Festa dos Golias, um viva aos amigos do rei na corte

Este artigo é uma reflexão sobre a utopia do Estado Democrático de Direito cuja realidade sugere a transformação para o estado monocrático da política.

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Vivemos nesses tempos a eleição para a escolha de um Ministro na Corte Suprema, e ousamos dizer que é uma eleição porque embora seja uma prerrogativa da Presidência da República, é referendado pelo representantes dos Estados Federados, os Senadores.

Se é uma eleição para a Corte Suprema, então poderia se dizer que é uma festa da Democracia, onde o brilho altruísta da dignidade da Justiça, dá o tom. Mas, lamentavelmente o que testemunhamos é o tom do fisiologismo dos Poderes, sob o título de defesa dos “valores institucionais”, que significa “politicagem de interesses internos em que os fins justificam os meios”, pois, o Brasil perdeu sua educação, e sem cultura política, a politicagem transformou tudo na mesma coisa, Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, no vale tudo da política, pois substituiu o altruísmo pelo casuísmo.

Ilustração:JJValero

Isso não tem nada a ver com o caráter do brasileiro, ao qual como brasileiro, advogado há 27 anos, professor, posso dizer que como brasileiro nato, temos um sonho de Estado de Direito a fazer inveja a qualquer outra nação do Mundo, assim, não se trata aqui de se fazer uma crítica depreciativa aos Poderes da República, mas expandir o olhar da Nação, para as Pérolas de sua Democracia calcadas por condutores sem (a) educação.

Já diziam desde os tempos do início da República do Brasil que governar um povo analfabeto é o sonho de todo político. E de fato, ao testemunharmos a digladiação de poderes na disputa por cargos públicos, agora o de Ministro da Corte Suprema, acaba por transformar o doce sabor da cidadania em amarga indigestão acompanhada de náuseas.

Os Poderes tomaram por base os indicadores da mídia televisiva como parâmetro de governo, e assim agem seguindo as pesquisas de audiência, respondendo mais ao que o povo quer ouvir (no fisiologismo) do que o que o povo precisa ouvir (no altruísmo).

No entanto, testemunhando a decadência da audiência (sustentabilidade) televisa dos tempos presentes, decorrente da estratégia de quem sempre vendeu o que o povo queria ouvir no lugar de vender (educar) o que o povo precisava ouvir, essa estratégia de vendas de serviços, televisivos ou políticos apresenta, usando aqui o termo próprio dos especialistas em pesquisas, uma tendência também, fadada à mesma falência, pois, repete o refrão do vaticínio da música dos Titãs:

“a televisão, me deixou burro, muito burro demais,

agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais” (TITÃS, 1985)1.

E se para o povo tudo parece igual, com certeza terá um governo (Poder Executivo, Legislativo e Judiciário) que aos seus olhos tudo parece a mesma coisa. E, os efeitos disso, é a perda das conquistas de nossos pais, que gozaram um dia de alguma educação, e, agora, como filhos pródigos, dilapidamos a herança a nós deixada como Constituição Cidadã, e de Democracia o que se vê é a monocracia, dominada por poderes políticos tão distante da realidade Constitucional que muitos dizem ser pura utopia, como por exemplo a garantia de um salário mínimo com dignidade.

Muitos criticam a forma da escolha dos ministros da Corte Suprema, diante do critério de interesse político casuísta aplicado pelo Poder Executivo, sob bênçãos fisioligistas do Poder Legislativo, apagando o brilho do altruísmo da dignidade da Justiça, sugerindo assim, em seu lugar a tecnocracia dos servidores de carreiras.

Mas a tecnocracia judicial também encontra seu paralelo na estratégia televisiva, pois não há uma preocupação da qualidade da prestação jurisdicional para uma efetiva realização da cidadania das partes no processo, mas, inspirados nos “valores institucionais internos” atendem ao interesses das partes de acordo com os índices de audiência popular, cujo efeito é a substituição da cidadania por favores do Estado aos vassalos, pois o resultado da prestação jurisdicional não se importa se soterrou o interesse público do bem comum (Art. 37 da Constituição da República/88).

Se há uma reclamação de um cidadão contra a prestação jurisdicional de um juiz, um tribunal, ou um promotor, um defensor público, a resposta é sempre a mesma, nada pode se fazer a ele, sob o mantra: “ele agiu dentro da garantia de sua autonomia funcional”, e assim, o jurista se põe acima das leis, ao ponto do cidadão ouvir dos políticos “decisão judicial não discute, se cumpre”.

Isso é o pensamento de um vassalo, acostumado ao fisiologismo das moedas de trocas, aquele que com medo de não ter nada, vende seu tesouro de cidadão, por ninharias, pois, “todas as coisas que ele pensa, lhe parecem iguais”.

Mas, se Estado Democrático de Direito traz a utopia de garantir a igualdade, no chamado espírito republicano, assim, também não deveria estar o Poder Judiciário acima da Lei, ao ponto de transformar a sua prestação jurisdicional “no que ele entende como certo” como ser repercutiu, data maxima venia, na expressão de um ministro da Corte em um julgamento televisivo, quanto disse: às favas a modéstia, ou seja, para este cidadão cria-se o sentido do monólogo, “é o que eu penso e pronto”, como um dia cantou Chico Buarque: hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão, a minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão, viu (BUARQUE, 1970)2.

O brilho altruísta da dignidade da Justiça está na edificação conjunta, e a Corte Suprema, não é a referência isolada de pureza absoluta, não é o deus da Justiça do povo, pois, todos os seus componentes são tão humanos como qualquer dos demais brasileiros.

Assim, talvez o legado deixado por nossos pais, para a eleição do Juri Popular, poderia ser um caminho na direção do brilho dessa festa para a eleição de um novo Ministro da Corte, dentro do princípio de se eleger alguém do povo para julgar como povo.

Diante da carência educacional, a tecnocracia judicial tornou o Poder Judiciário num prestador de serviços da “ garantia de sua autonomia funcional”, isto é, não há um critério de valor de qualidade para a prestação jurisdicional, o resultado do teu trabalho se resume na estatística dos índices de audiência de processos, ao invés da melhoria da qualidade de vida cidadão.

Não há qualidade pois, negando a eficiência e publicidade do Art. 37, da Constituição da República/88, substitui-se o Direito pela lei do foro íntimo da “autonomia funcional” para a corte judicial se auto intitular deus da Justiça, pois auto isenta-se de qualquer controle de “seu foro íntimo”.

Assim, tornou-se uma teoria, o salário mínimo com dignidade, tornou-se uma teoria, a desaposentação, que no lugar da dignidade, sob o princípio “dos valores institucionais”, incrementou a contribuição previdenciária como um fardo ao aposentado que continua a trabalhar.

Pois, mantém sua obrigatoriedade, desequilibrando a Justiça pela falta de contra-prestação ao cidadão ancião, ao lhe impor o dever aquele aposentado que é obrigado a continuar a trabalhar até os últimos dias de vida para sobreviver, de contribuir para sustentar o Estado monocŕatico de direito, não como contribuição social, mas, imposto, pois, permanecerá sem direito a nada, a nenhuma contraprestação, nem mesmo ao auxílio doença do trabalhador.

Conclusão

A garantia da liberdade funcional não pode se transformar no “oba oba do sou que quem mando, falou tá falado”, mas sim, reverenciar a obediência à eficácia na prestação jurisdicional, no sentido de se aplicar e garantir a efetividade do Interesse público, como realidade de cidadania, na reverência conjunta da publicidade (Art. 37 da CR/88), e não como hoje, em decisões cheias de meandros “de foro íntimo” que só o autor monocrático entende, pois no lugar da publicidade ela permanece oculta no fundo do seu íntimo, e , o efeito é: “às favas a eficiência jurisdicional”, pois, para o povo tudo parece a mesma coisa.

1TITÃS. Televisão. In Album Televisão. São Paulo:WEA, 1985. Disponível em https://youtu.be/7psItZeHmqU. Acesso em 15 jul.2021.

2BUARQUE, Chico. Apesar de Você. São Paulo: Phillips, 1970. Disponível em https://youtu.be/nT1rxzFL0dE. Acesso em 15 jul. 2021.

A corrupção social e política na democracia da lógica

Este artigo propõe uma análise do tema que se prega como democracia, quando na verdade é um Estado artificial.

Se você olhar ao teu redor vai perceber que a corrupção é uma instituição tão forte na sociedade como a instituição da democracia de uma nação.

E ela tão corrupta, tão ardil, que todo mundo a odeia, mas vivem abraçados com ela, pois, embriagados na intoxicação da hipocrisia, cada um levanta a vergonha do outro enquanto esconde a própria.

Olhar no espelho

Um exemplo disso que testemunhamos nos dias de hoje, é que a sociedade prega a igualdade dentro de um estado democrático, mas diante de um momento de chamado cívico de vacinação em massa, lá está ela, a corrupção vistosa, abraçando os espertinhos:

Uma vez…

Policiais federais constrangem servidora e tentam furar fila da vacinação

O incidente aconteceu na tarde deste sábado (27/3), no drive-thru do Terraço Shopping. Os policiais exigiam o acesso a “xepa”, que são doses remanescentes do imunizante contra a covid-19 (CORREIO BRAZILIENSE, 2021)1

Inúmeras vezes ….

MP-PR investiga mais de 600 denúncias de ‘fura-fila’ da vacina contra Covid-19 no Paraná.

Segundo a Controladoria Geral do do Paraná, quase 40% dos municípios do estado registram pelo menos um caso de pessoas que furaram a fila da vacinação. Denúncias podem ser feitas de forma anônima (RPC PONTA GROSSA – G1, 2021)2.

Ou ainda naquela hipocrisia da catimba popular de que, eu tenho o direito, mas o dever é só para os outros, porque o meu direito é o de desrespeitar as obrigações.

Uma vez …

Médico registra festa clandestina ao lado de UPA com pacientes de Covid-19 na Zona Leste de SP (ISTO É, 2021)3

Inúmeras vezes …

Polícia investiga mais de 4.600 pessoas envolvidas em festas clandestinas em SP.

Em menos de 20 dias, delegados instauraram 52 inquéritos policiais em todo o estado (Henrique, 2021)4.

E diante de todos esses escândalos, o primeiro impulso nos leva a tropeçarmos num abraço da corrupção, ao olharmos irresignados todos esses comportamentos desprezíveis, julgando que eles estão errados e nós que não fazemos isso, estamos certos.

No entanto, se, nos isentarmos da hipocrisia e intoxicação da corrupção, conseguiremos compreender que, na verdade, somos nós todos que estamos errados, somos nós todos desprezíveis nesse ambiente, e que, no dia da mentira é essa verdade que sempre ocultamos de nós mesmos.

Para buscar luzes para a resposta, vamos nos valer de nosso texto anterior COVID-19: governantes e empresários no caminho errante para a morte, quando falamos que vivemos em sociedade, mas, voltada apenas para nós mesmos, somente olhando o próprio umbigo, como se todas as leis, todas as obrigações e deveres estivessem voltados exclusivamente para a satisfação humana ou da Humanidade, e, não como colaborações para a edificação do ambiente como um todo, por isso estamos sempre olhando para dentro, como foi proposto naquele artigo:

Os erros que se testemunha no presente são perceptíveis ao observamos que os modelos da administração moderna têm como referência líderes que dão soluções, emoldurando ícones como por exemplo, Steve Jobs, Bill Gates, que, certamente na faculdade, não frequentaram aquele barzinho preferido da turma, e por isso não ouviram as lições de J. Quest quando cantava:

Viver é uma arte, é um ofício
só que precisa cuidado.
Prá perceber quer que olhar só pra dentro
é o maior desperdício.
O teu amor pode estar do seu lado (REIS e JOTA QUEST, 2004) (LUCIO FILHO, 2021)5.

Se reconhecermos isso, talvez possamos identificar o cupim que corrompe o tronco, pois, ele é quase imperceptível, mas dentro de nós, nos intoxica com uma substância com um enorme poder alucinógeno, que nos ilude com a sensação de ser, ou “sonho de ser”, um verdadeiro deus.

Neste sonho o tema é “ser dono da própria vida” e o lema é “independência financeira”, que combinado forma a ilusão de transformar qualquer um em deus, capaz de controlar tudo e a todos, como se não existisse o Universo, mas cada um fosse o centro do mundo, sob o olhar no próprio umbigo da humanidade do ter: meu time, minha família, minha cidade, meu país, valendo-se de planos estratégicos, agenda, orçamentos, avaliações, pré-ocupações, alimentando um corpo poderoso chamado lógica.

Ao garrar-se na lógica, que é a estruturação parcial da Arte, o cupim da corrupção produz a sociedade das aparências, a artificialidade que também é conhecida por hipocrisia, que há 370 anos atrás, em abril de 1651, agarrou com força como vítima em Paris, Thomas Hobbes, que nos lembrando a inocência do acidente do césio-137 em setembro de 1987 em Goiânia, o fez se encantar pela artificialidade, e denominou o poderoso alucinógeno de Leviatã, proferindo uma profecia atualíssima para os tempos presentes.

Do mesmo modo que tantas outras coisas, a natureza (a arte mediante a qual Deus fez e governa o mundo) é imitada pela arte dos homens também nisto: que lhe é possível fazer um animal artificial. Pois vendo que a vida não é mais do que um movimento dos membros, cujo início ocorre em alguma parte principal interna, por que não poderíamos dizer que todos os autômatos (máquinas que se movem a si mesmas por meio de molas, tal como um relógio) possuem uma vida artificial?

Pois o que é o coração, senão uma mola; e os nervos, senão outras tantas cordas; e as juntas, senão outras tantas rodas, imprimindo movimento ao corpo inteiro, tal como foi projetado pelo Artífice? E a arte vai mais longe ainda, imitando aquela criatura racional, a mais excelente obra da natureza, o Homem. Porque pela arte é criado aquele grande Leviatã a que se chama Estado, ou Cidade (em latim Civitas), que não é senão um homem artificial, embora de maior estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa foi projetado.

E no qual a soberania é uma alma artificial, pois dá vida e movimento ao corpo inteiro; os magistrados e outros funcionários judiciais ou executivos, juntas artificiais; a recompensa e o castigo (pêlos quais, ligados ao trono da soberania, todas as juntas e membros são levados a cumprir seu dever) são os nervos, que fazem o mesmo no corpo natural;

a riqueza e prosperidade de todos os membros individuais são a força; Salus Populi (a segurança do povo) é seu objetivo; os conselheiros, através dos quais todas as coisas que necessita saber lhe são sugeridas, são a memória; a justiça e as leis, uma razão e uma vontade artificiais; a concórdia é a saúde; a sedição é a doença; e a guerra civil é a morte. Por último, os pactos e convenções mediante os quais as partes deste Corpo Político foram criadas, reunidas e unificadas assemelham-se àquele Fiat, ao Façamos o homem proferido por Deus na Criação (MALMESBURY, 2015, p. 9)6

É atualíssima pois, diante da artificialidade de cada um individualmente, há os reflexos no Estado artificial civil e eclesiástico de Hobbes, pois, no Estado há uma lei maior do sonho de Igualdade da nação, no entanto, a artificialidade dos poderes governamentais, executivo, legislativo e judiciários são verdadeiras classes de privilégios que os tornam muito distante da realidade do cidadão comum.

Vivem em um patamar muito superior da realidade do homem comum, pois, os salários são diferenciados em milhares de reais comparados com o do cidadão comum, há privilégios para a categoria que não alcança aos demais cidadãos, como foro privilegiado, aposentadoria com vencimentos integrais, pensões aristocratas até a terceira geração, auxílios e benefícios que sequer são imitados pela iniciativa privada, muito menos para o cidadão comum, polícia do próprio do poder, julgador para o próprio poder.

O serviço se dá sob a prevalência da aplicação do direito sem qualidade de justiça, ou seja, é o Estado artificial a exemplo de 1651, formalizando o carimbo do direito sem qualquer controle em qualquer um dos poderes pela falta de eficácia da justiça sonhada pelo Art. 37 da Constituição Federal.

Todos carregam a consciência do imoral, mas como detêm o poder “o tornam legal”, e às favas a justiça social, já que a própria sociedade também é artificial ao ponto de hoje, primeiro de abril de 2021, em que é noticiada pela imprensa nacional a morte de 500 cidadãos só na fila de uma internação, ou seja, privados da dignidade e cidadania de se receber o serviço público da saúde que não é obrigação, mas dever do Estado.

Cidadãos que não são anônimos, pois constam dos cadastros estatais para a tributação de erário ao longo de suas vidas mantendo os altos salários e benefícios e luxos de cada um desses poderes.

No entanto, tal escândalo deplorável, não provoca o mínimo constrangimento de falha administrativa em algum desses poderes, e, seguindo o principio de se olhar para o próprio umbigo, não provoca qualquer complexo de culpa pelas mortes trágicas daqueles que o sustentam, se quer se lembrando dos órfãos e viúvas, e nem qualquer iniciativa dos poderes fiscalizadores, como se nada tivesse a ver com alguma autoridade governamental, pois o Estado é artificial como profetizou em sua ingenuidade, Thomas Hobbes.

Mas o tema deste trabalho não é uma crítica ao Estado, mas sim, o artificialismo da lógica que cada um carrega em si como se fosse o ar que respira pois, uma vez que em toda arquitetura lógica está a ilusão do controle e do domínio, na sensação da liberdade e independência, que parecendo ser bom, tornar-se um cupim corruptor e transforma a realidade em mera aparência ou simulação, isto é, em artificialismo.

O poder desse domínio é tão forte que parece ser impossível viver sem lógica, porque essa impossibilidade é formada pela ambição e desejo de aplicar o princípio de “controlar a vida” no entanto, como não há uma lógica para se controlar a vida, a sabedoria convida para que a realidade se construa deixando a própria vida ditar o controle, criando sentido e construindo emoções, essas são as matérias-primas que se plasmam a ética de todas as matérias ou objetividades físicas que abraçando a sanidade, harmonizam qualquer ambiente, ao invés de arquiteturas de pensamentos lógicos que são secos, rígidos e desumanizados pela falta de sentidos.

No dia da mentira, a grande mentira social, é a grande verdade, já que vivemos uma sociedade do artificial. De que adianta um sobrevida de miseráveis que ao invés de dignidade e cidadania, recebem esmolas dos poderes como moeda de trocas por favores em suplícios no lugar de prestarem serviços, não havendo espaço para os sentidos da vida de se andar de cabeça erguida, ou mesmo de se dar um sorriso? Até quando o homem escolherá a fake de dizer que é democracia, mas viver no “me engana que eu gosto”?

Fazendo uma adaptação às palavras de Jucas Chaves, o governo é um bobo vestido de deus, seguido por um monte de deuses vestidos de bobos, por isso, alegremo-nos pois, a mentira já se foi e a justiça bate à porta, eliminando para sempre o artificialismo, pois, como é a vida quem domina, e não a lógica pois suas fronteiras são curtas, a tendência é a de se edificar os sentidos que é arte a eliminar as bobeiras que é artificial como um dia já nos preveniu o Profeta Isaías ” Naquele dia o Senhor vai castigar com sua espada dura, grande e forte, Leviatã, a serpente tortuosa, serpente escorregadia. Matará o monstro que habita o oceano” (Isaías, cap. 27, v, 1).

1CORREIO BRAZILIENSE. Policiais federais constrangem servidora e tentam furar fila da vacinação. In Caderno DF Cidade, 27/03/2021. Disponivel em https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/03/4914523-policiais-federais-constrangem-servidora-e-tentam-furar-fila-da-vacinacao.html.

2RPC PONTA GROSSA – G1. MP-PR investiga mais de 600 denúncias de ‘fura-fila’ da vacina contra Covid-19 no Paraná. In G1, PARANÁ RPC, 30/03/2021. Disponivel em https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2021/03/30/mp-pr-investiga-mais-de-600-denuncias-de-fura-fila-da-vacina-contra-covid-19-no-parana.ghtml. Acesso em 01/04/2021.

3ISTO É. Médico registra festa clandestina ao lado da UPA com pacientes de COVID-19 na Zona Leste de SP. In ISTO É. Caderno Geral, da Redação, 29/03/2021. Disponível em https://istoe.com.br/medico-registra-festa-clandestina-ao-lado-de-upa-com-pacientes-de-covid-19-na-zona-leste-de-sp/. Acesso em 01/04/2021.

4HENIRQUE, Alfredo. In São Paulo Agora, Caderno Coronavírus, 31/03/2021. Disponível em https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/03/policia-investiga-mais-de-4600-pessoas-envolvidas-em-festas-clandestinas-em-sp.shtml. Acesso em 01/04/2021.

5LUCIO FILHO, Laurentino. COVID-19: governantes e empresários no caminho errante para a morte. Disponível em https://formaresaber.com.br/covid-19-governantes-e-empresarios-no-caminho-errante-para-a-morte/. Acesso em 01 abr. 2021.

6MALMESBURY, Thomas Hobbes de. O Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. São Paulo. Edipro, 2015.

Democracia sem utopia

Proproposta de desenvolvimento de Tecnologias anti-corrupção

Comissão de Cidadania da 229ª SubSeção da OABSP

Tremembé-SP, 9 de agosto de 2020.

Ilustres Advogados e Advogadas.

Ilustres Semiólogos.

Ilustres Profissionais da Imprensa, jornais, rádios e televisão.

Ilustres Presbíteros e Pastores.

Ilustres Juízes e Promotores.

Ilustres Membros do Poder Executivo e Legislativo.

Nesta semana de muitos cansaço pelo esforço de trabalhos, eu, já pelas quatro da tarde, tirei algumas horas para repousar minha cabeça em uma almofada, na sala mesmo, diante da televisão ligada, que não sentia nem vontade de mudar de canal, e fiquei ali assistindo a um filme que não me atraia muito, chamado Debi & Loide, que naquela hora me entreteve bem e me fez rir, mas a cena mais intrigante foi a do final, depois que foram ridicularizados pelo fato de não ser os pais da menina, filha de uma prostituta.

E os dois saem então caminhando pela calçada quando vêem duas lindaS mulheres, encantando o mundo de sensualidade e beleza, e de fato eram encantadoras, vindo em suas direções, e dizem mais ou menos assim…. “agora vai….agora vai… ”, e ao chegar dos lados das duas quando se esperava um doce romance, eles estupidamente jogam elas sobre a moita, e saem correndo gritando…. “tá na moita….tá na moita…há há há…

Em um primeiro momento eu preconceituosamente julguei…. “idiotas”, mas depois entendi que era uma muito inteligente mensagem a dizer mais ou menos assim: você parece um idiota tendo medo de ser idiota, pois, a vida na simplicidade de um ser com cérebro de criança é vivida com alegria real, e você ai, como disse um locutor da Rádio Kiss FM – São Paulo, nesta quarta feira, deitado no sofá coçando as frieiras do pé, e compreendi que não devemos estar na moita, mas, vivermos nossas alegrias a partir de uma razão para o nosso esforço, pois, ela transforma o nosso cansaço em endorfina, com isso, devemos defender o nosso trabalho com coerência, como já dizia Felix Guisard, maior empreendedor que Taubaté já teve, quando falou um dia: o trabalho dignifica a alma, faça do teu trabalho o teu divertimento, que peço licença para compará-lo como um membro da família Patrística Taubaté, ao lado de Monteiro Lobato, Fego Camargo, Renato Teixeira, ao pais desconhecidos homenageados pela Rua 4 de Março, que hoje também acolhe a sede da 18ª SubSeção da OABSP, pois, saindo da moita, figuram entrem os pioneiros da libertação dos escravos (4.537, em em 4 de março de 1888), Milton de Moura França, o ancião Gentil Leite, que na sua aula inaugural de Direito Penal dos apadrinhados por Odir Porto (Paraninfo), se apresentou ao alunos dizendo que não era louco, porque sua interação inicial pouco convencional com a classe era pelo fato dele ter 480 anos.

E a brincadeira dos dois personagens naquele filme “estar na moita”, também é poesia de realidade cantada pelo Titãs na música “Pela Paz”, que trazendo para o contexto presente diz mais ou menos assim: Você diz amar teu filho (você espera sempre mais, você não se conforma), você diz que faria tudo pelo teu filho (você não se satisfaz, todo mundo diz acreditar na paz) , mas você, como um viciado em crack que rouba a blusa do próprio filho para vender e comprar pedras (todos são capazes da guerra), você roubou o seu futuro matando a vida que lhe sustenta (mas ninguém luta por você, você ainda está sozinho, ninguém acredita em ninguém), e os personagem do filme que saem correndo ao final parece dizer para cada um de nós …. você está na moita..há há há …. você está na moita..há há há, e você acredita ou não? E então o que você está fazendo agora para salvar o teu filho (o que você faz pela paz)?

Você espera sempre mais

Você não se conforma

Você não se satisfaz

Todo mundo diz acreditar na paz

E você acredita ou não?

E então, o que você faz pela paz?

O que você faz pela paz?

O que você faz pela paz?

Todos são capazes da guerra

Mas ninguém luta por você

Você ainda está sozinho

Ninguém acredita em ninguém

E você acredita ou não?

E então, o que você faz pela paz?

O que você faz pela paz?

O que você faz pela paz?

nossas ideias (Pela Paz, Titãs).

No que eu preciso acreditar?

A Vida nos chama para despertarmos para uma realidade catastróficas produzida pela nossa insanidade tão imbecil, que não é comparável a singeleza infantil de Debi e Loide, que em nome da mentira chamada de emprego e vendas (consumismo), pois deixa a riqueza nas mãos de poucos senhores feudais, e a miséria na mãos de bilhões de vassalos que lhe pagam tributos, a vida da Humanidade está fadada a extinção nas próximas décadas, e antes de se perguntar “então, você acredita ou não”, se faz necessário a avaliar o critério que você vai usar para responder… se você está pesando a resposta na realidade de pesquisas sérias, ou…, na saborosa estratégia marqueteira dos “estelionatos eleitorais” que dizem ser conspiração ou perseguição política dos partidários dos senhores feudais?

O que fazer para sair da moita (o que você faz pela paz)?

A primeira coisa e se tomar consciência que as coisas não estão em nossas mãos, não somos capazes de nada, e quando queremos controlar a vida ela nos dá uma chapuletada na orelha, que de dor da impotência, temos de colocar a cabeça na almofada do sofá, para entendermos que estamos sendo idiotas aos nos iludir que as coisas são obrigadas a saírem do jeito que queremos, como se fossemos seus senhores, pois na verdade estamos sendo escravos, pois nem sequer conseguimos descansar.

A segunda coisa, sermos coerentes, porque senão, nos tornaremos iguais aos falsos pastores, pois falam e não praticam, pois, não é porque meu time rouba no jogo… que eu preciso defendê-lo, e isso, começa a partir de mim mesmo, pois, não adianta eu me indignar com a corrupção do governador ou do presidente da república, se em mim está a mesma corrupção, pois, sou igual a eles, e, estou tendo o governo que mereço.

A terceira coisa é a seguinte: se você decidir fazer alguma coisa, comece sentindo a beleza da música dos Titãs quando diz, você não se conforma, e não se satisfaz em ver que todos estão dispostos à guerra, mas ninguém luta por você, para não sair da moita e trazer aquele grandioso plano que você tem com você, e sempre acreditou que poderia tornar tudo diferente, mas, venha com um coração acolhedor de ideias e disposto a edificar juntos e para todos, e, assim, a partir de um alicerce seguro, começarem a edificar do zero, regados pelo fonte do paritarismo a sustentar a dignidade no direito do Ser, repudiando o partidarismo do direito do Ter (acumulando-se absurdamente mais do que se precisa, na ilusão de se tornar senhor e tudo controlar).

Quais são os alicerces?

Os alicerces abordados nos trabalhos realizados na 229ª SubSeção da OAB figuram em três colunas:

A primeira coluna, diz respeito a Constituição de uma sociedade justa e solidária (Art. 3º, I da Constituição da República/88) a partir do seu desenvolvimento de melhoria da qualidade de vida, aproveitando-se a sabedoria de nossos ancestrais, que hoje está encoberta como o lodo no fundo do Rio Tietê na Cidade de São Paulo, pois, como filhos rebeldes, os detentores de mandatos celestiais, dizem agir em defesa da vida nas igrejas de todas as religiões e sem religiões, esquecendo a primeira Lei da promessa aos nossos pais de que Deus Providencia (amar a Deus sobre todas as coisas), e batem no peito dizendo serem os herdeiros, que agora são eles os senhores que providenciarão, como cantou Raul Seixas na música Ouro de Tolo: confinando os cidadãos como animais de zoológico, cuja satisfação é controlar através de atos sem sentidos (macaquismo) distribuindo “pipocas aos macacos”, ou “milhos às galinhas”, assim, como um governo ditador, perverteram o interesse público social, ao mudarem a Constituição paritária (Art. 1º, V da Constituição da República/88) para a partidária de conveniências camuflando-se a Realeza (aos amigos do rei tudo e aos inimigos o rigor da lei), em Democracia aparente, como se a igualdade republicana fosse utopia ao ponto da justiça ser questão de sorte dos abastados e não questão de direito dos oprimidos, pois a ele às pipocas, milhos, dentaduras, transformando em mentira a promessa de Deus aos nossos ancestrais

A segunda coluna, diz respeito a necessidade do valor social ou, interesse público do papel da imprensa Jornais, revistas, rádios, televisão, que todo mundo diz ser imprescindível, mas, incoerentemente atacam jornalista, ultrajam os órgãos tentando destruir sua isenção transformando a credibilidade de suas notícias (trigo) em camuflagens de notícias (cizânias) a partir de críticas destrutivas de macaquistas maniupulados unicamente pelas conveniências partidaristas, sem saber o que estão fazendo, quando, se fossem honestos consigo mesmos estariam na verdade usando o mantra: lobo, lobo, lobo os partidaristas (que dizem ser o povo) são todos uns bobos, e, o pior, que adoram ser feitos de bobos.

Da mesma forma se vê nas lágrimas de crocodilos dos demais poderes que choram a morte de jornalistas, da primazia do interesse público da imprensa, sentados em gordos salários, justificado como preço, santificação ou pureza da independências de serviço público, mas, que na verdade é uma grande farsa Institucional do Estado de Direito, como se vê nas tragédias dos cariocas no Estado Fluminense, cantada na opera de Bezerra da Silva, quando o Juiz parecendo ser mané de partidários, foi eleito governador pelo povo, que, acreditando numa independência judiciária o elegeu, mas, ele ao ser ele eleito, foi se meter a malandro e ai…..Bezerra cantou:

E malandro é malandro, Mané é mané

Podes crer que é.

Malandro é malandro e Mané é mané

Diz aí!

Podes crer que é… ,

Que igualdade há em transformar o interesse público da imprensa, em máquinas a calar a publicidade das atrocidades de mandatários iníquos, cuja a humilhação da imprensa nos lembra a doce canção na bela interpretação de Fun Boys Three, Our lips is sealed [1], gritando….então….pode me ouvir? (Can you hear then?), e ainda, que sentido estúpido há, em um juiz ser o parâmetro para o maior salário do Brasil como símbolo de independência funcional, como o santo justo, se o partidarismo conveniente são o mesmos dos demais poderes como testemunhamos horrorizados no Rio de Janeiro hoje, o escândalo de alguém que não se conformouo só com os ganhos de um juiz (que já são suficientes para a independência funcional), mas, também, cobiçou os ganhos da conveniência de ser governador? Imitando o pastor que não se conformou com os ganhos dos fiéis, mas quis a conveniência do Partido? Dói nos ouvidos o mantra: lobo, lobo, lobo os partidaristas (que dizem ser o povo) são todos uns bobos, e, o pior, que adoram ser feitos de bobos, pois, seus enganadores fazem a sua alegria ao lhes darem pipoca no zoológico, lembrando-nos a fábula da mosca que um dia foi alertada pela abelha que o alimento da flor é mais saudável que o das fezes, e a mosca até gostou, mas, jã não mais reconhecendo a sua dignidade, manteve o conformismo de viver na merda.

A terceira coluna, diz respeito a função do Advogado como essencial à Justiça no sentido não mais como ilustres retóricos, nos teatros de tribunais de juris e processos, mas na nobre arte de alinhar, a sabedoria dos nossos ancestrais à Vida, como se fossem um certificador, um órgão de certificação da conformidade do bem de todos, isto é, do interesse público, com a Democracia, em que uma contenda judicial ao invés de disputa por ter direito, se tornaria em tecnologias pelo esforço comum para o desenvolvimento de uma sociedade equilibrada (ordem social), pois, a honra de seus ganhos é chamada de honorários, e na promessa à nossos pais de que Deus Providencia, lá está na sagrada disposição testamentária de que o trabalhador faz jus ao seus honorários.

Quando começar?

Nesta semana a Comissão de Cidadania abriu a janela para que fosse feita as proposta para o gatilho de segurança no Art. 37 da Constituição, para que a vinculatividade do interesse público não seja transformada em ato de conveniências partidárias, que comprometem a Democracia Republicana pela ausência da igualdade, impessoalidade e paridade das partes, e espera manifestações tanto dos advogados, quanto da imprensa, como das Igrejas como também dos Semiólogos, a esses pedindo licença para advertir que há um sério riscos do colapso nas pesquisas para o próximo ano, diante do sucateamento das universidades federais.

Recentemente a Imprensa teve uma iniciativa muito louvável sobre o consórcio para a divulgação dos dados do Covid-19, deixa-se aberto para qualquer instituição, pode ser até os, já fiéis defuntos, comitês 9840, para que sentemos juntos e comecemos do nada, como aqueles peixes que fugiram do aquário na final da Filme-Animação “Procurando Nemo”, e perguntemos ….e agora….o que fazemos? Porque se errarmos ou acertamos o importante e não levarmos um empurrão de idiotas, que nos vendo caído sobre as plantas riam de nós dizendo….tá na moitahhh..há há há.

Atenciosamente.

Laurentino Lúcio Filho

Referências:

[1] Fun Boys Three. Our lips is sealed. Disponível em https://youtu.be/QhVhK-VveXo, Acesso em 29 ago. 2020.