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A imcomprensível humildade

Muito falamos e admiramos a humildade, mas, boa parte dela que nos acompanha, se mistura com certos sentimentos de hipocrisia, do tipo “Meu Malvado Favorito 3”, em que o irmão do Gru, o Dru, diz que não liga para bens, apresentando como prova, seu pátio repleto de carros de luxo.

Esse mesmo sentimento de falsa humildade é como uma praga que invade nossos corações, e muitas vezes juramos, convencendo primeiro até nós mesmos, que estamos sendo humildes, mas na surdina, falseamos a humildade pelo nosso sentimento de controle, poder que desperta a arrogância do autocontrole pessoal.

A humildade é incompreensível, porque ela nasce da fragilidade de um olho d’agua, e por ser a mais pequena das coisas, a maioria dos homens não consegue percebê-la, porque o homem em seus pensamentos, traz em si que a força e o poder é brilhante em si mesmo, como vemos nos super-heróis, que brilham como laser, e emitem raios, e jamais acreditariam que a humildade contém a força e o poder, ao contrário, a tratam como fracasso, ou sinal de fraqueza.

Mas, a humildade é surpreendente e sempre se apresenta de forma pequena como nos é relatada na experiência vivida pelo Profeta Elias:

11O Senhor lhe disse: “Saia e fique no alto da montanha, diante do Senhor, pois Senhor vai passar”. Então aconteceu um furacão que de tão violento rachava as montanhas e quebrava as rochas diante de Senhor. No entanto, Senhor não estava no furacão. Depois do furacão, houve um terremoto. O Senhor porém não estava no terremoto. 12Depois do terremoto, apareceu fogo, e o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma brisa suave. 13Ouvindo-a, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou na entrada da gruta (1Reis, 19,11-13).

Isso porque a estrutura da Vida contém a Força Fraca:
A força fraca é muito importante para a manutenção da vida na Terra, pois ela faz parte do processo de fusão atômica no Sol! Além disso, ela atua em todos os Férmions, sendo a única força percebida pelos Neutrinos. A Força Fraca possui dois bósons intermediadores: o W Bóson e o Z Bóson (UFRGS, s/d).

Agora lembrando a leve brisa a passar pelo Profeta Elias, conseguimos ver a Palavra, como partícula celeste sendo conduzida através de seu campo magnético (o Espírito), produz-se uma fusão imperceptível e incompreensível aos nossos olhos, como um cascalho de areia a se transformar em uma grande montanha.

19Filho, realiza teus trabalhos com mansidão
e serás amado mais do que um homem generoso.
20Na medida em que fores grande,
deverás praticar a humildade,
e assim encontrarás graça diante do Senhor.
Muitos são altaneiros e ilustres,
mas é aos humildes que ele revela seus mistérios.
21Pois grande é o poder do Senhor,
mas ele é glorificado pelos humildes
(Eclesiástico 3,19-21 – 22º Domingo do Tempo Comum – 31 ago. 2025.

A partícula é singela, que corre e se escorre, tornando-se um manancial:

10Derramastes lá do alto uma chuva generosa, *
e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes;
11e ali vosso rebanho encontrou sua morada; *
com carinho preparastes essa terra para o pobre
(Salmo 67 [68],10-11 – 22º Domingo do Tempo Comum – 31 ago. 2025).

Esta morada é imperceptível e incompreensível, e para o homem que a acolhe, ela lhe dá seu regaço:

18Vós não vos aproximastes de uma realidade palpável:
“fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade,
19som da trombeta e voz poderosa”,
que os ouvintes suplicaram não continuasse.
22Mas vós vos aproximastes do monte Sião
e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste;
da reunião festiva de milhões de anjos;
23da assembleia dos primogênitos,
cujos nomes estão escritos nos céus;
de Deus, o Juiz de todos;
dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição;
24ade Jesus, mediador da nova aliança
(Hebreus, 12,18-19.22-24 – 22º Domingo do Tempo Comum – 31 ago. 2025).

Conclusão

A humildade e a força fraca que funde o amor em nós, como um fermento misturado na farinha ela cresce, até quando fugiremos dela como matéria escura, para agarrarmos aos devaneios das luzes dos lasers que nos cegam?

Será que conseguiremos algum dia renunciarmos ao nosso autocontrole para desejarmos sermos os últimos, ao invés de querer sermos o primeiro? A renúncia significa permitirmos que a Palavra, como Força Fraca aja e atue em nós, e permanecemos na certeza de que a impotência que nos sufoca tornará o cascalho de areia na admirável montanha.

Porque quem se eleva, será humilhado
e quem se humilha, será elevado”.
12E disse também a quem o tinha convidado:
“Quando tu deres um almoço ou um jantar,
não convides teus amigos, nem teus irmãos,
nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos.
Pois estes poderiam também convidar-te
e isto já seria a tua recompensa.
13Pelo contrário, quando deres uma festa,
convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos.
14Então tu serás feliz!
Porque eles não te podem retribuir.
Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos
” Lucas, 14,11-14 – 22º Domingo do Tempo Comum – 31 ago. 2025).

Esta partícula d’água, que se torna rio, parece ser tão insignificante que insistimos em não dar atenção, permanecendo no mundo das ilusões, abra o teu coração, não tente controlar, apenas viva sem saber como está acontecendo em você, e experimente este milagre, pois é o milagre do amor como canta Eurythmics em The miracle of love.

Referências

UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Glossário – Força Fraca. Disponível em https://www.ufrgs.br/amlef/glossario/forca-fraca/. Acesso em 27 ago. 2025.

Obras que se eternizam

Quando eu era jovem, entre meus 18 e 40 anos, a coisa mais difícil de eu colocar em minha mente, era um plano para o meu futuro, tudo me parecia consumido instantaneamente, o trabalho, o fruto do trabalho.

Quando começamos a alcançar a maturidade e sentimos que já não temos mais a mesma força em nossos braços, somos despertados para sentir a necessidade de olhar para um futuro a nos manter vivos em nossa velhice, uns aspiram a aposentadoria, outras já encaram que ela não será suporte e deverão continuar trabalhando.

Mas a grande lição que vem das cãs, é que se na experiência do jovem há uma ambição de alcançar seu sonho, na maturidade há uma grande cobrança em si mesmo, do sentido do seu existir, o que faz o homem na sua maturidade, se sentir muitas vezes desafiado a rever seus atos, e a questionar no seu íntimo, o sentido da sua vida.

Essa dor, ou, inquietação natural vem da Sabedoria, ou seja, não se trata de um pensamento, mas, de uma movimentação do espírito que agita em seu ser, agora não mais com a impetuosidade do homem jovem, mas, com a serenidade do homem sábio, e ele pode perceber em si, de uma forma nova, o sentido de suas obras:

O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso

“A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador”. (CATECISMO, nº 27).

Esta Sabedoria ao ser despertada na consciência do homem, faz com ele consiga sentir a razão do seu existir, já não mais para uma obra temporária, mas chamado para uma obra eternizante, de cidadão da Cidade de Davi, Sião, onde encontra o seu destino, em cujo centro encontra-se o Palácio Real.

Pois o Senhor quis para si Jerusalém
e a desejou para que fosse sua morada:
14 “Eis o lugar do meu repouso para sempre,
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!”
(Salmo 131 [132] Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria – 17 ago. 2025).

Esta cidade tem por alicerce o Espírito, e para reconhecermos este Espírito, precisamos lembrar da Vida que é ressurreição, o Cristo:

25Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?” 27Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo” (João 11,25-27 – 17ª Semana do Tempo Comum, Memória dos Santos Marta, Maria e Lázaro – 29 jul. 2025).

A ressurreição significa o maná, o pão que alimenta a vida, a nutrir a vida, como o sangue que corre em nossas veias para nos manter vivos, não se confundindo com reencarnação que significa, o apossamento do corpo, como nos é mostrado por Jesus, diante do seu túmulo, quando falou à Maria Madalena:

Jesus disse:
“Não me segures.
Ainda não subi para junto do Pai.
Mas vai dizer aos meus irmãos:
subo para junto do meu Pai e vosso Pai,
meu Deus e vosso Deus”
(João 20,17 – 16ª Semana do Tempo Comum, Memória de Santa Maria Madalena – 22 jul. 2025).

Disse isso para compreendermos que o Espírito de Deus em nós, é Palavra de Vida, e nela se perpetua a Vida como Espírito, da qual, nos alimentamos pela nossa amizade com Deus, precisamos entender também que vencer a morte significa que somos assuntos aos céus pelo mesmo Espírito, acompanhando a ascensão do Sacerdote Eterno, que tendo subido aos céus, apresentou o sacrifício perpétuo, preparando nossas moradas, para assim, santificar a criação e alimentar, fazendo nova, a Vida pelo Espírito que repousa sobre nós.

É por isso, que os amigos de Deus, que preservam em si o dom do Espírito , Na Vida que há em nós, trazem o selo testamentário a nos dar por herança uma morada:

Por isso, nós vos anunciamos este Evangelho:
a promessa que Deus fez aos antepassados,
33 ele a cumpriu para nós, seus filhos,
quando ressuscitou Jesus,
como está escrito no salmo segundo:
‘Tu és o meu filho, eu hoje te gerei'”
(Atos dos Apóstolos, 13, 32-33 – 4ª Semana da Páscoa – 16 mai. 2025).

Assim, o verdadeiro sentido de nossas vidas, assim como o Filho subiu, se completa ao sermos chamados para a obra viva e eterna, que continuamos, não um dia, mas desde agora, a edificar onde também mora Deus, que habita no seio da Arca Viva, Sião, a cidade de Davi, que desde os tempos antigos, já acolheu em seu seio o próprio Filho.

3Davi convocou todo o Israel em Jerusalém,
a fim de transportar a arca do Senhor
para o lugar que lhe havia preparado.
4Davi reuniu também os filhos de Aarão e os levitas.
15Os filhos de Levi levaram a arca de Deus,
com os varais sobre os ombros,
como Moisés havia mandado,
de acordo com a ordem do Senhor
(Crônicas, 3,3-4.15 – Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria – 17 ago. 2025).

Da Ascensão do Cristo, agora somos convidados também, ao ressuscitarmos, a sermos assunto aos céus, habitando a cidade de Davi,

Quando este ser corruptível
estiver vestido de incorruptibilidade
e este ser mortal estiver vestido de imortalidade,
então estará cumprida a palavra da Escritura:
“A morte foi tragada pela vitória.
55Ó morte, onde está a tua vitória?
Onde está o teu aguilhão?”
(2ª Carta aos Coríntios, 15, 54-55 – Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria – 17 ago. 2025 – missa da Aurora).

Fomos poupados da Mansão dos Mortos, para como herdeiros, como cidadãos celestes edificar a Cidade que foi estabelecida a morada do Senhor.

Davi ordenou aos chefes dos levitas
que designassem seus irmãos como cantores,
para entoarem cânticos festivos,
acompanhados de instrumentos musicais,
harpas, cítaras e címbalos.
16,1Tendo, pois, introduzido a arca de Deus
e colocado no meio da tenda que Davi tinha armado,
ofereceram na presença de Deus
holocaustos e sacrifícios pacíficos.
2Depois de oferecer os holocaustos
e os sacrifícios pacíficos,
Davi abençoou o povo em nome do Senhor
(Crônicas, 16, 1-2 – Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria – 17 ago. 2025).

É nessa amizade que nos tornamos dignos da purificação necessária para vivermos na Casa do Senhor, a cidade de sua morada

2O Senhor é grande e muito louvável
na cidade do nosso Deus.
3Seu monte santo, belo em altura,
alegria de toda a terra:
o monte Sião, vértice do céu,
cidade do grande rei.
4Entre seus palácios,
Deus se mostrou como fortaleza
(Salmo 47 [48], 2-4).

O sentido do nosso viver, vem do Espírito que nos renova, Nele está toda a Sabedoria e força que constrói a vida, por isso, celebramos na cidade de Davi, o louvor à Arca cujo Deus nela habita:

R. À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.

10bAs filhas de reis vêm ao vosso encontro, †
ce à vossa direita se encontra a rainha *
com veste esplendente de ouro de Ofir. R.

11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: *
“Esquecei vosso povo e a casa paterna!
12aQue o Rei se encante com vossa beleza! *
bPrestai-lhe homenagem: é vosso Senhor! R.

16Entre cantos de festa e com grande alegria, *
ingressam, então, no palácio real”.
R. (Salmo 44 [45] – Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria – 17 ago. 2025).

Agora portanto, nossas cãs nos vêm completar os sentidos, diante de um mundo de escuridão, sussurrar em nossos ouvidos: escutai, minha filha, olhai ouvi isto. “esquecei vosso povo e a casa parterna!”, e olhe para a Glória que te coroará.

Enquanto Jesus falava ao povo
uma mulher levantou a voz no meio da multidão
e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe
e os seios que te amamentaram”.
28Jesus respondeu:
“Muito mais felizes são aqueles
que ouvem a palavra de Deus
e a põem em prática
” (Lucas 11, 27-28 – Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria – 17 ago. 2025 – missa da Aurora).

Conclusão

Como é bom sermos agraciados por tão bela promessa, pois completa todo o sentindo de existirmos, nos revelando a verdade de para que fomos criados. Por outro lado, quase sempre permanecemos sem maturidade para isso, como crianças que faz Deus perguntar: Quando é que você vai crescer? Torne-se um homem. Por isso te pedidmos agora ó Deus, deixe tua luz brilhar em nós, como cantou Collective Soul em Shine:

Referência

Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 1999.

O sereno da madrugada

Vivemos em meio a mares agitados,
grandes ondas espumantes
nos ameaçam com sua força bruta.

Espumas violentas imperam o terror;
a nos arremessar com força para a escuridão da noite,
nos fazendo reféns da espuma dominadora
que nos impõe o seu querer.

Seu individualismo se espalha
como uma máquina trituradora,
exalando o enxofre que quer esmagar com sua força
todo aquele que não se submete ao seu poder.

levados pelos redemoinhos das ondas,
ao mergulhão nas profundezas da noite,
surgem gotas intrépidas, que semeiam a vida,
como o sereno da madrugada a cantarem:

A noite da libertação
fora predita a nossos pais,
para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito,
se conservassem intrépidos
(Sabedoria 18,6 – 19º Domingo do Tempo Comum).

As ondas querem implacavelmente, removerem os montes,
reinstalar os vulcões e suas lavas,
mas não conseguem evitarem o sereno da noite
que faz renascer gotinhas infantis e intrépidas.

1Saiba, porém, que nos últimos dias
haverá momentos difíceis.2Os homens serão egoístas,
gananciosos, soberbos, blasfemos, rebeldes com os pais,
ingratos, iníquos, 3sem afeto, implacáveis, mentirosos,
incontinentes, cruéis, inimigos do bem, 4traidores,
atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres do que de Deus;
5manterão aparências de piedade,
mas negarão a sua força interior. Evite essas pessoas!

14Quanto a você, permaneça firme
naquilo que aprendeu e aceitou como certo;
você sabe de quem o aprendeu.
15Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras;
elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria
que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo.
16Toda Escritura é inspirada por Deus
e é útil para ensinar, para refutar,
para corrigir, para educar na justiça,
17a fim de que o homem de Deus seja perfeito,
preparado para toda boa obra
(2Timóteo, 3-15.14-17)

Navegamos na madrugada,
como o vigia que deseja a aurora.
O orvalho já apareceu, transformando
o medo da escuridão em alegria na noite da libertação.

Ela foi esperada por teu povo,
como salvação para os justos
e como perdição para os inimigos.
8Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários,
serviu também para glorificar-nos,
chamando-nos a ti.
9Os piedosos filhos dos bons
ofereceram sacrifícios secretamente
e, de comum acordo, fizeram este pacto divino:
que os santos participariam solidariamente
dos mesmos bens e dos mesmos perigos.
Isto, enquanto entoavam antecipadamente
os cânticos de seus pais
(Sabedoria 18,7-9 – 19º Domingo do Tempo Comum – 10 ago. 2025).

Agora nos tornamos amigos da escuridão,
e, não nos importa mais o ver ou o aparecer
porque somos ligados pela corrente do sereno,
que nos faz enxergar sem ver, ouvir sem escutar.

A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera,
a convicção acerca de realidades que não se vêem
(Hebreus 11,1 – 19º Domingo do Tempo Comum – 10 ago. 2025).

A alegria nos transborda
porque estamos consolidados
no Reino soberano que não tem fim.

Ó justos, alegrai-vos no Senhor! *
aos retos fica bem glorificá-lo.
12Feliz o povo cujo Deus é o Senhor *
e a nação que escolheu por sua herança!
(Salmo 32 [33], 1.12 – 19º Domingo do Tempo Comum – 10 ago. 2025).

As ondas já se amansaram,
porque as montanhas cravaram no seio da terra
um sereno perpétuo a pulsar tesouros incontáveis.

32″Não tenhais medo, pequenino rebanho,
pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino.
33Vendei vossos bens e dai esmola.
Fazei bolsas que não se estraguem,
um tesouro no céu que não se acabe;
ali o ladrão não chega nem a traça corrói.
Porque onde está o vosso tesouro,
aí estará também o vosso coração.
35 Que vossos rins estejam cingidos
e as lâmpadas acesas
(Lucas 12,32-35 – 19º Domingo do Tempo Comum – 10 ago. 2025).

Conclusão

Não temas, porque te chamo pelo nome, tu és meu, e eu estou contigo (Isaías 41,1-7), olhe para o céu e veja que há um lindo luar no sertão.

A força que me move

Nestes dias difíceis que vivemos, saímos a cada dia para a luta da sobrevivência, porque achamos que é preciso garantir um pouco de segurança, um pouco de alimentos, um pouco de economia, por isso, tudo o que nos move são ações que só interessa a nós mesmos.

Mas se agimos só pelo interesse próprio, perdemos o sentido da vida comunitárias, pois, já esgotados com nossos próprios problemas, não sentimos ter forças para mais uma carga, e ai, sempre estamos a dizer que não temos tempo para estas coisas.

Enfrentamos verdadeiras guerras urbanas, com massivas campanhas de desinformação, isto é, de informações falsas, divulgadas para minar a credibilidade das instituições, que por sua vez, as instituições, vendo os ataques urbanos, se colocam na defensiva, e substituem a cidadania por escudos de defesa, atacando com polícias mortais, esquecendo a própria vocação que constituiu o Estado.

O fato é que vivemos nos dias de hoje, ataques à vida em comum, para assassinar o convívio comum, o coletivo, como um rojão no meio da boiada, que causa a disparada dos bois, correndo cada um para o seu lado, na preocupação de sobreviver, sem perceber que estão correndo para a morte nos desfiladeiros e atoleiros.

Dias desses observando as conversas no grupo da minha comunidade jurídica, no whatsapp, o que aprendi, é que muitas pessoas que estão ali, estão, porque querem mais receber do que dar algo, e aprendi com isso, que estamos renunciando a democracia para eleger a egolatria, e assim, fazemos crescer as pragas no meio de nossas hortas, como intolerância, indiferença, individualismo, isolacionismo, violência, que podemos chamar aqui de desfiladeiros e atoleiros que matam os bois enlouquecidos.

A totalidade dos homens se esqueceu da força que move a vida, chamada de Disponibilidade, porque diante de tantos crimes, covardias, corrupções, mentiras entre os homens, o amor arrefeceu, de calor tornou-se gelado, de esperança tornou-se frustração, de alegria tornou-se anestesiado, da sinceridade tornou-se desconfiança, da partilha tornou-se egoísmo, de nós, tornou-se meu.

Em meio a este mundo tão egolátrico, em que cada ser, homem, mulher, criança, saem a cada dia como um gladiador a lutar pela sua própria sobrevivência, cultuando como patrimônio medíocre, a sobrevida por desprezar a vida, para assim, trabalhar incansavelmente para sobreviver, sem perceber que despreza a arte do viver, em verdadeiros atos transloucados.

Cada um desses gladiadores como numa competição de corrida, querem a todo custo, ou, custe o que custar, encontrar a fórmula que gere fortunas monetárias, independência financeira, poder, segurança, esquecendo-se que suas mãos são pequenas, seu ser é uma gota no oceano, e, que não têm qualquer controle capaz de garantir suas vidas, porque a vida é maior do que eles, e é a vida que dita o curso do destino de cada um, pelo curso do vento, que ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai.

E a fórmula da vida parte do pressuposto de que a edificação humana é solidária e não egolátrica, e a fórmula do tesouro cobiçável por cada ser, que conserva a vida em cada criatura. é a prática do amar, amar sem interesse, amar sem querer nada em troca, amar somente porque o amor preenche todo o sentido do ser, pois, os atos de amor, se torna a forma de se materializar a vida, como uma moeda, ou, uma barra de ouro.

Parece impossível aos homens, mas, quando reconhecemos nossa pequenez e jogamos a toalha diante de uma doença incurável, uma dívida impagável, um acidente mortal, em que já não temos mais qualquer controle em nossas mãos, olhamos para a vida dizendo: “ta bom, eu me rendo, faça do teu jeito”, cujo ato que ressuscitou a esperança no ser, se for acompanhado de um pouco de fé, permite se ver o primeiro sinal da vida no fato apagar a frase “tarde demais”.

Se nos abrimos ao amor que gera a vida, por pura vocação, o primeiro sinal que temos da vida é o de que existe o trabalho para sobreviver, e a arte para viver, e ao viver o amor que nos preenche como o vigor do fruto mais doce, nos torna disponíveis, a exemplo da experiência de Abrahão, que diante do calor entendiante, que nos consome pela preguiça, ao se deparar com visitantes, logo se põe de pé para servi-los com o melhor de si.

1o Senhor apareceu a Abraão
junto ao carvalho de Mambré,
quando ele estava sentado à entrada da sua tenda,
no maior calor do dia.
2 Levantando os olhos,
Abraão viu três homens de pé, perto dele.
Assim que os viu, correu ao seu encontro
e prostrou-se por terra.
3E disse:
“Meu Senhor, se ganhei tua amizade,
peço-te que não prossigas viagem,
sem parar junto a mim, teu servo.
4Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés,
e descansareis debaixo da árvore.
5Farei servir um pouco de pão
para refazerdes vossas forças,
antes de continuar a viagem.
Pois foi para isso mesmo
que vos aproximastes do vosso servo”.
Eles responderam:
“Faze como disseste”
(Gênesis 18, 1-5 – 16º Domingo do Tempo Comum – 20 jul. 2025).

Ao reconhecermos nossa própria natureza de impotentes que somos, deixamos de agir pelo racionalismo humano, pois este se cobre de crueldade, egoísmo, desumanidade e barbaridades que torna o homem, mas entregamos o curso de nova vida à nos conduzir pela própria sabedoria que a vida nos dá pelo amor, que se pratica na disponibilidade:

R. Senhor, quem morará em vossa casa?

2É aquele que caminha sem pecado *
e pratica a justiça fielmente;
3aque pensa a verdade no seu íntimo *
be não solta em calúnias sua língua.
R.

cQue em nada prejudica o seu irmão,*
dnem cobre de insultos seu vizinho;
4aque não dá valor algum ao homem ímpio, *
bmas honra os que respeitam o Senhor
. R.

5não empresta o seu dinheiro com usura, †
nem se deixa subornar contra o inocente. *
Jamais vacilará quem vive assim!
R. (Salmo 14 [15]- 16º Domingo do Tempo Comum – 20 jul. 2025).

Conclusão

A prática do amor, exercitando a disponibilidade, hospitalidade, a caridade, não afasta da dor, e nos enche da alegria de usar todas as nossas forças que ao homem ímpio, parece, sofrimento, mas à arte do viver o transformou em saborosos deleite:

24 Alegro-me de tudo o que já sofri por vós
e procuro completar na minha própria carne
o que falta das tribulações de Cristo,
em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja
(Colossenses 1,24 – 16º Domingo do Tempo Comum – 20 jul. 2025).

A todo o instante bebemos jarros de embriagantes que despertam em nós o desejo de domínio, de fazer do nosso jeito, como armadilha para nos jogar a um mundo de sobrevida, mas se permanecemos no amor, a vida nos dá a arte do viver, que é a melhor parte que ninguém tira de nós.

Jesus entrou num povoado,
e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa.
39Sua irmã, chamada Maria,
sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra.
40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.
Ela aproximou-se e disse:
“Senhor, não te importas que minha irmã
me deixe sozinha, com todo o serviço?
Manda que ela me venha ajudar!”
41O Senhor, porém, lhe respondeu:
“Marta, Marta! Tu te preocupas
e andas agitada por muitas coisas.
42Porém, uma só coisa é necessária.
Maria escolheu a melhor parte
e esta não lhe será tirada”
(Lucas, 10,38-42 – 16º Domingo do Tempo Comum – 20 jul. 2025).

Esta experiência nos é partilhada pelos santos, lembrando Santa Terezinha que diz a cada um de nós ao viver o amor, que se não somos um anjo no céu é porque Deus quis que sejamos um anjo na Terra, numa doação capaz de mostrar a riqueza da integralidade da alma com a fé, como cantou OMD ao homenagear Santa Joana D’Arc, chamando-a de Dama de Orleans (Maiden of Orleans) que, em tradução livre diz:

Se Joana D’Arc teve um coração,
Será que ela o daria de presente?
Para alguém como eu
Que deseja ver
como um anjo deveria ser.

Teve o sonho de sempre se dar-se de coração,
como uma criança diante da serpente,
Encheu-se de cuidado por todos,
que entregou seu corpo à morte.

A Democracia sacaneada pelos Triunviratos

Vivemos no Brasil certos movimentos embandeirados com os rótulos de esquerda e de direita, recitados por discípulos de políticos que se dizem evangélicos, para nós, evangélicos do fisiologismo, cujo bem estar é o de se dar bem sobre o erário.

Ilustração: Tilixia-Summer

Porque, nem o pastor, nem o padre têm vocações legislativas, ou artística, mas sim, sacerdotais, como Aarão e os Levitas, assim, quando vemos determinada figura midiática usando o prefixo pastor santinho, ou, de padre estelar, logo vemos, ou ele se perdeu no caminho do templo, ou está desprezando a própria Palavra que deveria zelar, valendo-se do prestígio sacerdotal para manipular pessoas, quando na verdade, deveria estar no ofício que foi chamado que é o de zelar pela Palavra:

Ouve a voz do Senhor teu Deus,
e observa todos os seus mandamentos e preceitos,
que estão escritos nesta lei.
Converte-te para o Senhor teu Deus
com todo o teu coração e com toda a tua alma.
11 Na verdade, este mandamento que hoje te dou
não é difícil demais,
nem está fora do teu alcance.
Não está no céu,
para que possas dizer:
‘Quem subirá ao céu por nós para apanhá-lo?
Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?’
13Nem está do outro lado do mar,
para que possas alegar:
‘Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo?
Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?’
14Ao contrário,
esta palavra está bem ao teu alcance,
está em tua boca e em teu coração,
para que a possas cumprir
(Deuteronômio, 30, 10-14 – 15º Domingo do Tempo Comum – 13 jul. 2025).

Não queremos dizer assim, que eles não podem fazer outra coisa, mas sim que, se desejam ser um agente político, ou uma estrela midiática, que renunciem a sua condição sacerdotal, para assim desenvolver bem a sua atividade, com a própria cara de cidadão comum, sem misturar as coisas como vemos nos dias de hoje, porque pensamos que a manipulação de pessoas valendo-se do manto sagrado, para nós, é um sacrilégio, uma ofensa aos símbolos religiosos.

Se tirarmos uma foto do Congresso Nacional hoje, não vemos uma Democracia, em que se aplica os freios e contra-pesos, mas um triunvirato, embandeirado em nome da ordem, disputando cada um sua posição política pessoal (fisiologismo) e não coletiva, e, cobrando altos preços do Estado, com regalias e vencimentos.

O negócio de “se dar bem como agente político” é tão lucrativo (para alguns e, em detrimento dos cidadãos), que já trabalham arduamente para aumentar o triunvirato das direitas, centrão e esquerdistas, com o número de deputados para 2027.

É uma ofensa à Democracia o uso apócrifo no Estado Democrático de Direito, dos termos Esquerda, Centro, e Direita, pois de forma escandalosa, sem qualquer constrangimento diante dos cidadãos, dizem vou defender o meu na esquerda, ou, defender o meu na direita, ou defender o meu no centro, e você, cidadão, fica ai torcendo para a minha vitória e para me manter no poder sem se esquecer de que a conta quem paga e você.

Para entendermos quanto o cidadão está sendo feito de bobo nesse cenários pelos triunviratos apócrifos, precisamos absorver o sentido do termo direita, que significa um governo pelo capitalismo duro (hard), cujo exemplo moderno, damos pelo nosso testemunhos no Estado de São Paulo, em que a Secretaria da Educação, vem aplicando na gestão escolar um sistema auto-centralizador disfarçado de avaliação 360, que esfacela a saúde mental dos professores.

Nesse sistema o diretor da escola pode demitir concursados como “ad nutum” (no sentido de a bel prazer), por ato pessoal (art. 25 e 26 da Resolução SEDUC nº 77/2024), ou ainda, se o professor teve um ataque cardíaco e foi obrigado, obrigatoriamente obrigado, a se internar para tratamento de saúde, é demitido, perdendo suas aulas, isso é o que se chama de governo de Direita, cujo princípio é o de não querer intervir no Estado, exceto para os fundos partidários que tem que bancar suas campanhas escandalosas.

E não para por ai, já tem como propósito acabar com os cargos (desempregar) os professores da rede pública estadual com a privatização da educação, baseado nos princípios do capitalismo da não intervenção estatal, exceto os fundos partidários, isto é o que se chama governo dos direitista.

No governo do centro, pode ser comparado coma ferrugem, que se agarra ao néctar do erário público, e escorre para o lado que mais pode sustentar os interesses pessoais (fisiologismo) do agente político, indo ora para a esquerda, ora para a direita, ou para o que pagar mais.

No governo de esquerda herdado dos princípios do comunismo e socialismo, não existe no Brasil, porque é inconstitucional, o que vemos é um governo assistencialista, que em nome dos mais necessitados, quer aplicar os princípios do capitalismo para quem não precisa tanto, por exemplo, comprando o interesse dos alunos do ensino médio, esquecendo o seu desprezo pelos milhares de livros didáticos custeado pelo erário público e jogados no lixo.

Portanto cidadãos, não estamos vivendo a Democracia, mas num Estado Democrático de Direito em que os Poderes públicos não sentem o mínimo constrangimento, e desenfreadamente se colocam como o 1º Triunvirato nos Poderes Constitucionais, e o 2º Triunvirato no Poder Legislativo Nacional, formado pelos tais direitistas, centrão e esquerdistas, diante de tamanho escândalo, nos resta parafrasear os poderosos, e dizer: para os cidadãos às favas os “freios e contra-pesos” que sustentam a República democrática.

Por outro lado, se voltássemos nosso olhar para o que realmente somos como Estado de Democrático de Direito, o que viríamos é o sonho da República da igualdade, da fraternidade, da dignidade humana, em que os Poderes legítimos, sem impostores, governada não por esquerda ou direita, e sem a ferrugem central, mas pelos princípios de uma Constituição Social.

Aquela sonha onde se respeita a propriedade privada, ao mesmo tempo, que garante a cidadania e dignidade humana, dentro de uma responsabilidade politica e fiscal na probidade do erário público, se escandalizando pelo evangelho do “se dar bem” pessoalmente sob o manto politiqueiro.

Conclusão:

O que vemos hoje nas discussões de governança pública é o puro ego pessoal do agente político, nos obrigando a suportar o peso da mediocridade miserável que aumenta nosso fardo para sustentá-los, diante dos assombrosos assaltos ao erário público, como por exemplo:

Testemunhamos as improbidades administrativas dos agentes políticos que em nome do socorro ao povo, socorrem a si mesmos com as monstruosas emendas parlamentares, e assim, não há quem socorra a cidadania e a dignidade de quem os elegeram, porque a exemplo dos sacerdotes e levitas corrompidos, que negaram o auxílio ao samaritano, não existe para eles “o meu próximo”.

Mas nós sabemos que isso não será para sempre, porque continuamos mergulhados nos sonhos de nossa Constituição Social, e repetimos a pergunta a nós feita pelo Senhor em nosso íntimo:

Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem
que caiu nas mãos dos assaltantes?”
37Ele respondeu:
“Aquele que usou de misericórdia para com ele”.
Então Jesus lhe disse:
“Vai e faze a mesma coisa
” (Lucas 10,36-37 – 15º Domingo do Tempo Comum – 13 jul. 2025).

E, assim, levantando nossos olhos para cima, saberemos que isso tudo, durará só um momento:

R. Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos:
o vosso coração reviverá!

33Humildes, vede isto e alegrai-vos:
o vosso coração reviverá, *
se procurardes o Senhor continuamente!
34Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, *
e não despreza o clamor de seus cativos. R.

36aSim, Deus virá e salvará Jerusalém, *
b reconstruindo as cidades de Judá.
37A descendência de seus servos há de herdá-las, †
e os que amam o santo nome do Senhor *
dentro delas fixarão sua morada! R.
(Salmo 65 [66] – 15º Domingo do Tempo Comum – 13 jul. 2025).

Todos eles e nós, dizemos acreditar na paz, mas onde praticamos a misericórdia em nossos atos que nos faz afastar dos nossos eus, e interesses pessoais, para reconhecer um sonho de bem comum? Ao invés disso, preferimos atribuir a culpa para a esquerda, ou para a direita, ou dos ferruginosos, para com isso, esquivarmos de nós mesmos como cantaram os Titãs, todos dizem acreditar na paz, mas ninguém faz nada por ela, todos dizer querer a guerra, mas ninguém luta por você.

A morte do que vivia em nós

Nestes tempos de inteligência artificial, de tecnologias 5.0, vivemos diante de dois fenômenos modernos terríveis, a distração total e a perda da memória, que ao invés de nos dar qualidade de vida, distraídos e sem memórias, como armas camufladas em entretenimentos, sorrateiramente mata a essência da vida que existe em cada um de nós.

Estamos sendo atacados sem resistência, pela poluição digital, que produz o chorume da longa exposição ao modo introspectivo a nos levar aos mesmos comportamentos imaginários massivos dos “loucos que constroem castelos no ar”.

Olhe ao teu redor, e veja se há qualidade de vida social produzida pelas tecnologias comparando as diferentes épocas, principalmente, a cultura que preserva a memória, e o espírito de comunidade que garante a nossa saúde pelo reconhecimento do real ante ao imaginário, diante da distração que nos isola.

Se olharmos para o continente europeu, podemos perceber que a primeira memória perdida lá, foi a mesma primeira cultura em nós implantada por eles, a espiritualidade do cristianismo. Vemos a morte da essência que dava vida a um continente, porque lá, tudo passou a ser apenas aparência, e a espiritualidade foi trocada pelo fisiologismo, tornando a construção da vida em sociedade pelo:

modo de proceder e prática de alguns políticos e de certos servidores do Estado que buscam benefícios pessoais em detrimento do interesses públicos (MICHAELIS).

A primeira distração que isso nos causa é a de que a busca frenética pela riqueza, custe o que custar, sendo sustentada pelos políticos que não lutam pelo povo, mas, por seus próprios interesses pessoais, que acaba por matar em nós a essência da edificação comum, e logo pensamos mais ou menos assim: se eles que deveriam ser exemplo agem assim, pelos próprios interesses pessoais, por que não posso ser igual? E ai, um chora da qui e outro chora dali, e o show não para nos Jardins da Babilônia de Rita Lee.

Essa distração mata uma boa parte da essência da vida que há em nós, porque mudamos o nosso olhar para vencer algo que somos derrotados todos os dias, mas ainda assim, todo dia levantamos e lutamos como se estivéssemos enxugando gelo, e vamos perdendo a nossa fé de que alguém possa fazer algo por nós.

Diante desse grande dilema o tema deste artigo hoje, propõe uma restauração da essência da vida que há em nós, sufocada pelos efeitos do fisiologismo e da perda da memória, ou, cultura líquida, causada pela poluição digital das tecnos.

Para isso, devemos fazer uma forte reflexão em nós mesmos para entendermos, afinal, o que devemos acreditar diante dessa crosta vulcânica das aparências irreais produzidas pelas insanas ações cotidianas da busca do ouro, que cada um quer acumular a cada dia defendendo o seu interesse pessoal e desprezando o coletivo?

E essa reflexão começa por um dos primeiros grande mantras recitados infinitamente dentro das grande corporações que é: um colaborador eficaz trabalha em equipe, e não isolado. Assim, também nós devemos pensar que sozinhos socialmente, não somos capazes, precisamos um do outro para melhorar a nossa qualidade de vida onde vivemos.

O segundo passo dessa reflexão e selecionar a fonte das informações que acolhemos, se está contaminada pelo fisiologismo (interesses escusos), ou despedida do impulso humano, constituindo um fundamento que harmoniza o ambiente pelo interesse comum, que chamamos de verdade. E se acreditamos verdadeiramente na verdade reconhecemos que a única fonte é Cristo, porque a verdade humana por sua fisiologia, é maldita: “assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem e que busca apoio na carne, e cujo coração se afasta do Senhor“(Jeremias, 17,5).

O terceiro passo é se superamos isso, e acreditamos que há um Cristo, que é a própria Palavra da Verdade, já superamos o desalento da decepção daqueles que não lutam por nós, e já somos capazes de o escutar:

16 Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: *
vou contar-vos todo bem que ele me fez!
20 Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, †
não rejeitou minha oração e meu clamor, *
nem afastou longe de mim o seu amor!
(Salmo 65 [66] – XIV Domingo do Tempo Comum – 06 jul. 2025)

Ao acolhermos em nós a verdade somos capazes de superar a miséria humana porque nos é dada a promessa de vida pela Verdade que é a própria Palavra:

10 Alegrai-vos com Jerusalém e exultai com ela todos vós, que a amais; tomai parte em seu júbilo, todos vós, que choráveis por ela, 11 para poderdes sugar e saciar-vos ao seio de sua consolação, e aleitar-vos e deliciar-vos aos úberes de sua glória. 12 Isto diz o Senhor: “Eis que farei correr para ela a paz como um rio e a glória das nações como torrente transbordante. Sereis amamentados, carregados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13 Como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei; e sereis consolados em Jerusalém. 14c Tudo isso haveis de ver e o vosso coração exultará, e o vosso vigor se renovará como a relva do campo. A mão do Senhor se manifestará em favor de seus servos”. (Isaías, 66,10-14c – XIV Domingo do Tempo Comum – 06 jul. 2025).

Conclusão:

De forma dissimulada, camuflada, sofremos a cada dia sutilmente, como um câncer invisível, os ataques sutis, na figura do entretenimento midiático que nos mantém entretidos no mundo imaginário, ou, virtual, com isso, apagando a nossa memória, e perdemos a capacidade de formar juízo.

Perdemos nosso senso crítico, que nos levas a nos alimentarmos das inteligências banais perniciosas do fisiologismo, sustentadas pelas inteligências artificiais, neste momento, nos vemos dentro do horror do mundo que para a imaginação nossa é futurista.

Somos convidados a voltarmos à realidade presente e a memória da Nova Aliança, ressuscitando a cada dia o sangue do Senhor que foi derramado por nós (Lucas 22,20-21), por isso acolhamos em nossos corações a Verdade que nos chama :

16 Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: *
vou contar-vos todo bem que ele me fez!
20 Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, †
não rejeitou minha oração e meu clamor, *
nem afastou longe de mim o seu amor!
(Salmo 65 [66] – XIV Domingo do Tempo Comum – 06 jul. 2025).

Assim restabelecemos nossa essência da vida que habita em nós, e no alento dado pela Alegria do Senhor que se tornou nossa força como novas criaturas:

14 Quanto a mim, que eu me glorie somente da cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo. 15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor; o que conta é a criação nova. 16 E para todos os que seguirem esta norma, como para o Israel de Deus, paz e misericórdia. 17 Doravante, que ninguém me moleste, pois eu trago em meu corpo as marcas de Jesus. 18 Irmãos, a graça do Senhor nosso, Jesus Cristo, esteja convosco. Amém! (Gálatas 6,14-18 – XIV Domingo do Tempo Comum – 06 jul. 2025).

Ao contrário, se continuamos mergulhados nas misérias da mediocridade humana, não conseguiremos perceber que suspenderam os jardins da Babilônia, permanecemos a alimentar os desvaneios no caloroso espetáculo do fogo que queima nossas almas, embora não sendo uma atração de circo, vendo o palhaço que ri daqui e outro que chora da li como cantou Rita Lee em Jardins da Babilônia.

Referências:

MICHAELIS. In: Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, Online, Verbete: fisiologismo – Ed. Melhoramentos. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/palavra/AD94/fisiologismo/. Acesso em: 02 jul. 2025.

O escândalo me toma

Vivemos momentos turbulentos, o ódio, o desejo de morte, a declaração aberta para se cometer homicídios, a indiferença dos poderosos, tudo é destruição do bem, em nome do favorecimento pessoal de cada um, o fisiologismo. Parece-nos que o mundo foi sequestrado pelo homem, porque mesmo sendo verme insignificante, se sente deus, capaz de decidir sobre a vida e a morte de cada criatura, a paz e a guerra.

Por que vou temer os dias maus,
quando os maus me cercam e espreitam,
7eles que confiam na sua fortuna
e se gloriam da sua riqueza imensa?
😯 homem não pode comprar seu próprio resgate,
nem pagar a Deus o preço de si mesmo.
9É tão caro o resgate da vida,
que nunca bastará
(Salmo 48 [49], 6-9).

Mas se enganam, porque a força que recobre o mundo não é a força bruta, mas a força fraca, que são chamados de pobres e humildes, como diz a Palavra do Senhor que adverte os seus quando diz que é loucura para os homens 18Pois a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem (I Coríntios, 1,18), diante da insanidade daqueles que pensam que podem rejeitar Deus e manter-se vivo por si mesmo sustentando pelo seu poder miserável e medíocre .

14Esse é o caminho dos que confiam em si,
o destino dos homens satisfeitos.
15São como rebanho destinado ao túmulo:
a morte é o seu pastor,
vão direto para a sepultura;
sua figura se desvanece,
e o túmulo é a sua moradia
(Salmo 48 [49], 14-15).

Não, o papel destes homens agora é destruir os corações, e dilacerar a alma que há em cada um de nós, para que se pareça inacreditável que Deus possa fazer algo por cada um de nós neste momento, e nos revoltemos com a injustiça velada:

10Muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros. 11Vão surgir muitos falsos profetas, que enganarão muita gente. 12A maldade se espalhará tanto, que o amor de muitos se resfriará. 13Mas quem perseverar até o fim, será salvo. 14E esta Boa Notícia sobre o Reino será anunciada pelo mundo inteiro, como um testemunho para todas as nações. Então chegará o fim.”(Mateus 24,10-14)

Assim, a arrogância, a determinação em destruir, o ódio daqueles que sentem o poder controlador do mundo, se revela como meio de fazer com que todos nós percamos esperança em Deus, porque sobre a rejeição ao Cristo para esse momento fomos alertados fomos alertados pelo próprio Cristo:

“O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. 23Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lucas 19,22-24 – 12º Domingo do Tempo Comum – 22 jun. 2025).

Por isso, devemos desprezar o fisiologismo das nações, que tentam dividir os despojos dos mortos, para vermos tão somente que somos uma única nação, a nação de Cristo, selados pela Aliança que Deus fez com Abrahão, eternizada pelo Sacrifício Perpétuo de vosso Filho Jesus.

26Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. 27Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. 28O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo. 29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl 3,26-29 – 12º Domingo do Tempo Comum – 22 jun. 2025).

E esta é a promessa que Deus nos fez quando testemunhamos tamanhã maldade e injustiça do mundo:

7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar?

8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lucas, 18-7-8).

Conclusão:

Não fecheis o vosso coração, não se escandalize, não se revolte, mas conservai-se na paz que o Senhor lhe garante : 14Espere no Senhor, seja firme!
Fortaleça seu coração e confie no Senhor!
(Salmo 27,14),

Não perca a tua essência, a tua alegria do viver, não deixe a mediocridade humana tomar conta do teu coração, mantenha a fé, como cantou Bom Jovi keep the faith:

A justiça que há em mim

O presente artigo traz como tema para debate a equidade como justiça perfeita, diante da iniquidade causada pelas imperfeições humanas, visto que embora o homem não sendo perfeito, todos querem serem justos, contudo pouco seguem a equidade, e já miram em escala massiva, a exemplo do exegetismo empírico de Napoleão, a aplicação pela inteligencia artificial, da justiça pela igualdade.

A maioria das pessoas buscam a justiça pela igualdade das pessoas, esquecendo-se da equidade, e medem suas ações, partindo da ideia de que todos são iguais, ao passo que a equidade nos revela a nossas imperfeições, que impede que alcancemos a justiça real.

O igualitarismo da ideologia capitalista é uma de suas forças, que não se deve descartar levianamente. Desde a mais tenra infância, as pessoas aprendem por todos os meios concebíveis que todos têm oportunidades iguais e que as desigualdades com que se deparam não são o resultado de instituições injustas, mas de seus dotes naturais superiores ou inferiores (BARAN; SWEEZY apud MÉSZÁROS, apud AZEVEDO, 2013, p. 129).

Sem dúvida é importante que, na ordem de mercado […], os indivíduos acreditem que seu bem-estar depende, em essência, de seus próprios esforços e decisões […]. Por isso tal crença é freqüentemente encoraja-da pela educação e pela opinião dominante (HAYEK, apud AZEVEDO, 2013, p. 129).

Mas se a justiça não se alcança pelo Princípio da Igualdade, que prega que todos são iguais perante a lei, já na contradição da própria sociedade que cobra o respeito às diferenças da personalidade humana, fazendo com isso, que já nos deperemos com certa desarmonia (iniquidade) na justiça humana, levando-nos a perguntar: será que é esta justiça que queremos de verdade?

A sensação de injustiça pela aplicação estatal da igualdade, nos é evidenciada diante da experiência de muitas pessoas ao saírem dos tribunais lamentando que: aqui, é a (in)justiça dos homens, mas ela espera a justiça de divina.

Se devemos olhar para a equidade ao invés da igualdade, precisamos também mudar nosso olhar para a forma com que praticamos a justiça, pois quando falamos de igualdade, logo temos em mente que trata-se de um preceito que deve ser aplicado a todos.

Mas se olharmos para a equidade como modelo de justiça, ao nos encontrarmos dentro de um ambiente coletivo, o primeiro Princípio é o da Cidadania, ou seja, que tenho por certo, que não é preciso que o Estado me obrigue a respeitar o tratamento igualitário, pois, eu mesmo tenho por mim, o meu dever de zelar pela Justiça e bem comum.

A equidade não compreende um valor jurídico, mas sobretudo o alcance da justiça perfeita que se confunde com a Arte, por exemplo: se eu sou músico, e quero criar uma canção, ela tem por base os princípios da harmonia, cadência, que por sua vez, seguem a escala cromática das notas músicais.

Se decido compor uma música na escala de Dó (C), no entanto, nego a existência do Sol (G) na harmonia, e dizendo ser minha arte, por isso, farei do meu jeito, substituindo o Sol pelo Si Maior (B), na cadência, o som vai soar estranho, meio desafinado, pois, é um som de iniquidade, isto é de imperfeição na arte.

Ou ainda se quero reunir os números inteiros ímpares, de 0 a 7, (1, 3, 5 e 7) mas, por estabelecer o meu jeito, e querer nesse meio incluir o que considero mais belo, e,resolvo colocar o 2, eu nego a mim mesmo, pois quebro os princípios da harmonia natural das coisas, não há equilíbrio, há desarmonia, ou, iniquidade.

A equidade, portanto e compromisso que guardamos no nosso íntimo da realização da justiça, sem que sejamos forçados a cumprí-la, mas pelo desejo de produzir a todo o instante a arte da criação, tendo por base a Sabedoria que criou todas as coisa numa canção de um só verso, que quer dizer, o Universo:

Assim fala a sabedoria de Deus: 22“O Senhor me possuiu como primícias de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; 23desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra. 24Fui gerada quando não existiam os abismos, quando não havia os mananciais das águas, 25antes que fossem estabelecidas as montanhas, antes das colinas fui gerada. 26Ele ainda não havia feito as terras e os campos, nem os primeiros vestígios de terra do mundo. 27Quando preparava os céus, ali estava eu, quando traçava a abóbada sobre o abismo, 28quando firmava as nuvens lá no alto e reprimia as fontes do abismo, 29quando fixava ao mar os seus limites – de modo que as águas não ultrapassassem suas bordas – e lançava os fundamentos da terra, 30eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, 31brincando na superfície da terra, e alegrando-me em estar com os filhos dos homens” (Provérbios, 8, 22-30 – Festa da Santíssima Trindade – 15 jun. 2025).

Quando alcançamos a harmonia do bem comum, nos encantamos com as obras da criação e cantamos nosso louvor à Criação:

Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!

– Contemplando estes céus que plasmastes e formastes com dedos de artista; vendo a lua e estrelas brilhantes, perguntamos:” Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”

– Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poderes sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes:

– As ovelhas, os bois, os rebanhos, todo o gado e as feras da mata; passarinhos e peixes dos mares, todo ser que se move nas águas (Salmo 8, 4-5.6-7.8-9 – Festa da Santíssima Trindade – 15 jun. 2025).

Conclusão:

Se desenvolvemos em nosso íntimo o desejo da Justiça, nos tornamos amigos da equidade, e todo o nosso ser, já não mais sente outro prazer a não ser, realizar, sem que nos seja imposto por lei, a Justiça perfeita, que por efeito, nos coroa com a justificação, isto é, embora imperfeitos, a harmonia das nossas obras, apagam os desafinos da nossa arte, pelo acabamento Divino:

1Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 3E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, 4a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; 5e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Romanos 5,1-5 – Festa da Santíssima Trindade – 15 jun. 2025 ).

Já não precisamos mais de leis incompletas, pois, em nós toda a lei já é cumprida naturalmente, inspirada em nossos íntimos pela Sabedoria plena, como um pão que nos alimenta do céu, pelos canais de um rio, que nos deixa até constrangidos a questionar: Senhor, que é o homem, para assim dele vos lembrardes e tratardes com tanto carinho?, ao ponto de se encarnar e habitar no meio de nós com a própria Sabedoria encarnada:

12“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu (Jo, 16,12-15 – Festa da Santíssima Trindade – 15 jun. 2025)

Neste louvor da criação lembramos a perfeição das obras da criação na Arte Ozark Moutain Daredevils you made it right:

Referências:

AZEVEDO, Mário Luiz Neves de. Igualdade e equidade: qual a medida da justiça social? In Avaliação, Campinas; Sorocaba, SP, v. 18, n.1, p.129-150, mar. 2013. Disponível em https://www.scielo.br/j/aval/a/PsC3yc8bKMBBxzWL8XjSXYP/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 11 jun. 2025.

A Paz na cidade

Vivemos dias em que políticas públicas de segurança urbana, se transformaram em moeda de voto eleitoreiro, cujos governantes, ao invés de buscarem a paz social, banalizam o direito à vida, estimulando tiroteios em episódios diários de faroeste urbano, querendo com isso se tornarem os heróis do populismo, mesmo sem trazer a Paz na cidade, isto é, sem alterarem a realidade violenta das cidades.

Diante dessa dura realidade, nos voltamos às Palavras precedentes da apresentação do novo Papa Leão XIV, para que agora, suscite em cada um de nós, a Paz e a Segurança provinda de um Coração que é manso e humilde: “A paz esteja contigo!” Receba-a e você se conservará na Paz que o mundo não te dá: “27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (João, 14,27 – 6º Domingo da Páscoa – 25 mai. 2025).

Se guardarmos em nós a Paz que vem de Deus, já não precisaremos mais das políticas demagógicas de segurança pública, que só incentivam a violência urbana com perseguições, morte por balas perdidas em tiroteios públicos, ações de ódio e discriminação, porque a partir de nós, poderemos semear a Paz:

Diferentemente do que costumamos associar, a paz não está presente apenas na relação entre os Estados Nacionais. Pelo contrário – a paz começa nas cidades, em suas esquinas, na residência de seus habitantes. Decorre daí o primado do “direito à segurança”, que representa o direito fundamental de cada indivíduo viver livre de ameaças, violência e perigo, independentemente da origem, raça/cor, orientação sexual ou idade. Esta premissa abrange a segurança física, emocional, social e econômica e, ao mesmo tempo, a vida em comunidade, com as pessoas usufruindo do direito à cidade (MORAES, 2024, p. 1).

Somos chamados à edificação da paz desde os primeiros tempos, quando Aristóteles já nos dizia que a família é a célula da sociedade, e se a família vai bem, o Estado vai bem, e, hoje, complementada pelas palavras do Papa Leão XIV, na audiência com os chefes de Estado, quando falou-lhes da importância da família constituída entre o homem e a mulher, tendo por valor fundamentar na sua condição de anciã, porque é a mais antiga e primeira forma das relações sociais, se completando ainda pelas palavras do Papa João Paulo II quando nos escreveu dizendo:

Dentre essas numerosas estradas, a primeira e a mais importante é a família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se. Com efeito, normalmente ele vem ao mundo no seio de uma família, podendo-se dizer que a ela deve o próprio facto de existir como homem. Quando falta a família logo à chegada da pessoa ao mundo, acaba por criar-se uma inquietante e dolorosa carência que pesará depois sobre toda a vida (PAPA JOÃO PAULO II, 1994).

É nesta paz que no munda não nos dá, mas, provém do Coração que é manso e humildade, a que hoje somos chamados a permanecer como família, capazes de construir um alicerce forte como pedra, a sustentar nossas casas, e com outras famílias fortes, vilas, cidades, estados e nações: “23Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.” (João, 14,23-25- 6º Domingo da Páscoa – 25 mai. 2025).

Se permanecemos edificamos um alicerce firmes, construímos além das estruturas das cidades, também os muros de Sião, também simbolizada pela Mulher, ao qual nos foi feita a promessa de nos tornarmos cidadãos, desde os tempos mais antigos que agora nos é mostrada no futuro:

10Um anjo me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino. 12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. 13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente.14A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. 22Não vi templo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. 23A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro (Apocalipse, 21,10-14.22-23- 6º Domingo da Páscoa – 25 mai. 2025).

Conclsuão:

Assim, poderíamos perguntar o que você faz pela paz? E a resposta seria: se guardamos a paz, lembramos que somos alguém na cidade que estrutura a sua paz, porque ama ao Senhor e guarda a sua Palavra: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (João, 14,23 – 6º Domingo da Páscoa – 25 mai. 2025).

Do contrário, se não guardamos as palavras assim como os governantes populista, falamos de paz que o mundo não têm, pois, ela só está em nossa boca sem estar na nossa prática diária, assim, falamos da paz, não não fazendo nada pela paz, como cantou os Titãs em Pela Paz, você espera sempre mais, você não se conforma, mas, você acredita ou não, e então, o que você faz pela paz?

Referências:

MORAES, Paulo. A paz começa nas cidades. in Opinião – Folha de Pernambuco, 13/11/24. Disponível em https://www.folhape.com.br/noticias/opiniao/a-paz-comeca-nas-cidades/372202/ . Acesso em 21 mai. 2025.

PAPA JOÃO PAULO II, Gratissiman Sane. In Carta às famílias, 1994 – Ano da Família. Disponível em :https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1994/documents/hf_jp-ii_let_02021994_families.html. Acesso em 21 mai. 2025.

Projeto de vida

No próximo domingo 18 de maio de 2025, somos convidados a olhar para o nosso Projeto de Vida, com perguntas como: eu trabalho para que? O que quero fazer da minha Vida? Aonde eu quero chegar um dia? O que espero do futuro?

O projeto de vida é fundamental para que nós tenhamos solidez nos propósitos da nossa realização pessoal e profissional, pois, do contrário, tudo o que construirmos será volátil e casual, e não encontraremos o sentido da nossa vida, como cantou o U2 em Still haven’t found what I’m looking for (Eu ainda não encontrei o que estou procurando).

A primeira coisa que devemos ter em mente quando pensarmos sobre o nosso projeto de vida, é que ele deve ser de longo prazo, isto é, acompanhar toda a nossa vida. E, a segunda coisa, é que nós não conseguimos realizá-lo sozinho, isto é, por nós mesmos, precisamos de parcerias.

O primeiro parceiro que devemos eleger é a Sabedoria, pois é ela quem poderá nos dar toda a estrutura que construirá o nosso projeto, aí já não estamos mais sozinhos, somos: Eu e a Sabedoria. Mas, como nós não dominamos a Sabedoria, ao contrário, é ela quem nos domina, a condição básica para que o nosso Projeto de Vida de certo, é que devemos aceitar a proposta que ela nos faz da sua amizade conosco, e, para isso, ela exige de nós que façamos um acordo, que no termo mais correto é: uma aliança de amizade.

Essa amizade é como um casamento, porque a aliança com a Sabedoria terá por alimento o próprio amor, e como o nosso projeto de vida é de longo prazo, esta aliança não deve ser quebrada porque correremos o risco de ruir todo o sentido da nossa vida ao mergulharmos na escuridão, porque a Sabedoria não aceita divórcio consensual.

Vivendo esta amizade, já é possível executar as primeiras ações de nosso projeto de vida, tendo em mente que o trabalho não é fácil, e que para isso, a nossa amizade será desafiada ao máximo expondo-se ao risco de quebrar a aliança, por isso a Sabedoria vem nos exortar a permanecemos firmes:

Naqueles dias, Paulo e Barnabé 21bvoltaram para as cidades de Listra, Icônio e Antioquia. 22Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (Atos 14, 21b-22 – 5º Domingo da Páscoa – 18 mai. 2025).

A dor ou sofrimento não é um preço que temos de pagar, mas sim, o esforço normal de qualquer trabalho ao qual nos determinamos a realizar como condição de vida, e, se o fazemos na amizade com a Sabedoria, o resultado deste trabalho não representará apenas a nossa realização pessoal, mas revelará ao Universo, a Arte da Sabedoria em nós:

– Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

R: Bendirei o vosso nome, ó meu Deus, meu Senhor e meu Rei para sempre.

– Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração. (Salmo 144 [145] – 5º Domingo da Páscoa – 18 mai. 2025).

E sentindo em nós a grande alegria de vermos o nosso (e não meu) projeto se realizando, criamos a certeza de que valeu apena todo o nosso esforço, e que a nossa força poderá fazer muito mais, porque juntos, já não existe limite em nós, ao ver que o nosso projeto de vida, se tornou parte da construção da Cidade santa, que é eterna:

Eu, João, 1vi um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. 2Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido. 3Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles. 4Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”. 5Aquele que está sentado no trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas”. Depois, ele me disse: “Escreve, porque estas palavras são dignas de fé e verdadeiras” (Apocalipse 21, 1-5a – 5º Domingo da Páscoa – 18 mai. 2025).

Conclusão:

Diz o sábio que quando desistimos de um projeto, não traímos a nós, mas traímos a todos, por isso, o nosso projeto de vida deve ser bem delineado compondo-se em nós, uma aliança indelével, isto é, inquebrável, pois é a nossa própria razão de viver. E, se estamos na amizade com a Sabedoria, somos como a árvore bem regada a produzir frutos e espaços para que os passarinhos façam seus ninhos.

Nesta amizade a Sabedoria te revelará que a dor e sofrimento não é um custo necessário para o sucesso, mas sim, o próprio alimento que te tornará forte como o concreto que edifica as colunas angulares da tua casa: “faça do teu trabalho o teu divertimento” (Felix Guisard), por isso, alegre-se e aguente firme, porque “Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis” (Santa Terezinha), renove tuas forças e, não quebre esta aliança, como cantou R.E.M em everbody hurts.