguarda com métodos septuagenários.

A gravidade dessa agonia acaba por estrangular os mínimos recursos capazes de manter o desenvolvimento humano, pois as Instituições valendo-se das informações tendenciais do mercado financeiro, sem aplicar a própria formação que oferecem da imprescindibilidade do capital humano, presas ao sistema arcaico, buscam o socorro financeiro através da demissão de docentes, acreditando que as aulas informativas transmitidas remotamente tornaram seus processos mais baratos, reduzindo seus custos pela diminuição de pessoal.

Sem a formação, mas apenas com informação desarticulada, esquecem que estão sacrificando toda a cultura organizacional, implodindo a ponte da marcha desenvolvimental que gera evolução acadêmica para, em seu lugar, limitar-se a uma abstração de estúdio de produção de mídias.

As mídias informam, mas não formam, pois se assim fossem, os jornais ou, a televisão por exemplo, seriam os verdadeiros professores, e ainda se estaria vivendo a Sociedade da Informação.

E isto acontece porque elas oferecem apenas canais monocráticos de informação, isto é são unidirecionais, sem se alimentar das interações sociais da sala de aula oferecidas em ambiente coletivo necessárias à produção de índices emocionais que só se formam na dimensão espaço/tempo (UHS et. al, 2014)[4].

As emoções são matéria-primas para a construção do conhecimento, ou formação, desenvolvendo assim as tecnologias, ao passo que as mídias estarão limitada à instrospecção, ou, virtualidade abstrata, presas dentro de uma experiência de dimensão apenas temporal, ou online, predominando-se apenas na aprendizagem de técnicas que não se equivalem a habilidades.

As cátedras em verdadeiro descompasso, mais preocupadas na produção de diplomas, ao eliminarem sua cultura docente, acreditam estarem valendo-se do custo-benefício, ou unindo-se o útil ao agradável para reaquilibrarem seus caixas, ao apelarem para a facilidade da titularização sem tecnologias, esperando com isso, atrair maior demanda de mercado, sem perceber que caminham para um futuro em que todos serão vítimas da própria ignorância, pois é inútil valer-se de recursos modernos sob uma cultura com atraso septuagenário, constrangendo a formação para um processo que aparenta ser mais barato, mas na verdade, é minseravelmente pobre de desenvolvimento de pessoas e tecnologias.

Referências

[1] MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma reformar o pensamento. 20ª. Ed., Rio de Janerio: Bertrand-Brasil, 2012.

[2] MASSUMI, Brian.Technical mentality” revisited: brian massumi on gilbert simondon with Arne de Boever, Alex Murray and jon roffe. In Parrhesia number 7 • 2009 • 36–45. Disponível em https://www.parrhesiajournal.org/parrhesia07/parrhesia07_massumi.pdf. Acesso em 30 jun. 2020.

RODRIGUES, Ana, DARC, Larissa, FURTADO, Sarah e LERAY, Wallace. Complexo de vira-lata: A falta de fé do brasileiro em si mesmo. In Revista Origens, 2017, ano 3, nº 5, 2017, p. 34-37. Disponível em http://www.riobrancofac.edu.br/site/doc/revista-origens/Revista_Origens_no5.pdf. Acesso em 30 jun. 2020.

[3] UHLS, Yalda T, MICHIKYAN, Minas, MORRIS, Jordan, GARCIA, Debra, SMALL,Gary W., ZGOUROU, Eleni, GREENFIELD, Patrici M. Five days at outdoor education camp without screens improves preteenskills with nonverbal emotion cues. In. Computers in Human Behavior 39 (2014) 387–392. Disponível em http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0747563214003227. Acesso em 17 mar. 2015.