Saindo da Pandemia pelo recluses no lugar do lockdown

Este artigo propõe uma caminhada de desenvolvimento de sentido emocional nas convulsões do dia a dia da vida.

Vivemos dias de extremas aflições, nos desviando da morte a cada instante e tentando salvar nossos filhos, porque, como na música dos Titãs, Pela Paz (1997)1, todo mundo está disposto à guerra, mas ninguém luta por você, você está sozinho.

Ao olharmos para o líderes, todos dizem, disposto à guerra, mas, não para lutar por você, isto é, para se efetivar a Justiça, mas, para manterem sua boa imagem pública, para manterem sua popularidade e, para alguns, para sucesso em reeleição das mamadeiras do Estado.

Para isso, praticam o ofício público da mera burocracia, que atenta contra a dignidade e cidadania, valendo-se do direito das aparências, cuja a injustiça do Ter Direito, faz prisioneira a verdade do Ser Direito e dizem sem qualquer constrangimento “é imoral, mas é legal”.

Por isso, vivemos um momento em que somos chamados a nos conscientizarmos de que o maior erro nosso agora, é por a esperança na mão de um desses caras, pois, ao invés de amarem a justiça, ostentam a si próprios, e preocupados apenas com a manutenção de seus luxos, não se importam e nem mexem um dedo para lutar por você, tua dignidade de ter um leito, um cuidado na saúde, é o que menos importa, a final adotam como ideal mais importante, a politicagem.

No entanto, a dignidade e a cidadania não estão sob as sujas mãos demagógicas deles, pois, são atributos sublimes que a própria natureza os guarda em seu santuário, e quando há ameaça a algum deles, ela própria se incumbe de protegê-los e não mede forças para, a seu tempo, destruir esses perversos egoístas.

Por isso, o momento presente em que testemunhamos uma peste global, ou pandemia, somos chamados a acreditar que não há “donos da verdade” a dar solução, pois não se têm a solução, não se devendo esperar que surgirá um plano mirabolante de economia e saúde, ou um plano conservador, porque tudo isso que foi feito até hoje já não se mostra mais adequado, por se sustentarem sob a indignidade do ter Direito, conservado pelas aparências, fingimentos, ou hipocrisias, e se afastarem do ser Direito.

Assim, não devemos esperar uma solução humana, não acredite em nenhuma promessa de homem, pois, o que nós todos somos chamados agora, trata-se de um fenômeno muito mais forte do que o homem, porque sua dimensão transpassa as fronteiras da capacidade de controle pela própria Humanidade.

Falar de solução por vacas (= vacina) de ouro, ou por máscaras como seu salvador, é ilusão para não se encarar o mal real que temos de enfrentar, que é a falta de coragem para olharmos para nós mesmos e ver que estamos sozinhos, e, homem nenhum lutará por nós e nossos filhos.

crédits:gdj

O momento presente não pede uma solução por lockdown, que quer dizer confinamento, mas, apresenta uma saída pelo recluses, que quer dizer contemplação, recolhendo-se a um jejum solitário, buscando atender ao chamado da única que pode estar ao nosso alado agora, a Natureza, nos convidando para voltarmos à realidade, à verdade, pois nós não somos vacas, nem de ouro, nem de carne, mas, cultuadores da dignidade e cidadania.

Para isso, se faz necessário se aprender a interagir com a Natureza para se aprende a ouvir dela o que ela quer e espera de cada um neste momento, tornando-se cultuadores da dignidade e cidadania, sendo Direito, e que podemos chamar de tecnologias de inovação de culto e liturgia.

É uma tecnologia de inovação, porque hoje, diante das ilusões que somos expostos diariamente, quando se fala em relacionamento com a Natureza nos permanecemos a um exercício milenarmente retrógrado, puramente mental, abstrato, como uma meditação, uma filosofia, reflexão, Yoga.

A assim, essa tecnologia diante da gravidade da situação, propõe uma mudança necessária para que a parte imaterial que compõe nossos atos, que poderíamos chamar de ética, também integre a parte material, cuja estrutura é chamada de de estética, pois a composição da Ética + Estética se forma a Arte.

Assim, nesse momento em que somos desafiados a presenciarmos um fenômeno aterrorizante, fora de nossas mãos, e também, quando nenhum homem parece disposto a fazer algo por nós, logo só nos resta lançamos mãos de um pedido a Deus, como por exemplo, os pais que oram pelo filho que sofreu um traumatismo craniano em acidente de carro, ou, o filho que ora pelo pai no leito de morte, na luta para sobreviver contra uma doença.

No entanto, esse modelo que estamos acostumado, e que se pratica milenarmente em qualquer credo ou igreja, por mais bem intencionado que seja, se mostra inoportuno, pois, muitas vezes, as orações parecem ter sido em vãos, o que nos faz lembrar aquele filme “Os imortais”, de 2011, quando o ladrão, ao lado de Teseu, responde à Oráculo, que se tornou ladrão porque teria pedido um cavalo para os deuses e nada recebeu, já que os deuses não lhe deram, ele decidiu roubá-lo.

Portanto, o momento não é o de elevar uma oração puramente mental, mas sim, a necessidade de inovar para uma nova tecnologia, para se colocar, antes de qualquer oração, a nossa obra de dignidade e de cidadania, que os cultos dignos costumam chamar de “oferta de Abel” ou, “a primícia”.

Para isso ser feito, é preciso que primeiro, acolhemos a verdade, aquela que não muda por conveniências, ou seja, aquela que era, é, e será, e, em nome dela pratiquemos todos os atos ao qual somos chamados a realizar no nosso dia a dia, em dignidade e cidadania, pois, somente a partir de nossas obras, podemos nos apresentar diante de Deus, com primícias, sem estar com as mãos vazias:

Que ninguém se apresente de mãos vazias diante do Senhor: cada um traga seu dom, conforme a bênção que o Senhor seu Deus lhe tiver proporcionado (Deuteronômio, Cap. 16, v. 16-17).

Para encher as mãos, é preciso portanto, praticar nosso ofício cotidiano dentro da dignidade, ou seja, o respeito, o carinho, o zelo, o sentimento verdadeiro de estima por quem nos relacionamos, seja ele humano, animal, vegetal ou mineral, e também dentro da cidadania, que é respeitar toda a dignidade do próximo, antes que esse próximo tenha de pedir, ou, ele antes dele ter de exigir do Estado nossa correção.

Com essa oferta em mãos, diante da verdade, só você e Deus saberá se a oferta é de Abel ou de Caim, e, sendo digna de primícias, antes de você se deparar com um ato aterrorizante, o Senhor mesmo já te livrou dele, mas se não, a exemplo da parábola das virgens imprudentes, você deixou para a última hora, não conseguirá reverter a situação só porque você quer daquela forma, ainda com longas dias de orações e lágrimas.

Para aperfeiçoar essa tecnologia, há mil anos, ocorreu um fenômeno sem intervenção humana, testemunhada por São Domingos de Gusmão, em que, a Mulher, a mesma em que o Senhor lhe a apresentou como Mãe da Humanidade quando disse ao discípulo amado “eis o teu filho” (João, cap. 19, v. 25-27), se apresentou como medianeira, a colher as obras produzidas materialmente pelos homens diariamente e serem apresentadas como incenso santo a Deus.

Para instrumento de coleta instituiu uma prática imaterial, a nossa ética, a tornar as obras materiais, a estética do trabalho de nossas mãos, como incenso, chamada de Rosário, para que o homem peça à Ela, por meio de contemplação (recluses) de três mistérios: gozosos, dolorosos e gloriosos, e, assim, Ela apresente a Deus a sua oferta do dia, mediante a seguinte promessa chegada a nós nestes dias por São Domingos, destinada àqueles que, como o discípulo que o Senhor amava, a receberam em sua casa:

Eu lhe asseguro que apesar das gravidades de seus pecados “alcançareis a incorruptível coroa da glória” (1Pd 5,4). Mesmo que você esteja à beira da condenação eterna, mesmo que você já tenha um pé no inferno, mesmo que você já tenha vendido sua alma ao diabo como os feiticeiros fazem ao praticar a magia negra, e mesmo que você seja um herege obstinado, como um diabo, inevitavelmente você se converterá, conservará sua vida e Jesus salvará sua alma (MONFORT, 1997, p. 6)2.

Assim, a tecnologia inovadora trazida para os dias de hoje é composta pela iniciativa de deixarmos de nos apresentar de mãos vazias olhando para o céu a pedir ajuda de Deus, para pormos mãos à obra, e pratiquemos em todas as ações a que Deus nos chama a praticá-la, desde a mais simples como varrer uma sala, como projeto dele de liturgia, revestidas de dignidade e cidadania, e diariamente colocada, como incenso pela Medianeira, a rogar por nós, agora e na hora de nossa morte, cujo resultado dessas obras, seja como projeto Dele de Culto de vanguarda tecnológica.

E para se dar o primeiro passo, a primeira delas a vencer essa pandemia: é a reclusão interna (recluses), voltar-se para a verdade, ver onde erramos ao ferir a dignidade e cidadania e imediatamente começar as reparações, apresentando nosso incenso diário nos recluses de três mistérios.

Conclusão

Se você diante de tanta aflição, acolher a promessa feita aos homens testemunhada por São Domingos, tem a promessa, não por demagogos humanos, a de vencer os desafios presentes. Se acolhê-la, no mínimo, ficaria como está, ao passo que sozinho, sem ninguém lutar por você, você certamente não terá nenhuma chance, e só lhe restará ser pisados pelos homens.

1TITÃS, Paulo, Sérgio, Branco, Charles, Nando. Pela Paz. In Album Domingo – Acústico MTV, 1997. Disponível em https://youtu.be/ymk7Qby8Tmg. Acesso em 16 mar. 2021.

2MONFORT, São Luís Mª Grignion de. O segredo do Rosário. Belo Horizonte-MG:Divina Misericórdia, 1997.

Autor: Laurentino Lúcio Filho

Advogado na área cível-empresarial, há 26 anos, Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital na linha da Semiótica Cognitiva com foco em formação docente e Professor Universitário nas graduações de Adminsitração, Gestão de Pessoas e Contabilidade.

Um comentário em “Saindo da Pandemia pelo recluses no lugar do lockdown”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *