Advento:completando os sentidos

Este artigo apresenta o sentido do Advento na prática, que é diferente do que conhecemos como o da “espectativa da vinda do Senhor”.

O 13º Tema do Sínodo vem contemplar os sentidos do Advento, como Liturgia, que é Palavra Viva, que o Senhor nos diz: são Espírito e Vida, assim, para os dias de hoje o Espírito é Vida na prática da Palavra do início de um novo Ano Litúrgico, Ano A, com o Tempo do Advento:

O Tempo Litúrgico do Advento, que neste artigo ousamos chamar de Festa do Advento, alcança seu ápice com as festas do Natal de Jesus, Epifania e Batismo do Senhor, encerrando-se com a celebração do Batismo do Senhor.

Crd:Dieterich01

O primeiro elemento a definir o Sacramento do Batismo, é a regeneração pela água, como Porta que completará o Sacramento do Batismo pelo Tempo Pascal, juntamente com o segundo elemento, que é a Palavra, revestindo o homem como filho de Deus porque o Batismo é o sacramento da fé (CAC, 1253)1: Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado (Mc 16,16).

Assim, o Sacramento do Batismo que é único, recebe então as colunas das duas testemunhas de Deus, pelo Novo Testamento: o Batismo da primeira testemunha que é João, com a regeneração pela água (Tempo do Advento), e o Batismo do Senhor com o testemunho da Palavra (Tempo Pascal), ambos sob a mesma cor roxa.

Assim, as duas testemunhas de Deus, João Batista e o próprio Cristo, criam as duas colunas do Arco que consagra o homem que renasceu em Cristo, e se tornou amigo de Deus:

O santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito (“vitae spiritualis ianua – porta da vida espiritual”) e a porta que dá acesso aos outros sacramentos. Pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão. “Baptismos est sacramentam regeneratiorais per aquam in Verbo – O Batismo pode definir-se como o sacramento da regeneração pela águano Tempo do Advento, e pela Palavra”no Tempo Pascal, [grifo nosso] (ibid, 1213).

A cor roxa do Tempo do Advento é a cor da regeneração pela água do Batismo de João, como a voz que clama no deserto, preparando o caminho do Senhor, nele todos são chamados a se voltarem para Deus, regenerar-se, dar uma guinada na vida, converter a direção, retornar à casa paterna, nascer de novo, sendo esse momento, o momento de purificação dos pecados, um encontro com Cristo, deixando o homem velho, para ser nova criatura.

É o tempo em que a ovelha é chamada pela voz do Pastor que diz: “buscai ao Senhor enquanto Ele se deixa encontrar, invocai ao Senhor enquanto Ele está próximo” (Is 51,6), para se experimentar o encontro pessoal com Cristo, voltar-se para o Pai, constituindo-se portanto, a porta de entrada cuja chave é pela abertura do coração do homem a acolher em si o Espírito e torná-lo régio em sua vida, sendo a força que fará partir daí as ações decorrente da vontade de Deus, segundo a Palavra, para este momento o Pastor, a segunda testemunha, reverenciando a primeira, faz o chamado: “Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo (Mt, 4,12).

A iniciação batismal pela regeneração da água, atua como o próprio Querigma que pincelamos aqui alguns fragmentos:

Deus o ama, pessoalmente, como Pai amoroso.

Ele o Ama, você é importante para Ele, te aceita incondicionalmente.

(…)

Ele nos criou e para Ele caminhamos. Dele viemos e para Ele Vamos.

Ele é o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega.

(…)

E desde o princípio nos convidou a ter uma relação e comunhão pessoal de amor com Ele, como filhos e amigos; “e todo o que ama aquele que o gerou, ama também aquele que dele foi gerado (1Jo 5,1).

És precioso aos meus olhos, estimados, valioso e valorizado”, você é muito valioso para Mim, você Me é muito importante. A sua pessoa, a sua história e a sua condição atual. Com rosto, nome próprio, história vocação, estado de vida e condição concreta de sua vida..

(…)

És meu”… e todo mundo cuida daquilo que sente que é seu… “Ele nos fez, somos Dele”. Deus mesmo diz que você é Dele, pertence a Ele.

Depois de tê-lo recusado e a seu amor, e havemos nos separados Dele pelo pecado, Ele continua a amar-nos e nõs abandona.

Oferece-nos a reconciliação, a salvação e Vida nova (NAVARRO, 1999, p. 9)2.

Diante deste convite de conversão, se olharmos para o fundo do coração e não sentirmos a intensidade da Promessa Divina em nossa alma, poderíamos perguntar: o que nos impede ter sentir Deus, de ter uma relação íntima com Ele?

Muitas vezes enganamos a nós mesmos, somos em nós mesmos, falsos pastores, porque dizemos acreditar a Deus, assim como o próprio diabo acredita (Mt 24,5), ou, ainda, que Deus é tudo em nossas vidas, mas, a exemplo dos fariseus só repetimos palavras, mas, a realidade nossa alma não é integra, porque temos um propósito no íntimo e uma ação diferente externamente, não há uma comunhão entre o que falamos e o que fazemos, e o Senhor nos diz: Nem todo aquele que diz a mim: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no Reino dos céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mt 7,21).

E João Batista igualmente, vendo aqueles cuja fé é apenas aparente, diante daqueles que iam lá para se purificarem, mas ainda não tinham o encontro pessoal com o Senhor, isto é, queriam ter os pecados perdoados, mas, não se abriam para a amizade com Deus, que eram “raça de víboras”.

1Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: 2“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 3João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!” 4João usava uma roupa feita de pêlos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo. 5Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. 6Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 7Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? 8Produzi frutos que provem a vossa conversão. 9Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão (Mt 3,1-8).

Portanto, o Tempo do Advento é o tempo favorável da Graça de Deus para o encontro pessoal com o Senhor, o chamado do Pastor para as suas ovelhas: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”, dando a cada um que acolhe o Espírito Santo, a Verdade do Senhor, e assim, responder com o amor profundo e verdadeiro renunciando a verdade aparente, para se eleger a Verdade que se dá testemunho, de quem muito amou, compondo o testemunho da Palavra, o segundo elemento do Batismo celebrado Tempo Pascal “o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mt 7,21)”.

Como sinal de alerta, a exemplo de João, o Senhor nos lembra daqueles que João Batista chamava de raça de víboras, como o jovem rico que se via imaculado, mas diante do convite de acolhimento do Espírito Santo no lugar dos bens saiu contrariado e Jesus disse como é difícil aquele que apegado a si mesmo entrar no Reino dos Céus (Mc 10,23).

Por isso, os renascidos pelo Batismo, os que muito amaram, serão poucos, porque delegar a vida ao Espírito é uma decisão muito forte em nossa vida e poucos estão dispostos a isso, uma passagem pela porta estreita, é como um camelo passar pelo buraco de uma agulha, portando devemos estar atentos para saber se estamos sendo honestos conosco mesmo e, de repente se não estamos recusando o convite para as bodas.

Quanto alcançamos a Graça e temos este encontro sincero com Cristo, a reação imediata é a de desânimo e lamentação, pois nos sentimos como se já estivéssemos condenados e não há mais nada o que fazer, como Pedro quando pediu para que Jesus se afastasse dele porque era pecador (Lc 5,8), ou ,quando os discípulos disseram estas palavras são muito duras, quem então, entrará no Reino dos Céus? Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza?” (Jo 6,60-61).

Mas a Graça de Deus é maior e vem nos dizer:

1Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio.2Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus.3Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados.4Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”.5Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos – Liturgia Missal – 2º Semana do Advento – Ano A, 05/12/2022, 1ª Leitura – Is 34, 1-5).

Conclusão

O Tempo do Advento é o Tempo da Graça do Senhor, o chamado do Pastor às suas ovelhas para que voltem ao aprisco, regenerando-se pela água da Voz que clama no Deserto, é uma liturgia profundamente penitencial de constrição e arrependimento sob o título “convertei-vos, o Reino dos Céus está próximo”.

É a preparação para o testemunho da Palavra que completa o Sacramento do Batismo no Tempo Pascal, em que nos colocamos diante da liturgia quaresmal do amor a Cruz, a defender a Palavra sobre a angústia do Monte das Oliveiras, a prostrarmos diante de César, a sermos coroados com os espinhos da humilhação pública, a carregar os nossos fatos subindo o Monte Sião, até consumarmos nossas obras no imenso amor à Cruz, sob o testemunho da Palavra até o fim, pela morte do Cristo na cruz, imitando a submissão do Cordeiro.

1 CAC – Catecismo da Igreja Católica nº 1253

2NAVARRO, Pe. Alfonso Castelhano, MspS. Evangelização – Primeiro Anúncio – Querigma. São José dos Campos – SP: Edições ComDeus, 1999.

Descobrindo a Justiça

Este trabalho vem suscitar a serenidade do pensamento para a formação da Justiça, afastando dos pensamentos falsos que revestem-se de sofismas.

Este trabalho vem demonstrar como os julgamentos sob o pensamento humano só conduzem aos caminhos errantes produzindo a injustiça. Para descobrirmos o caminho para a Justiça real, nos valemos neste trabalho da análise da brutalidade humana na condenação de um inocente e justo, Jesus Cristo, o Messias.

Credit:JohnHain

Hoje damos seguimento aos trabalhos que constroem o Capítulo 2, em que mais uma vez, abordando-se a prática da Palavra no nosso dia a dia, ou Praxis Cristã, mergulharemos no contexto das leituras da liturgia missal do mesmo dia da produção deste texto que é Mc 8,27-33 – Sexta Semana do Tempo Comum – Ano C – 17/02/2022.

A prática de hoje tem por objetivo mostrar como caminhamos direto para a morte quando nos apegarmos à ideia de que a Lei é só para os homens, isto é, quando desenvolvemos nossas ações somente de acordo com os pensamentos humanos, e, foi essa razão que levou o Senhor a repreender o Apóstolo Pedro: “Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens” (Mc 8,33).

Já abordamos algumas vezes o pensamento humano, ou, espiritualidade humanista, quando, por exemplo, nas metodologias iniciais de nossos trabalhos, falamos sobre o reinado de Pedro Romano e, também, quanto tratamos da formação do senso crítico, em que podemos destacar aqui neste trabalho como ponto comum, o quanto o homem se fecha em si mesmo quando aplica o pensamento humano.

Mas, voltando à repreensão de Jesus ao Apóstolo Pedro, o que vamos trabalhar daqui para a frente é a seguinte questão: se Pedro pensava como os homens, como Jesus pensava como Deus, quando disse: Tu não pensas como Deus, e sim como os homens” (Mc 8,33)?

A Escritura sagrada traz como pensamento de Deus a morte de um inocente, de um homem justo, fiel a Deus, cumpridor de todos os preceitos das Escrituras Sagradas, que foi chamado de o Cordeiro de Deus, por ser o Único a ser fiel integralmente a Deus, isto é, a cumprir integralmente e fielmente a vontade de Deus, na forma de criatura humana.

Era sobre este Homem que o Senhor falava, que no pensamento humano despertou no Apóstolo Pedro o senso de injustiça pela morte de um inocente, da mesma forma que despertou o senso de injustiça no Rei Davi, quando o Profeta Natã narrou a morte de um inocente:

  • Naqueles dias: 1O Senhor mandou o profeta Natã a Davi. Ele foi ter com o rei e lhe disse-lhe: ‘Numa cidade havia dois homens, um rico e outro pobre.
    2O rico possuía ovelhas e bois em grande número.
    3O pobre só possuía uma ovelha pequenina, que tinha comprado e criado.
    Ela crescera em sua casa junto com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo, dormindo no seu regaço. Era para ele como uma filha.
    4Veio um hóspede à casa do homem rico, e este não quis tomar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para preparar um banquete e dar de comer ao hóspede que chegara. Mas foi, apoderou – se da ovelhinha do pobre e preparou-a para o visitante’.
    5Davi ficou indignado contra esse homem e disse a Natã: ‘Pela vida do Senhor, o homem que fez isso merece a morte!
    6Pagará quatro vezes o valor da ovelha, por ter feito o que fez e não ter tido compaixão’.
    7aNatã disse a Davi: ‘Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel:
    10Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa,
    porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias
    para fazer dela a tua esposa
    (2Sm, 12-1-10 Liturgia Missal de Sábado da 3ª Semana do Tempo Comum – Ano C – 29/01/2022).

Na Leitura sobre a morte do Homem Inocente tem-se o seguinte texto:

Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias.
32Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo
(Mc 8,31-32).

As duas Leituras nos traz algo em comum na indignação do Rei Davi e também na indignação de Pedro, causadas pela injustiça da morte de um inocente, que é a seguinte: tanto o Rei Davi quanto Pedro, tiveram a capacidade de perceberem a injustiça, mas por estarem sob o olhar humano, não conseguiram ver que o criminoso injusto a matar o inocente, era cada um deles próprio, ou, cada um de nós, que estamos mergulhados no pensamento humano, e só nos voltamos para nós mesmos, exigindo o rigor da lei para os outros e encobertando as nossas injustiças.

Por outro lado se voltarmos nosso olhar para o pensamento de Deus quando a Escritura diz: Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias, podemos compreender o seguinte:

Sob o pensamento de Deus, devemos compreender que o Filho do Homem, é o Cordeiro de Deus, que quer dizer: A Oferta Perfeita para o Sacrifício Sagrado em favor do crime da Humanidade, e, foi Oferecido a Deus, sem mancha, sem ossos quebrados, e sem pecado, sob a forma humana, como primícia em favor dos homens, para a remissão da culpa humana causadora da destruição e devastação revestidas pelo predadorismo rebelde.

Por isso, não havendo homem fiel no mundo, não havendo algum amigo leal a Deus, O Cordeiro de Deus assumiu a forma humana, para apresentar a Deus um sacrifício como Filho do Homem, e assim, a Humanidade ser redimida do seu crime horroroso de rebeldia, que produziu no mundo, a morte, como nos ensina o Apóstolo Paulo:

7 Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8 Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

12 Pois como o pecado entrou no mundo por um só homem e, por meio do pecado, a morte; e a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram… (Rm 5,7.12).

Se usarmos aqui os pensamentos humanos do Rei Davi e do Apóstolo Pedro, vamos nos indignarmos também com a injustiça contra os inocentes, mas pensando tratar-se somente dos homens, o crime de Adão que se arrasta até nós ao carregarmos a marca de Adão, a marca da rebeldia que gera a morte:”Eis que na culpa fui gerado, no pecado minha mãe me concebeu” (Sl 50,7 ).

Mas o crime de Adão, não se refere somente à morte dos humanos, mas a morte te tudo o que vive, ou seja, o pecado de Adão fez entrar a morte na dimensão do Universo, e a partir daquele rebeldia, tudo passou a ter um ciclo de nascimento e morte.

A grande injustiça que podemos nos indignar que aqui nos deparamos, é que o nosso crime de rebeldia, passou a matar tudo o que está sob a dimensão do Universo, desde as maiores galáxias que nascem e morrem, até as estrelas, os planetas, e as menores criaturas vivas, porque, pelo homem, a morte entrou no Mundo.

Todos eles eram inocentes, todos eles seguiam a Lei de Deus, e o homem, e somente o homem, produziu o homicídio, e, ainda assim, as vítimas dele, mesmo inocentes, recebendo injustamente a morte, não se rebelaram contra Deus, mantiveram-se fiéis à sua amizade.

E graças à essa fidelidade das outras criaturas, é que o próprio Deus, amando o homem, para que não se perdesse nenhum daqueles que eram seus, assumiu a condição humana para que ofertasse, como o Único Homem Fiel, um sacrifício em favor dos inocentes, para a remissão do pecado do homem, diante do seu imenso crime, que fez a morte recair sobre todas as outras criaturas: Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores(Rm 5,8).

Ao afastarmos do pensamento humano do Rei Davi e do Apóstolo Pedro, percebemos a imensidão do nosso crime, pois, todas as outras criaturas passaram a experimentar a morte por nossa culpa. No entanto, Deus amando o homem, não o deixou entregue a morte, mas Veio restabelecer com ele sua Aliança:

17 Por um só homem que pecou, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e transbordante da justiça.

18 Como a falta de um só acarretou condenação para todos os seres humanos, assim a justiça de um só trouxe para todos a justificação que dá a vida.

19 Com efeito, como, pela desobediência de um só homem, a humanidade toda tornou-se pecadora, assim também, pela obediência de um só, todos se tornarão justos.

20 Quanto à Lei, ela interveio para que se multiplicassem as transgressões. Onde, porém, se multiplicou o pecado, a graça transbordou.

21 Enfim, como o pecado reinou pela morte, assim também a graça reina pela justiça, para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 5,17-21).

Assim, acolhamos os pensamentos de Deus para que encontremos a verdadeira Justiça, como nos convida o Salmo da Liturgia de hoje:

6Contemplai a sua face e alegrai-vos,* e vosso rosto não se cubra de vergonha!
7Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,* e o Senhor o libertou de toda angústia
(Sl 33,6-7).

Conclusão.

Os ensinamentos do Senhor sobre ser necessário o sofrimento do Filho do Homem, sob o pensamento de Deus, permite que compreendamos ser necessário o sofrimento do Cristo, porque diante do erro do homem que fez a morte entrar no Mundo, Deus, ao perdoar o homem, precisou corrigir a nova natureza humana que incluiu o ciclo nascimento e morte, e para isso, acabou sacrificando as outras criaturas, que inocentes, passaram a pagar com a mesma morte, pela culpa do homem.

Mas as outras criaturas diferente do homem não se rebelaram contra Deus, por isso, como medida de Justiça, ante a morte dos inocentes, Deus aceitou como sacrifício de reparação como ato de Justiça pela Humanidade, a morte do próprio Filho, sofrendo a injustiça humana, como oblação pelos inocentes, por isso, era necessário que o Filho do Homem sofresse, revestido na condição humana:

14 De fato, com esta única oblação, levou à perfeição definitiva os que são por ele santificados.

15 Também o Espírito Santo nos atesta isso; de fato, depois de ter dito:

16 “Eis a aliança que farei com eles, depois daqueles dias”, o Senhor acrescenta: “Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente,

17 não me lembrarei mais dos seus pecados, nem das suas iniqüidades”.

18 Onde, pois, existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado (Hb 10,14-18).

Liturgia Missal 1ª Semana do Tempo Comum – 13/01/2022

O presente texto apresenta as simetrias das Escrituras Sagradas pela aplicação da Ciência das Linguagens (Semiótica), como meio de se criar a percepção da realidade presente pela ação de Deus na história de seu povo.

Creditos:WKIDesign

O Povo de Israel diante da derrota convocou o Senhor para que lutasse por eles. Nós muitas vezes queremos alcançar nossos objetivos não pelas nossas mãos, mas pelas mãos do Senhor, como filhos que esperam que os pais façam por eles, ao assumir a responsabilidade que é dos filhos e nãos dos pais.

Ao contrário disso, o adversário, os Filisteus, professaram o temor ao Senhor, perguntando, quem nos salvará dos deuses tão poderosos (1Sm 4,8)? E receberam a vitória do Senhor.

A Palavra retorna novamente no tempo em que o Senhor visitou a Terra, quando Ele encontra alguém classificado pelos homens inclusive a Igreja, como impuro, amaldiçoado pelo Senhor ao padecer da doença mais horrível da Terra.

Um leproso, se vendo completamente indigno, cheio de pecado, e, aceitando a sentença de sua condenação terrena, como maldição de Deus, e, assim, como os Filisteus, pergunta no íntimo do seu coração quem pode me salvar? E, na sua amargura, clama ao Senhor: “Chegou perto de Jesus e de joelhos, pediu: Senhor, se queres pode curar-me” e Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse. “Eu quero, fica curado” (Mc 1,40-41)!

Nos tempos presentes, a Palavra retorna ante ao receio do homem da destruição do Mundo em razão de seus erros. O homem começando a criar a consciência que violou todas as Leis Sagradas, ao ponto de por em risco a extinção de todas as espécies, inclusive a sua própria, ele, sem Deus, não consegue ver a salvação, e começa a proclamar no Mundo que todos morrerão por catástrofes.

Distorcem as profecias, pois, ao reconhecer o peso de seus pecados, a exemplo de Judas Iscariotes, pensa diante da gravidade de suas culpas, que só resta que todos se auto condenem e se preparem para a queda de um cometa avassalador a destruir toda a Vida pois, diante dos erros todos estão fadados à morte.

E nações com suas agencias espaciais e seus ricos empresários, já tomam iniciativas nesse sentido, como que disputando corridas para receber os prêmios de chegar em primeiro lugar, pois, na rebeldia de seu coração perguntam como os Filisteus, mas sem o temor santo: “Deus chegou ao acampamento! Ai de nós! Quem nos salvará das mãos desses deuses tão poderosos (1Sm 4,8)?

Pobres homens, sua rebeldia não lhes concede luz para que reconheçam a compaixão do Senhor, não voltam para Ele como o leproso, a Lhe pedir: Senhor, se queres pode curar-me” e Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse. “Eu quero, fica curado” (Mc 1,40-41)!

Cheio de rebeldia, mergulharam na escuridão da morte, e não encontram o caminho da Vida, pois, não vêem que a Palavra que eles rejeitam é Salvação, pois, para os amigos de Deus, não há temores em receber más notícias.

Responsório:

O coração do justo é firme e confiante no Senhor.

1Feliz o homem que respeita o Senhor *
e que ama com carinho a sua lei!
2Sua descendência será forte sobre a terra, *
abençoada a geração dos homens retos!R.


7bEle não teme receber notícias más: *
7cconfiando em Deus, seu coração está seguro.
8Seu coração está tranqüilo e nada teme, *
e confusos há de ver seus inimigos
(Sl 111, 1-2.7b-7c-8 – Liturgia Missal da 9ª Semana do Tempo Comum – 01/06/2021).