O sonho de superação

Diante de notícias tão graves, apresentamos uma proposta que possa abrir novas perspectivas e esperanças para seguir em frente.

Foto:Couleur

Apresentamos neste vídeo uma comparação sobre o problema da irreversabilidade dos biomas no Planeta e as propostas de solução a partir das pesquisas que fizemos publicadas em duas oportunidades diferentes.

Semana do Advogado

A 229ª SubSeção da OAB-SP estará no período de 09 a 13 de agosto comemorando a semana do Advogado, nós convidamos você porque é uma grande oportunidade para o cidadão descobrir que o Advogado não é alguém que está para brigas judiciais, mas, sim, para o sagrado grito da democracia chamado de Direito de Petição.

O Advogado é um parceiro ao teu lado diante de tantos aviltamentos dos direitos básicos do cidadão pelo serviço público que sob o princípio de que o Estado está acima de tudo, não tem muita preocupação com a qualidade da prestação do serviço público, que deveria significar a efetividade da cidadania mais em muitos lugares significa favores de vassalagem, isto é, oferta de misérias estatais como favor para autopromoção politiqueira.

Estaremos nessa semana tentando levar para você nesta semana do Advogado, a dignidade do múnus público do Direito de Petição, porque o advogado, não é o profissional do direito, mas sim, o fiel escudeiro da Justiça, por isso, essencial para a efetividade dela diante de tantos abusos e descasos públicos.

Começamos na segunda com o tema: Sou essencial para a administração da Justiça, sou advogado.

Para quem quiser acompanhar o link da live é o seguinte: https://oabsp-org-br.zoom.us/j/85380132326.

Semana do Advogado

Na segunda 09/08 nossa abertura:

Ocasião também de pré-lançamento de nossa obra

A trinca nos Poderes constitucionais: de cidadão ruindo para a escravidão

O presente artigo denuncia o recurso usado pelos administrador da lei para bular a cidadania e substituí-lo pela vantagem pessoal.

Entres os valores constitucionais do Brasil, três dispositivos se revelam como o sonho mais belo de uma Nação, sendo eles:

a) A sociedade constituída sobre a pedra da Dignidade (Art. 1º, III da Constituição da República/88), significando isto, que a menor de todas as vidas, tem de ter (…e não… deve ter, ou….pode ter), a mesma importância que a maior de todas.

b) A sociedade é constituída sobre a pedra da Cidadania (Art. 1º, II da Constituição da República/88), significando que todos são responsáveis pelo bem estar recíprocos, de forma que cada um tem o compromisso de respeitar o direito do outro naturalmente, isto é, sem a necessidade do credor, reclamá-lo ao Estado contra o devedor, constituindo a Ordem Social.

c) Os sagrados direitos Constitucionais não podem ser corrompidos pela conveniência dos administradores da Lei (Art. 37, cabeça, da Constituição da República), significando que o Direito deve se efetivar em Justiça, não se favorecendo direito de aparências de regularidade, que distancia a cidadania da Justiça.

Se a Sociedade Brasileira está formada sobre uma estrutura tão preciosa, a fazer inveja para nações mais afortunadas, porque está se vivendo o caos, em que, ao invés da cidadania, se testemunha como se fosse lixo, como que se ninguém percebesse, pessoas a morrerem na rua por falta de um leito, ou sem recursos para comprar um pão, humilhando-se em seus suplícios com esmolas do Estado que se quer alcançam 20% da promessa constitucional da dignidade do salário mínimo (Art. 7º, IV da Constituição da República/88)? A resposta é uma dura realidade, os Poderes da República estão trincados.

Ilustração: PellissierJP

O Foco da Crise Institucional

Se o interesse público constitucional é a efetivação da cidadania, formando-se a unidade republicana, e, a cidadania é o reconhecimento espontâneo do direito do outro (Art. 37 da Constituição da República/88), logo haverá crise institucional, quando não há esse reconhecimento espontâneo do interesse público, e se não há o reconhecimento espontâneo do interesse público, é porque está havendo a prevalência do interesse particular de alguém que resiste em reconhecê-lo, represando para si, os bens construído para toda a sociedade, desequilibrando a igualdade.

Da usurpação do Direito pelos administradores

A quebra da cidadania se dá pela prevalência do interesse particular sobre o interesse público, o que se costuma chamar de ato não republicano ao substituir o resultado da expectativa da Justiça da cidadania e dignidade, por uma operação de Direito puramente burocrática, o “direito de aparências” que não tem a dignidade do “santo do pau oco” ou “para inglês vê” de nossos antepassados.

Assim, no papel ou, o que ele chama de prestação de contas, parece que o administrador está agindo certo, mas, os efeitos administrativos, que deveria resultar no princípio da eficácia administrativa (Art. 37 da Constituição da República/88) se revelam contra a dignidade e cidadania, ou, não republicanos, pois, atendem apenas núcleos segmentados, transformando o Direito em correntes duras que transformam os cidadãos em escravos tolhidos da mínima dignidade, na injustiça do “olho por olho” que culmina na desordem social.

O Direito escravizante da injustiça do “olho por olho”

A injustiça do “olho por olho” é aquela em que sem o reconhecimento espontâneo do direito do outro, o cidadão se torna escravo, sob um “direito de aparências” onde cada um chora o seu leite derramado, e no lugar da dignidade, o que recebe sempre são esmolas como favores do seu suplício, e no lugar da unidade republicana o que se tem é cada um por si, ou olho por olho, como canta Rita Lee:

Quem não chora dali, não mama daqui, diz o ditado.
Quem pode, pode, deixa os acomodados que se incomodem
(LEE e MARCUTTI, 1978)1

Se o princípio que norteia os administradores do Direito é o de cada um por si, o administrador não será capaz de reconhecer o interesse público da unidade que estrutura a cidadania (Art. 37 da Constituição da República/88), substituindo a eficácia da lei, pela burocracia do direito aparente, como forma justificadoras dos atos segmentadores, o que pode ser chamado de corrupção da lei.

Alguns exemplos da corrupção do Direito pelas Instituições que substituem a unidade cidadã, pelo “quem pode, pode” sob a conveniência do direito das aparências:

Depois da denúncia de que desembargadores teriam recebido propina de R$ 1,5 milhão do padre Robson de Oliveira para favorecer decisões em um processo que envolveu a compra de uma fazenda, a juíza Placidina Pires, responsável pelo caso no Tribunal de Justiça de Goiás, encaminhou os documentos para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) apurar o suposto favorecimento ilícito (OLIVEIRA, 2021, p. 1)2

Temos de ter cuidado porque quase sempre tiramos conclusões erradas, ao reagirmos contra o comportamento ético dos protagonistas, quando na verdade deveríamos procurar entender o que falhou na lei, no direito a causar injustiça.

Quem pode, pode.

Ao mudar o nosso olhar, vamos perceber, primeiro, que o corruptor, que tinha por ofício o compromisso da Verdade, optou pela mentira (faz de conta que sou representante da verdade) sob um direito aparente. Por segundo, os favorecimento em decisões quem julga é porque quem julga afastou-se do dever da eficiência e legalidade do Art. 37 da Constituição da República/88, na preservação no interesse comum cidadão, para, sob a corrupção do direito, emitir decisão de juízo aparente, ou com a chancela oficial pelo tribunal.

Assim somos capazes de entender que o que se falhou foi que se um dia Montesquieu pensou em freio e contrapesos, a Constituição Cidadã do Brasil, criou um gatilho de garantia no seu Art. 37 para que a unidade cidadã se desse sob o interesse público, mas os poderes meticulosamente aprenderam a burlar esse gatilho, em governos sem transparência, substituindo a aplicação geral da lei, pelo entendimento pessoal do julgador, ou, pelo governo particular, ou, pela lei sob encomenda como se confirma abaixo:

O direito burocrático no poder judiciário, aprisionando a justiça

Quatro desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro foram presos por suspeita de receber propina para favorecer organizações sociais da saúde e do transporte que foram banidas de assinar contratos públicos. De acordo com as investigações, também fariam parte da suposta quadrilha advogados e parentes dos magistrados. No total, a operação prendeu 12 pessoas. As prisões são um desdobramento da operação que afastou do cargo o governador Wilson Witzel (JR NA TV, 2021, p.1)3.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ordenou a prisão de duas desembargadoras do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), nesta segunda-feira (14), por venda de sentenças. A ordem do ministro Og Fernandes faz parte da Operação Faroeste, que investiga um esquema de venda de sentenças no tribunal baiano que teve sua quinta fase deflagrada hoje (MENDES, 2020, p.1)4.

O direito burocrático no Poder Executivo tornando o cidadão escravo no desprezo da vida

A CGU (Controladoria Geral da União) divulgou, nessa 2ª feira (1º.mar.2021), um balanço das investigações de irregularidades na aplicação de recursos federais em ações de enfrentamento à pandemia por Estados e municípios.

O órgão estima um prejuízo potencial de R$ 125,9 milhões pelo desvio de verbas. O prejuízo efetivo, já confirmado pelas apurações, é de R$ 39,1 milhões. Desde o início da pandemia, a CGU atuou em 51 operações em conjunto com a Polícia Federal e Ministérios Públicos (RODRIGUES, 2021, p.1)5

O direito burocrático no Poder Legislativo transformando o interesse público em balcão de negócios privados

Bom lobista, dizem os especialistas no assunto, é aquele que consegue articular interesses em qualquer área de influência sem nunca se expor, passando quase despercebido. Essa ideia talvez explique o gigantismo dos investimentos nesse setor, especialmente por parte das grandes empresas. Elas transformaram o mercado dolobbyem Brasília numa verdadeira feira de ofertas, com distribuição de vantagens e “brindes” que podem ir de uma caixinha de bombons até um videocassete ou um valioso quadro de arte (JORNAL DO BRASIL apud SENADO, 1987)6.

Ou ainda:

O senador Chico Rodrigues (DEM), flagrado com R$ 33 mil na cueca durante operação da Polícia Federal, retornou ao Congresso Nacional nesta quinta-feira, 18, após licença de 121 dias para, segundo justificativa, tratar assuntos pessoais. Em uma publicação nas redes sociais, o parlamentar informou que encaminhou uma carta aos colegas do Senado Federal com explicações sobre o episódio, ocorrido em outubro do ano passado. Ele descarta ter cometido irregularidades e diz que ficou em pânico, temendo que fosse uma quadrilha criminosa. “Confesso que, em um dado momento, em meio ao transtorno, fiquei mesmo em dúvida se se tratava de uma operação policial ou de ação de uma quadrilha especializada. Estava dominado pelo pânico e pelo medo ( JOVEN PAN, 2021, p.1)7.

Conclusão

Há uma trinca nos Poderes Constitucional que além das fronteiras públicas afetam também as instituições privadas pela conveniência da concentração de poderes nos administradores sob a forma de interesse corporativista ou fisiologista (pessoal), que transforma a Justiça da unidade cidadã, em prisioneira do direito aparente em segmentos, ou partidarismos.

Haveria solução?

A solução não exige instrumento novo, ou engenhosidade tecnológica, mas sim, amor pela Justiça ao ponto de se tornar inaceitável:

a) a decisão do Poder Executivo, ausente do gatilho do Art. 37 da Constituição da República/88), que torna letra morta a Tríade Orçamentária, com o cumprimento apenas aparente, substituída pelo poder concentrado do “meu governo” do administrador.

b) A decisão do Poder Judiciário, ausente do gatilho do Art. 37 da Constituição da República/88, que torna letra morta o princípio do livre convencimento do Juiz, comprometendo a eficácia da Justiça pela burocracia processual do poder concentrado do juiz que profere a sentença “no meu entendimento”.

d) A decisão do Poder Legislativo, ausente do gatilho do Art. 37 da Constituição da República, que substitui o interesse público da lei, pela concentração do poder sob a lei “pelos meus eleitores”, “pelo meus filhos” “pelo meu partido” do administrador.

Diante disso, haveria homem capaz de amar a Justiça para a efetiva cidadania? Ou seria mais conveniente a indignidade como cidadã do direito aparente? Mas, se o poder concentrado já caiu uma vez, para aqueles que creem na Justiça, há um consolo, o canto de Chico Buarque:

Hoje você é quem manda,
falou, tá falado,
não tem discussão.
A minha gente hoje anda
falando de lado,
e olhando pro chão, viu.
Você que inventou esse estado,
e inventou de inventar
Toda a escuridão.
Você que inventou o pecado
esqueceu-se de inventar
o perdão
(BUARQUE, 1970)8.

1LEE, Rita e MARCUTTI, LEE. Jardins da Babilônia. In Album Babilônia, Som Livre, 1978. Disponível em https://youtu.be/q4ijItKsLv8 . Acesso em 09 mar. 2021.

2OLIVEIRA, Rafael. Juíza envia documentos dos processos do padre Robson para o STJ apurar suposta propina a desembargadores. In Goías: G1-TV Anhanguera, 08/03/2021. Disponível em https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2021/03/08/juiza-envia-documentos-dos-processos-do-padre-robson-para-o-stj-apurar-suposta-propina-a-desembargadores.ghtml. Acessso em 09 mar. 2021.

3JR na TV. Quatro desembargadores do Rio são presos por suposta venda de sentenças no governo Witzel. In JR 24h, 02/03/2021. Disponível https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/quatro-desembargadores-do-rio-sao-presos-por-suposta-venda-de-sentencas-no-governo-witzel-02032021. Acesso em 09 mar. 2021.

4MENDES, Guilherme. STJ prende desembargadoras da BA por venda de sentenças. In Congresso em Foco, 14/12/2020). Disponível em https://congressoemfoco.uol.com.br/judiciario/stj-desembargadoras-tjba-faroeste/. Acesso em 09/03/2021.

5RODRIGUES, Fernando. CGU estima prejuízo de R$ 126 milhões em desvios de verbas da pandemia. In Poder 360 02/03/2021. Disponível em https://www.poder360.com.br/governo/cgu-estima-prejuizo-de-r-126-milhoes-em-desvios-de-verbas-da-pandemia/. Acesso em 09/03/2021.

6SENADO FEDERAL. Loby da festas e presente e desnuda o poder. In Jornal do Brasil, Política, 02/08/87. Disponível em https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/134497/Agosto%2087_%20-%200010.pdf?sequence=3. Acesso em 09/03/2021

7JOVEN PAN. Chico Rodrigues volta ao Senado e diz que confundiu ação da PF com quadrilha. In Jornal da Manhã 19/02/2021. Disponível em https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/chico-rodrigues-volta-ao-senado-e-diz-que-confundiu-acao-com-pf-com-quadrilha.html. Acesso em 09 mar. 2021.

8BUARQUE, Chico. Apesar de você. In Poligram-Phillips: Lado B, 1970). Disponível em https://youtu.be/LZJ6QGSpVSk. Acesso em 09 mar. 2021.

Dia internacional da Mulher

Homenagem à Mulher

No dia de consciência pelo valor da Mulher, somos convidados a compreender que o Mundo não deve acreditar que a Mulher deva ter direitos, porque ainda que ela tivesse todos os direitos, o que testemunhamos como nos já existentes, não são suficientes para a efetivação da Justiça.

Assim, neste dia, esperamos que o Mundo desperte para a grandeza, a honra, a beleza, a suavidade, a certeza, a força, a lealdade, o valor maior, embebendo-se em ternura, capaz de gerar no íntimo de um coração anestesiado por tantas indiferenças, a iniciativa real capaz de garantir a Dignidade do ser Mulher, como meio de se alcançar o seu reconhecimento em grau de Justiça.

Ilustração: Darksou1-pixabay

A Ética e a Justiça na linguagem comum do Cidadão

Se temos em nós o desejo de Justiça, é porque ela provêm de um senso ético que reside no íntimo de cada criatura, isto é, não são princípios inventados pela espécie humana, mas um senso natural de equilíbrio de tudo o que é vida.

Assim, esse senso ético natural em seu estado abstrato, isto é imaterial, é como se fosse um propulsor, um projeto na prancheta, a alavancar as ações de cada criatura cujas obras se harmonizam com o ambiente em realidade, ou materialidade, tornando-se uma estrutura ou estética, revelando-se a realização da justiça (material – estética) como resultado da ética (imaterial ou espiritual).

Com isso, é possível se definir o conceito de Justiça que está no âmago de todas as criaturas, como a obra resultante de uma vida em interação com o ambiente, cujo resultado, ou, estruturas estéticas refletirá em harmonia com o mesmo ambiente, como uma brisa de paz e equilíbrio, pois, o ato beneficiou a todos, ao ponto de ser chamado de bem comum, ou interesse público.

E todas as criaturas que estão sob o céu, cada uma a seu modo, servem a seu criador, o conhecem e lhe obedecem melhor que tu. E mesmo os demônios não o crucificaram, mas tu, com eles, o crucificastes e o crucificas ainda, deleitando-te nos vícios e nos pecados. De que podes gloriar-te? 5ª Admonição (MATURA, 1999, p. 25)1

Diferentemente dos conceitos humanos a ética, ou senso, de Justiça não é algo que dever ser medido por critérios subjetivos do que é certo, ou, do que é errado, pois, considerando a sua imaterialidade, ou espiritualidade, não se é passível de mensuração do Espírito, sendo consagrado cada ato como justo, na medida que o resultado dela abraça a harmonia perante a cada criatura do ambiente, e, injustiça quando o resultado dela só beneficia o autor do ato, excluindo a todos.

Assim, ao se falar nessa harmonia com o ambiente, quer-se dizer Justiça pois, a obra realizada ao ser dotada de harmonia se comporta como uma arte, que o homem chamaria de poesia, porque traz uma brisa de paz e equilíbrio aquele ambiente, possibilitando a evolução da vida pela inovação, ou, a criação de uma nova vida pelo invento, que o egoísmo humano ao invés de chamar de índice de desenvolvimento da vida, apropria-se indebitamente dele como se fosse somente seu, isto é, só humano, para chamá-lo de índice de desenvolvimento humano (IDH) como já advertia-nos São Francisco de Assis:

Esses conceitos nos são melhores ensinados pela jovem e bela, de apenas 24 anos, Doutora da Igreja, Santa Terezinha do Menino Jesus, que a Língua Portuguesa parece não ser muito fiel a tradução do sentido de seu nome, já que na original Francesa, é chamada de Infante, por isso, peço a Ela permissão para lhe chamar de Santa Terezinha do Deus Criança, já que a Trindade e constituída por um Deus Pai, um Deus Filho e um Deus Criança – Espírito Santo, que o sobre da Ética de Justiça disse:

Vejo sempre o lado bom das coisas. Existem aqueles que olham as coisas de tal modo que sofrem mais. Para mim é o contrário. Se só tenho o puro sofrimento, se o céu está de tal modo negro que não vejo nenhum clarão, pois bem, faço disso minha alegria (CA 27.4.6)(LIMA, 2004, p. 10).2

Os ensinamentos desses preceitos significam para o homem, hoje, que ele é impaciente, que ele não acredita no tempo da vida mesmo ele vendo que uma feto tem um tempo de gestação, uma ferida tem um tempo de recuperação, uma semente tem um tempo de geminação e depois de frutos, e, quando esse homem, se vê diante de uma adversidade, ele quer tomar o lugar da Ética, e ele mesmo constituir um Direito, apressando-se o tempo, como já advertia São Francisco de Assis:

Eu te digo que se guardo a paciência e não sou abalado, que nisso está a verdadeira alegria, a verdadeira virtude e a salvação da alma (ou realização da Ética de Justiça – acrescentamos) (MATURA, 1999, p. 39, opus cit.).

Essa reação afoita humana, é um sinal de desconfiança na Ética, e, se colocando acima dela, de apressamento do direito, e o grande erro que se revela nessa atitude é o de que, a ansiedade motivadora, não é o bem comum, ou harmoniosa que vem da Ética pois, ela é substituída pelo interesse humano, como nas advertências de São Francisco:

Só um demônio conheceu coisas celestes e agora conhece das coisas terrestres mais que todos os homens.

Do mesmo modo, se fosses mais belo e mais rico que todos e mesmo se fizesses maravilhas a ponto de pôr em fuga os demônios, tudo isso é contra ti e isso não te pertence em nada e de nada disso podes gloriar-te. (Ibid. p. 30-31)

O exemplo mais clássicos dessa vaidade de querer controlar a Ética, podemos trazer de Sara, nas Escrituras Sagradas (Gênesis, 16), pois, Deus ao prometer a Abrahão uma descendência, ela, afoita, quis dar a solução humana substituindo a Ética pela sua inteligência, (o bem pessoal sobrepondo-se ao bem comum) cedendo a Abrahão a sua escrava, e depois, não foi capaz de suportar o próprio erro, e sem reconhecê-lo, tratou suas maquinações como comportamento da escrava fora de seu direto, de injustiça, a ponto de determinar a morte do filho daquela escrava, Agar.

Mas, o grito de Justiça no âmago de Agar, que quer dizer escrava, a salvou, orientando-a não para julgar Sara se ela eria agido pelo certo ou pelo errado, mas para, voltar e submeter-se a ela com reverência à mesma Ética (Gênesis, 16, 9-15), pois a seu tempo, como canta Paul Macartney em Let it Be, que aqui traduzimos como, Assim Seja, ou Amém, a Vida tem o tempo certo para que as obras se realizem como nos adverte São Francisco:

Eu te digo que se guardo a paciência e não sou abalado, que nisso está a verdadeira alegria, a verdadeira virtude e a salvação da alma (MATURA, 1999, p. 39, opus cit.).

Assim aquilo que parece sofrimento presente, como disse Santa Terezinha, é motivo de alegria, pois, se guarda a certeza que a Ética da Vida não lhe faltará:

O sofrimento pode atingir os limites extremos, mas estou segura de que o Bom Deus não me abandoará jamais – CA.4.7.3 (LIMA, 2004, p. 14, opus cit.). Minha vida não foi amarga, porque soube fazer minha alegria e minha doçura de toda amargura – CA.30.7.9 (Ibid. p. 26).

Ao passo que, ao contrário, sem essa Ética, não haverá sabedoria, e o que se testemunhará é um grito rouco por justiça, porque alguém violou o direito pessoal de alguém, cuja miséria de espírito, se revela na impotência de se conseguir tomar do mais forte o que lhe foi roubado, desequilibrando-se toda a harmonia do ambiente, ao qual, a Ética da Vida os tratarão como dignos de morte, sendo excluído no seu Código de inovação ou criação de vida nova pois, não a reconheceram como Ética, e agiram sem ética.

É uma tola vaidade da Humanidade acreditar que estará escrevendo a Ética da Vida na Terra, ou, que agora cada um é o cara, como deuses que devem ser idolatra, pois, do mesmo modo, se fosses mais belo e mais rico que todos e mesmo se fizesses maravilhas a ponto de pôr em fuga os demônios, tudo isso é contra ti e isso não te pertence em nada e de nada disso podes gloriar-te. (MATURA, 1999, p. 30-31, opus cit.), e no tempo certo prestará contas sob a Lei da Vida, como vivenciamos na liturgia missal da Festa de São Cosme e Damião de 26 de setembro de 2020:

Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,*
quando dizeis: ‘Voltai ao pó, filhos de Adão!’
Pois mil anos para vós são como ontem,*
qual vigília de uma noite que passou.R.

Eles passam como o sono da manhã,
são iguais à erva verde pelos campos:
De manhã ela floresce vicejante,
mas à tarde é cortada e logo seca.R.

Ensinai-nos a contar os nossos dias,*
e dai ao nosso coração sabedoria! (Salmo 89 [90], 3-6.12).

A loucura humana parece-lhe que vai-lhe sufocar, e ele então sai transtornado querendo acertar as coisas, mas, Deus não está no terremoto, nem nos incêndios, isto é, na ansiedade que leva o homem a ser afoito em sua ética, mas sim, na brisa do equilíbrio da Vida que produz o fruto ao seu tempo, e deles todos saboreiam e cantam alegrias, como na celebração dominical do 19º Domingo do Tempo Comum de 09 de agosto de 2020, na Primeira Leitura:

Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar’.
Antes do Senhor, porém, veio um vento impetuoso e forte, que desfazia as montanhas e quebrava os rochedos. Mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto. Mas o Senhor não estava no terremoto.

Passado o terremoto, veio um fogo. Mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo ouviu-se um murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isto, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta (1Rs 19, 12-13).

E cantado também por Alceu Valença na música Anunciação:

Na bruma leve das paixões que vêm de dentro, Tu vens chegando prá brincar no meu quintal. No teu cavalo peito nu, cabelo ao vento,e o sol quarando nossas roupas no varal…

Tu vens, tu vens Eu já escuto os teus sinais. Tu vens, tu vens Eu já escuto os teus sinais…

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido. Eu não duvido já escuto os teus sinais. Que tu virias numa manhã de domingo. Eu te anuncio Nos sinos das catedrais…

Tu vens, tu vens eu já escuto os teus sinais. Tu vens, tu vens eu já escuto os teus sinais… (VALENÇA, 1983)3

1MATURA, Taddé. Orar 15 dias com São Francisco de Assis. Aparecida-SP:Santuário, 1999.

2LIMA, Pe. Antonio Lucio da Silva. 30 dias com Santa Terezinha do Menino Jesus. 2ª Ed. São Paulo: Paulus, 2004.

3VALENÇA, Alceu. Anjo avesso. Ariola Discos-Univesal Music. Disponível em https://youtu.be/g7YhxrO5U_o. Acesso em 30 set. 2020.