Mudando o curso em 180 graus

Este artigo tem por propósito demonstrar que a certeza naquilo que se vê pode levar a uma interpretação errada, e, apresentando proposta de correção de curso.

As conjunturas de mudanças de paradigmas nos tempos presentes chamada para uma conversão em retorno de 180 graus.

A necessidade do retorno se refere à nossa forma de perceber as coisas.

Retorno.

Retornarmos da ilusão de que há certeza na nitidez, pois o coneito que temos é o de quanto mais nítida a imagem, melhor percebemos as coisas.

Saindo da introspecção para a emoção, dando mais oportunidade para o senso crítico do que pelo passivismo da pelo que se vê na imagem.

Quanto mais nítida a imagem for haverá menos índices emocionais de comunicação com o ambiente, por exemplo, imagine que alguém quer te convencer que o Governo atual da Venezuela é o mais democrático do mundo, e mostra tanta nitidez para te convencer disso que extrai de você todas as oportunidades para você desenvolver o seu próprio senso crítico, ou seja, subtrai-se o diálogo por um monólogo.

Mudando-se o paradigma

Se é necessário estarmos nos comunicando com o meio ambiente, então é preciso se estimular os sentidos que estimulam os índices emocionais, para isso é preciso depender menos daquilo que a imagem quer nos convencer, e retornando a comunicação conosco mesmo, podendo ser suficiente uma imagem assim.

Aplicando-se na prática

A aplicação prática parte do primeiro paradigma a ser quebrado tendo como melhor proposta para este trabalho, a conversão da igreja diante do estado atual de imagem morta, de que é a Igreja quem pede a conversão.

O segundo paradigma a ser quebrado é o da percepção de Igreja, que deve ser entendido como o princípio que cada espécie viva carrega em si, como caminho, ou plano, capaz de lhe garantir a vida segura, em contraposição ao do estado atual de imagem morta, sem emoção, de que igreja é aquela que professa a religião dela, possibilitando a partir dessa percepção que todas as espécies vivas buscam vida nova, porque a vida se ressuscita sob a proteção de uma mesma mãe.

O esboço abaixo tem o propósito de facilitar didaticamente a aplicação prática do paradigma que propõe uma mudança, tomando por base a Liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum, celebrada em 11/10/2020, e, se a Igreja precisa de conversão, com um retorno de 180 graus, para onde ela está indo e para onde ela precisa voltar?

Para onde ela esta indo: Estado Democrático de Direito

Projeto de Estado Democrático Celestial para a vida futura (eterna)

A formação de uma sociedade celeste, a exemplo do Olimpo, composta por deuses, anjos e homens, em que aquele que deu menos migalha será menor, e o que deu mais migalhas será maior, e os explorados terão fartura de migalhas, por isso também serão grandes como seus exploradores.

Solidariedade e assistência social

A fraternidade social é pretendida para que os exploradores sintam-se solidários como os seus explorados lançando-lhes algumas migalhas a mais do que costumam dar aos escravos no seu salário.

A ilusão da Igreja atual

A ilusão da democracia ( finge a igualdade, em um Estado em que os mais sortudos que compõem o Estado + Igrejas, dominam aqueles que se tornam seus explorados).

Para onde voltar:Paradigma do Reino: a mudança de paradigmas

A promessa da renovação da vida pelo Reino presente

A vida não é um sopro que se esvai, mas se renova, assim ela não se perde, mas muda-se de estado, do material para o imaterial, mas sempre viva, cujo a mudança de estado é semelhante a uma tecnologia que se incrementa, cuja parte material é apenas uma parte do sua estrutura, como se fosse por exemplo, em relação a um cão, o rabo, ou, em relação ao braço do homem, a mão, ou seja, a parte material é só uma extensão, assim cada ser humano é muito maior do que a ilusão da imagem que lhe convence ser, cuja parte material é apenas um fragmento dela que se complementa pelo que se poderia chamar de matéria escura.

E, por sua vez, essa vida, assim como a mão não vive sozinha, ou o rabo do cão não é independente, se liga a um corpo, que é o Caminho que dá a segurança da Vida como a promessa apresentada na Liturgia do 28 Domingo: O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra (Is 25, 8) [seu povo significa não apenas da Humanidade, mas incluindo todas as espécies que vivem nela].

Assim, a vida na Terra não é uma sociedade de pessoas, mas a composição de tudo aquilo que compõe o Jardim de Deus, o Eldorado, onde a Terra em meio a bilhões de galáxias, Ele a escolheu para edificar o seu Jardim como a sua Tenda.

Cidadania

Diferentemente da assistência social, cada membro de Vida, ligado ao corpo, é fiel a função ao qual foi constituído, por exemplo, o aparelho gatrointestinal é fiel a sua função de absorção e separação da energia vital, assim como os pés são fiéis para sustentar e deslocar o corpo, de forma que não se voltam para si, mas, para uma articulação conjunta que permitirá que o corpo seja saudável.

Essa articulação elimina a assistência social, pois, todo o corpo se articula como se fosse um, não havendo exclusões, mas integração, cada um com o mérito de sua função, cada um com a riqueza de seu trabalho.

A supremacia da dignidade

Na renovação da Vida cuja tecnologia demanda o trabalho, diferentemente do ócio no Monte Olimpo, muitas vezes a função dos pés é cansativa, ou, as vezes ele deu uma topada na pedra e quebrou o dedo, contudo suas limitações são acolhidas com motivo de dignidade pelo seu trabalho e não como motivo de exclusão.

Da mesma forma que a hostilidade natural não é amaldiçoada como fatalidade de azarão: sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. Tudo posso naquele me dá força (Ef 4,12-13).

O maior propósito de cada um é a preservação da dignidade do outro, cuja a riqueza está em renunciar as próprias necessidades para garantir a estabilização do bem estar do corpo.

O retorno ou mudança: a conversão em 180 graus

Ao se falar de conversão da Igreja não se quer dizer uma modernização dos seus tradições, ou quebra de seus costumes, mas sim mudança de caminho, retorno diante de uma postura de ser conduzida por piloto automático, para assumir a própria direção.

A conversão: percebendo o piloto automático

A Liturgia do 28 Domingo do Tempo Comum traz a renovação da Vida, dizendo para a Igreja nos dias atuais que ela está sendo convidada para a posse do Rei: O Reino dos céus é como a história a do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir (Mt 22,2-3).

Mas, ao se prestar atenção ao sentido de “não quiseram ir”, já se mostra uma caminhada na contramão, demandando um retorno.

O sentido de “não quiseram ir”, se dá pela visão estrábica (vesga) causada pelas certeza nas imagens, como se ela estivesse dizendo para si: devemos ser solidários, dar assistência social para se estar no caminho da salvação, dando esmolas (migalhas) aos pobres, e uma dia na eternidade, isto é, fora da realidade presente, como uma utopia, estaremos sem choro e sem dor na sociedade celestial.

Mudando a direção

Mudar de direção é necessário a realizar uma verdadeira transformação de vida, ao ponto de se perceber incapaz de por si só alcançar toda a segurança e renovação da vida, como se fosse uma mão independente, dessa forma voltando-se ao regaço do Corpo, voltar-se a certeza de que esse Corpo garantirá a Viva:
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança. Na casa do senhor habitarei pelos tempos infinitos (Sl 22, 1.3b-4.6b).

Sair do piloto automático e não simplesmente participar da liturgia como se fosse no bar relaxar um pouco e depois, já nem mais se lembrar da cerveja que tomou, mas sim, absorvê-la como realidade transformadora, e se ela diz hoje para a Igreja que está convidando-a, ela precisa reconhecer, ou seja, aceitar o convite para as bodas.

E aceitar esse convite significa se revestir das vestes da Realeza, ou seja, ela como ovelha reconhecer a voz do seu Pastor que a está chamando neste momento real, e não para um dia na eternidade, e reagir assumindo a função para a qual foi chamada, não se portanto como aqueles que lhe viram as costas:

O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados; já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos, e tudo está pronto. Vinde para a festa’. Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios. (Mt 22,4-5).

Conclusão

Cuidado, talvez você precise ir para o oculista para trocar os óculos, por um escuro sem grau, que reduza a nitidez das imagens que te impedem de se emocionar.

Autor: Laurentino Lúcio Filho

Advogado na área cível-empresarial, há 26 anos, Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital na linha da Semiótica Cognitiva com foco em formação docente e Professor Universitário nas graduações de Adminsitração, Gestão de Pessoas e Contabilidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *