Denunciando a corrupção:

O tema Denunciando a corrupção, é parte do conteúdo sobre a obra “O Novo Mundo: a história interagindo com o sonho da Humanidade”, que está neste link https://formaresaber.com.br/#roma/, e no vídeo abaixo:

Ao acessar o conteúdo pelo link acima, é possível cruzar leituras relacionadas.

Sem sentidos, desprezamos a cura da doença

Este artigo vem apresentar uma proposta de mudança de vida diante dos tempos de destruição e morte que vivemos no presente.

Nos tempos presentes, e aqui nos referimos à sexta-feira, 09 de abril de 2021, a exemplo de quando houve a Ressurreição de Jesus em que os discípulos em diversas narrativas bíblicas não o reconheceram, uma delas a dos irmãos que seguiam para Emaús, a Igreja também não o reconheceu diante de sua mensagem de Boa Nova dada pela Liturgia da sexta-feira, oitava da Páscoa, após a celebração de sua Paixão e Morte.

Igual aquele tempo, vivemos tempos de tristeza, de luto, de dor, em que o número de pessoas mortas só pela peste que, aproximando-se de 400.000 vítimas, supera a população de cidades populosas, como Blumenau -SP, Canoas – RS, Carapicuíba – SP, se aproximando de Campina Grande – PB, muitas dessas vítimas, sem a dignidade de um leito, isto é, mortas na fila para entrar nos hospitais.

E diante dessa dor, sentimos a mesma impotência, a falta de forças, o desnorteio, sem saber o que fazer, e, tentamos manter tudo dentro da normalidade continuando nossos trabalhos, repetindo o que fez o Apóstolo Pedro, quando, desiludido, perdido, sem rumo, cheio de dores, parecendo-lhe faltar esperanças para um mundo que o esmagava, disse “Eu vou pescar” (João Cap. 21, v. 3).

Falta de sentidos

E como naqueles tempos, saímos para pescar, mas tudo nos parece sem sentido, tudo nos parece decepção, já não vemos a alegria de nossas festas, já não sentimos prazer em celebrarmos nossas tradições, tudo parece diferente agora, tudo parece sem o vigor de outrora, e como os Discípulos daquele tempo, agora, passamos a noite toda e não pescamos nada (Jo, 21,3), isto é, parece que diante de tanta dor, indiferença, corrupção, nada muda e nada vai mudar, estamos condenados á um lugar de dores, frustrações e decepções.

Com o coração pesados, não reconhecemos a Vida se renovando, não reconhecemos o Senhor nos dando uma Boa Nova para a cura de nossa dor, para a cura da peste, para o renascimento em uma Vida nova, na Liturgia do dia 09 de Abril de 2021, Ele disse nas missas daquele dia “Lançai a rede à direita da barca, e achareis” (Jo 21,6), mas, a Igreja está dormente, a exemplo dos discípulos, não reconheceu o seu Senhor, e essas palavras voaram ao vento, sequer são lembradas pela teologia do Deus morto.

Com um coração sem carne, com os ossos secos, as Palavras do Senhor parecem não ter vida para nós quando diz dentro de uma liturgia, isto é, prática de vida, serviço :“Lançai a rede à direita da barca, e achareis” (Jo 21, 6), parecendo apenas um adorno do texto, assim como depois em “ Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes” (Jo,21,11).

No entanto a Palavra do Senhor não é inútil, não foi Proclamada apenas para desaparecer ao vento como desapareceu de nossos corações a Proclamação da sexta-feira dia 09 de abril de 2021, pois, não é apenas adorno, é Palavra Viva, e na Ressurreição do Senhor, é como a chuva que rega o campo a germinar, a trazer a Vida na Boa Nova da cura de nossos males, fazendo novas todas as coisas:

E como a chuva e a neve que caem do céu para lá não voltam sem antes molhar a terra e fazê-la germinar e brotar, a fim de produzir semente para quem planta e alimento para quem come, assim também acontece com a minha palavra: Ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão.

Em clima de alegria saireis, em clima de paz sereis conduzidos (Isaías, Cap. 55, v. 10-12).

A Palavra Viva do Senhor ressuscitado ao nos dizer “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”, está se revelando para nós nos tempos presentes, a dizer que toda a nossa alegria de Pentecostes: “Em clima de alegria saireis, em clima de paz sereis conduzidos (Isaías, Cap. 55, v. 12), a Alegria da Boa Nova, precisa ser nos 50 dias da celebração da Páscoa com uma peregrinação junto com Ele à sua direita.

Igual a experiência de Tobias e Sarah na cura com São Rafael, quem está à direita da Barca é a Rainha (Salmo 45), oferecendo-nos o remédio, para curar nossas dores de agora, na peregrinação de cada dia (= 1 dia), que deve conter 150 (saudações angélicas) com a mediação dos mistérios da alegria, dor e glorificação do Senhor (= 3 mistérios), que se representou por 153: “ Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes (Jo 21,11);

Mas o coração do homem está sem carne, assim como secos estão seus ossos, e não consegue reconhecer o Senhor, assim, mesmo diante da morte ele permanece indiferente para mudar o curso capaz de salvar sua vida, mesmo diante dos sinais do Senhor ele permanece cabisbaixo, e talvez ainda diante de todos os sinais do Senhor, sua incredulidade veja como atos de um homem, “onde vossos pais me tentaram, me provaram, apesar de terem visto minhas obras” (Salmo 94, 8).

Mas, a Palavra do Senhor não volta ao céu sem dar fruto, por isso é para nós, agora o que foi dito a Moisés:

Com efeito, este mandamento que hoje te prescrevo não é difícil para ti nem está fora do

teu alcance. Não está no céu, para que digas: ‘Quem poderá subir ao céu por nós para

apanhá-lo? Quem no-lo fará ouvir para que o possamos cumprir?’ 13 Não está do outro lado do mar, para que digas: ‘Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo? Quem no-lo fará ouvir para que o possamos cumprir?

Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir. Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Se obedeceres aos preceitos do Senhor teu Deus, que hoje te prescrevo, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que vais entrar para possuí-la.

Se, porém, o teu coração se desviar e não quiseres escutar, se te deixares arrastar para adorar e prestar culto a outros deuses, eu vos declaro hoje que certamente perecereis.

Não vivereis muito tempo sobre a terra onde ides entrar, depois de atravessar o rio Jordão, para ocupá-la.

Cito hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes (Deuteronômio, Cap. 30, v.11-19).

Volte para a Vida, abrace o teu Senhor, Ele quer tua amizade, mas o tesouro dessa amizade depende também de você quer ser amigo dele, se você não mudar o teu coração, você não consegue encontrar a vida: Procurai o SENHOR enquanto é possível encontrá-lo chamai por ele, agora que está perto (Isaías, Cap. 55, v. 6).

Mais informações em assuntos semelhantes pode ser encontrado neste link: https://formaresaber.com.br/saindo-da-pandemia-pelo-recluses-no-lugar-do-lockdown/

A Ciência panterrestre

Este artigo apresenta os equívocos da ciência moderna que classifica sanidade da Ciência como loucura de um homem.

Dentro de nossa caminhada pela Ciência das Linguagens percebemos que a visão humana ou relação da Semiótica com as outras Ciências se revela igual a irônica apresentação feita por Lúcia Santaella quando brincou: “Semi-ótica – ótica pela metade?” (SANTAELLA, 2012, p. 9)1, pois, é exatamente dessa forma que as Ciências da Humanidade encaram a Semiótica.

Charles Sanders Peirce – Credit:Wikipedia

O problema começa a ser sentido a partir da própria apresentação da Semiótica às academias do conhecimento humano que reagem como se deparassem com um imigrante, estrangeiro que quer compartilhar o seu universo, mas enfrenta o preconceito delas como “que cara esquisito”, e, assim, é vista como algo exótico, ou, diferente, e as vezes até incompatível como o ambiente do conhecimento humano.

Conflito 1 – Além das fronteiras da Ciência

O início do conflito parte do que se entende por academias de conhecimento humano como referência às ciências da humanidades isto é, as ciências físicas e as ciências humanas, ou metafísicas, cujo o princípio de reconhecimento se dá a partir de um pressuposto lógico pela a captura do conhecimento a partir de um raciocínio lógico.

Esse processo teve inspiração pelo cartesianismo de Descartes e consolidou-se na física clássica de Newton, de que tudo deve ser explicado positivamente, a partir dos conhecimentos capturados, ou, apreendidos, o que pedimos licença para ilustrar com o exemplo daqueles vídeos que mostram o gato que se encanta pela luz do laser é quer agarrá-la a todo o custo, pois, na ilusão de adivinhadores e dominadores do futuro, o conhecimento sendo como água, não pode ser capturado pelo domínio lógico das mãos humanas, cujo melhor exemplo desse fracasso foi a própria física clássica do absolutismo lógico de Newton sendo reescrita pela física quântica de Planck e Einstein, tornando parte dessa mesma ciência as incertezas.

Conflito2 – Confundido como pensador

Como a ciência humana limita-se ao estudo voltado apenas para o humano, isto é, aquilo que só foi capturado logicamente como conhecimento, não consegue definir algo que é panterrestre, isto é, uma ciência capaz de unificar o conhecimento dentro do universo como lógica e fora dele como experiência, como podemos observar na apresentação de Peirce pelo Livro “Os Pensadores”:

A maior parte dos historiadores de filosofia considera Charles “Santiago” Sanders Peirce como o maior e mais original pensador que já surgiu na América do Norte (D’OLIVEIRA, 1989, p. VII)2.

O grande equívoco nesta apresentação e considerar Peirce como um pensador, Ele pode ter sido original, pode ter sido grandioso, mas não pensador, porque estaria contradizendo o pragmaticismo da própria ciência que ele apresentou, pois, o processo cognitivo apresentado aos homens por Peirce, não veio do seu intelecto, mas sim, de uma interpretação, ou, tradução, de uma ciência que vai além da compreensão humana, Peirce, testemunhando a paisagem do conhecimento real, expressou-a como Arte, não de autoria própria, pois a Semiótica é fenômeno de realidade e não pensamento que engaiola o conhecimento, talvez por essa caraterística de ciência panterrestre, a mesma Obra “Os Pensadores”, relata o exílio de Peirce como “entre tormentos”.

Apesar de todas as qualidades intelectuais de Peirce, sua carreira universitária não foi bem-sucedida. Personalidade instável e complexa, o filósofo teve uma vida pessoal muito atribulada, que o prejudicou nas atividades docentes.

(…) Em 1887, depois de herdar algum dinheiro, Peirce retirou-se para Milford, Pensilvânia, onde viveu em relativo isolamento até a morte, em 19 de abril de 1914. Os habitantes de Milfor não tinham dele a melhor das impressões: era considerado um excêntrico, pouco cuidados com a aparência, solitário e desregrado nos hábitos (Ibid.).

Conflito 3 – Realidade de fenômenos confundida como filosofia

O terceiro conflito é o tratamento dado à Semiótica como Filosofia de Peirce, o que consiste um grande equívoco, porque se Peirce apenas promoveu a interpretação das interações comunicativas com o ambiente, que é chamado de fenomenologia, não se trata de um pensamento de Peirce, ou Filosofia de Peirce, ou forma de pensar, mas sim, de um registro de realidade de um fenômeno, sem a contaminação da influência humana, cuja a participação de cada um se dá pela experiência da lei chamada de secundidade a aplicar a Ética que estrutura esse fenômeno.

Conclusão

As ciências da humanidade se prende na ambição de capturar o conhecimento a fim de que o homem possa se tornar dominador, ou adivinhador dos eventos, capazes de preverem o futuro, limitando-se assim a uma relação puramente humana, ao passo que a Semiótica traduzida por Peirce ao Mundo, a exemplo da Teoria do Caos, revela uma comunicação intensa de sentidos, não só entre os conhecimentos humanos, mas, interagindo-se com tudo o que estrutura o ambiente, isto é, uma comunicação que não se limita a ligação entre os pontos do Universo mas também à Vida que está além dele.

Por fim tem de se encarar a dura realidade, de que, ao se descobrir as incontáveis belezas de uma Ciência Viva, cuja tecnologia de inovação e criação acontece, na linguagem da ciência digital, em tempo real, traz como efeito os tormentos de Peirce, se vendo sempre como um forasteiro extra-terrestre, vivendo seu exílio.

Continua na próxima semana.

1SANTAELLA, Lúcia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1989.

2D’OLIVEIRA, Armando Mora. Peirce – Vida e Obra. In Os Pensadores – Peirce – Frege. 4ª Ed. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

A corrupção social e política na democracia da lógica

Este artigo propõe uma análise do tema que se prega como democracia, quando na verdade é um Estado artificial.

Se você olhar ao teu redor vai perceber que a corrupção é uma instituição tão forte na sociedade como a instituição da democracia de uma nação.

E ela tão corrupta, tão ardil, que todo mundo a odeia, mas vivem abraçados com ela, pois, embriagados na intoxicação da hipocrisia, cada um levanta a vergonha do outro enquanto esconde a própria.

Olhar no espelho

Um exemplo disso que testemunhamos nos dias de hoje, é que a sociedade prega a igualdade dentro de um estado democrático, mas diante de um momento de chamado cívico de vacinação em massa, lá está ela, a corrupção vistosa, abraçando os espertinhos:

Uma vez…

Policiais federais constrangem servidora e tentam furar fila da vacinação

O incidente aconteceu na tarde deste sábado (27/3), no drive-thru do Terraço Shopping. Os policiais exigiam o acesso a “xepa”, que são doses remanescentes do imunizante contra a covid-19 (CORREIO BRAZILIENSE, 2021)1

Inúmeras vezes ….

MP-PR investiga mais de 600 denúncias de ‘fura-fila’ da vacina contra Covid-19 no Paraná.

Segundo a Controladoria Geral do do Paraná, quase 40% dos municípios do estado registram pelo menos um caso de pessoas que furaram a fila da vacinação. Denúncias podem ser feitas de forma anônima (RPC PONTA GROSSA – G1, 2021)2.

Ou ainda naquela hipocrisia da catimba popular de que, eu tenho o direito, mas o dever é só para os outros, porque o meu direito é o de desrespeitar as obrigações.

Uma vez …

Médico registra festa clandestina ao lado de UPA com pacientes de Covid-19 na Zona Leste de SP (ISTO É, 2021)3

Inúmeras vezes …

Polícia investiga mais de 4.600 pessoas envolvidas em festas clandestinas em SP.

Em menos de 20 dias, delegados instauraram 52 inquéritos policiais em todo o estado (Henrique, 2021)4.

E diante de todos esses escândalos, o primeiro impulso nos leva a tropeçarmos num abraço da corrupção, ao olharmos irresignados todos esses comportamentos desprezíveis, julgando que eles estão errados e nós que não fazemos isso, estamos certos.

No entanto, se, nos isentarmos da hipocrisia e intoxicação da corrupção, conseguiremos compreender que, na verdade, somos nós todos que estamos errados, somos nós todos desprezíveis nesse ambiente, e que, no dia da mentira é essa verdade que sempre ocultamos de nós mesmos.

Para buscar luzes para a resposta, vamos nos valer de nosso texto anterior COVID-19: governantes e empresários no caminho errante para a morte, quando falamos que vivemos em sociedade, mas, voltada apenas para nós mesmos, somente olhando o próprio umbigo, como se todas as leis, todas as obrigações e deveres estivessem voltados exclusivamente para a satisfação humana ou da Humanidade, e, não como colaborações para a edificação do ambiente como um todo, por isso estamos sempre olhando para dentro, como foi proposto naquele artigo:

Os erros que se testemunha no presente são perceptíveis ao observamos que os modelos da administração moderna têm como referência líderes que dão soluções, emoldurando ícones como por exemplo, Steve Jobs, Bill Gates, que, certamente na faculdade, não frequentaram aquele barzinho preferido da turma, e por isso não ouviram as lições de J. Quest quando cantava:

Viver é uma arte, é um ofício
só que precisa cuidado.
Prá perceber quer que olhar só pra dentro
é o maior desperdício.
O teu amor pode estar do seu lado (REIS e JOTA QUEST, 2004) (LUCIO FILHO, 2021)5.

Se reconhecermos isso, talvez possamos identificar o cupim que corrompe o tronco, pois, ele é quase imperceptível, mas dentro de nós, nos intoxica com uma substância com um enorme poder alucinógeno, que nos ilude com a sensação de ser, ou “sonho de ser”, um verdadeiro deus.

Neste sonho o tema é “ser dono da própria vida” e o lema é “independência financeira”, que combinado forma a ilusão de transformar qualquer um em deus, capaz de controlar tudo e a todos, como se não existisse o Universo, mas cada um fosse o centro do mundo, sob o olhar no próprio umbigo da humanidade do ter: meu time, minha família, minha cidade, meu país, valendo-se de planos estratégicos, agenda, orçamentos, avaliações, pré-ocupações, alimentando um corpo poderoso chamado lógica.

Ao garrar-se na lógica, que é a estruturação parcial da Arte, o cupim da corrupção produz a sociedade das aparências, a artificialidade que também é conhecida por hipocrisia, que há 370 anos atrás, em abril de 1651, agarrou com força como vítima em Paris, Thomas Hobbes, que nos lembrando a inocência do acidente do césio-137 em setembro de 1987 em Goiânia, o fez se encantar pela artificialidade, e denominou o poderoso alucinógeno de Leviatã, proferindo uma profecia atualíssima para os tempos presentes.

Do mesmo modo que tantas outras coisas, a natureza (a arte mediante a qual Deus fez e governa o mundo) é imitada pela arte dos homens também nisto: que lhe é possível fazer um animal artificial. Pois vendo que a vida não é mais do que um movimento dos membros, cujo início ocorre em alguma parte principal interna, por que não poderíamos dizer que todos os autômatos (máquinas que se movem a si mesmas por meio de molas, tal como um relógio) possuem uma vida artificial?

Pois o que é o coração, senão uma mola; e os nervos, senão outras tantas cordas; e as juntas, senão outras tantas rodas, imprimindo movimento ao corpo inteiro, tal como foi projetado pelo Artífice? E a arte vai mais longe ainda, imitando aquela criatura racional, a mais excelente obra da natureza, o Homem. Porque pela arte é criado aquele grande Leviatã a que se chama Estado, ou Cidade (em latim Civitas), que não é senão um homem artificial, embora de maior estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa foi projetado.

E no qual a soberania é uma alma artificial, pois dá vida e movimento ao corpo inteiro; os magistrados e outros funcionários judiciais ou executivos, juntas artificiais; a recompensa e o castigo (pêlos quais, ligados ao trono da soberania, todas as juntas e membros são levados a cumprir seu dever) são os nervos, que fazem o mesmo no corpo natural;

a riqueza e prosperidade de todos os membros individuais são a força; Salus Populi (a segurança do povo) é seu objetivo; os conselheiros, através dos quais todas as coisas que necessita saber lhe são sugeridas, são a memória; a justiça e as leis, uma razão e uma vontade artificiais; a concórdia é a saúde; a sedição é a doença; e a guerra civil é a morte. Por último, os pactos e convenções mediante os quais as partes deste Corpo Político foram criadas, reunidas e unificadas assemelham-se àquele Fiat, ao Façamos o homem proferido por Deus na Criação (MALMESBURY, 2015, p. 9)6

É atualíssima pois, diante da artificialidade de cada um individualmente, há os reflexos no Estado artificial civil e eclesiástico de Hobbes, pois, no Estado há uma lei maior do sonho de Igualdade da nação, no entanto, a artificialidade dos poderes governamentais, executivo, legislativo e judiciários são verdadeiras classes de privilégios que os tornam muito distante da realidade do cidadão comum.

Vivem em um patamar muito superior da realidade do homem comum, pois, os salários são diferenciados em milhares de reais comparados com o do cidadão comum, há privilégios para a categoria que não alcança aos demais cidadãos, como foro privilegiado, aposentadoria com vencimentos integrais, pensões aristocratas até a terceira geração, auxílios e benefícios que sequer são imitados pela iniciativa privada, muito menos para o cidadão comum, polícia do próprio do poder, julgador para o próprio poder.

O serviço se dá sob a prevalência da aplicação do direito sem qualidade de justiça, ou seja, é o Estado artificial a exemplo de 1651, formalizando o carimbo do direito sem qualquer controle em qualquer um dos poderes pela falta de eficácia da justiça sonhada pelo Art. 37 da Constituição Federal.

Todos carregam a consciência do imoral, mas como detêm o poder “o tornam legal”, e às favas a justiça social, já que a própria sociedade também é artificial ao ponto de hoje, primeiro de abril de 2021, em que é noticiada pela imprensa nacional a morte de 500 cidadãos só na fila de uma internação, ou seja, privados da dignidade e cidadania de se receber o serviço público da saúde que não é obrigação, mas dever do Estado.

Cidadãos que não são anônimos, pois constam dos cadastros estatais para a tributação de erário ao longo de suas vidas mantendo os altos salários e benefícios e luxos de cada um desses poderes.

No entanto, tal escândalo deplorável, não provoca o mínimo constrangimento de falha administrativa em algum desses poderes, e, seguindo o principio de se olhar para o próprio umbigo, não provoca qualquer complexo de culpa pelas mortes trágicas daqueles que o sustentam, se quer se lembrando dos órfãos e viúvas, e nem qualquer iniciativa dos poderes fiscalizadores, como se nada tivesse a ver com alguma autoridade governamental, pois o Estado é artificial como profetizou em sua ingenuidade, Thomas Hobbes.

Mas o tema deste trabalho não é uma crítica ao Estado, mas sim, o artificialismo da lógica que cada um carrega em si como se fosse o ar que respira pois, uma vez que em toda arquitetura lógica está a ilusão do controle e do domínio, na sensação da liberdade e independência, que parecendo ser bom, tornar-se um cupim corruptor e transforma a realidade em mera aparência ou simulação, isto é, em artificialismo.

O poder desse domínio é tão forte que parece ser impossível viver sem lógica, porque essa impossibilidade é formada pela ambição e desejo de aplicar o princípio de “controlar a vida” no entanto, como não há uma lógica para se controlar a vida, a sabedoria convida para que a realidade se construa deixando a própria vida ditar o controle, criando sentido e construindo emoções, essas são as matérias-primas que se plasmam a ética de todas as matérias ou objetividades físicas que abraçando a sanidade, harmonizam qualquer ambiente, ao invés de arquiteturas de pensamentos lógicos que são secos, rígidos e desumanizados pela falta de sentidos.

No dia da mentira, a grande mentira social, é a grande verdade, já que vivemos uma sociedade do artificial. De que adianta um sobrevida de miseráveis que ao invés de dignidade e cidadania, recebem esmolas dos poderes como moeda de trocas por favores em suplícios no lugar de prestarem serviços, não havendo espaço para os sentidos da vida de se andar de cabeça erguida, ou mesmo de se dar um sorriso? Até quando o homem escolherá a fake de dizer que é democracia, mas viver no “me engana que eu gosto”?

Fazendo uma adaptação às palavras de Jucas Chaves, o governo é um bobo vestido de deus, seguido por um monte de deuses vestidos de bobos, por isso, alegremo-nos pois, a mentira já se foi e a justiça bate à porta, eliminando para sempre o artificialismo, pois, como é a vida quem domina, e não a lógica pois suas fronteiras são curtas, a tendência é a de se edificar os sentidos que é arte a eliminar as bobeiras que é artificial como um dia já nos preveniu o Profeta Isaías ” Naquele dia o Senhor vai castigar com sua espada dura, grande e forte, Leviatã, a serpente tortuosa, serpente escorregadia. Matará o monstro que habita o oceano” (Isaías, cap. 27, v, 1).

1CORREIO BRAZILIENSE. Policiais federais constrangem servidora e tentam furar fila da vacinação. In Caderno DF Cidade, 27/03/2021. Disponivel em https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/03/4914523-policiais-federais-constrangem-servidora-e-tentam-furar-fila-da-vacinacao.html.

2RPC PONTA GROSSA – G1. MP-PR investiga mais de 600 denúncias de ‘fura-fila’ da vacina contra Covid-19 no Paraná. In G1, PARANÁ RPC, 30/03/2021. Disponivel em https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2021/03/30/mp-pr-investiga-mais-de-600-denuncias-de-fura-fila-da-vacina-contra-covid-19-no-parana.ghtml. Acesso em 01/04/2021.

3ISTO É. Médico registra festa clandestina ao lado da UPA com pacientes de COVID-19 na Zona Leste de SP. In ISTO É. Caderno Geral, da Redação, 29/03/2021. Disponível em https://istoe.com.br/medico-registra-festa-clandestina-ao-lado-de-upa-com-pacientes-de-covid-19-na-zona-leste-de-sp/. Acesso em 01/04/2021.

4HENIRQUE, Alfredo. In São Paulo Agora, Caderno Coronavírus, 31/03/2021. Disponível em https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/03/policia-investiga-mais-de-4600-pessoas-envolvidas-em-festas-clandestinas-em-sp.shtml. Acesso em 01/04/2021.

5LUCIO FILHO, Laurentino. COVID-19: governantes e empresários no caminho errante para a morte. Disponível em https://formaresaber.com.br/covid-19-governantes-e-empresarios-no-caminho-errante-para-a-morte/. Acesso em 01 abr. 2021.

6MALMESBURY, Thomas Hobbes de. O Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. São Paulo. Edipro, 2015.